Coleção pessoal de testeteste123
Maior urgência
Entre tantas urgências
Permita-me ir,
Sem questionamentos,
Sou meras estações
Tenha de mim a que preferir.
Não recomendo o inverno
aconselho-lhe o verão
Sou leve nem tente,
O vento não guia as folhas
Nem aponta a direção.
Nas crises,
Não tente me desvendar
Exijo só o contato
E no que em muitos faltam
Em ti irá transbordar.
Eu sou um verdadeiro acúmulo
Tem tanto aqui,
Não diria um achado
Eu mesmo me perco e me acho
Já me fiz aos poucos
E me peguei aos prantos
Encantos e encontros,
Me balancei em um tronco e cai.
Acumulei incertezas
Olhos fechados são sinceros
Alma é besteira,
Amor é beira,
Sentir não raso,
Cair faz estragos,
A cada corpo que sente uma alma que foge.
Morei em lugares vazios
Fui expulso de outros
Mas eu passei por lá,
Nunca parei
Mas aqui eu quis ficar,
Hoje eu moro em mim e ouço os vizinhos reclamarem.
Uma cama estreita,
Água fresca,
Sombra de um cajueiro,
Noites mais longas,
Dores mais curta,
Um montão daquilo que serve pra tudo, tipo limão.
E tu!
Que a morte espere nossa boa vontade,
Que na vida não exista saudade,
Que a cadeia alimentar seja mito,
E se for preciso eu invento uma máquina que pause o tempo no exato momento que eu conheci você.
Faz tempo que eu penso nisso
Pra mim é igualzinho ao paraíso que tantos querem ir.
A tristeza que nos leva a Deus vale mais do que a alegria que nos afasta Ele. Com Deus, até as lágrimas têm propósito eterno de bênçãos. Sem Ele, os momentos felizes são passageiros.
Um dia, se me perguntarem por que sou assim, direi que não foi escolha, foi caminho. Fui me moldando nas ausências, aprendi a ser forte onde ninguém ficou, silencioso onde falar não mudava nada.
Sou assim porque senti demais, esperei demais, acreditei quando já era tarde. Carrego marcas que não aparecem, mas que me ensinaram a olhar com cuidado, a amar com verdade e a não prometer o que não posso sustentar.
Se sou intenso, é porque sobrevivi.
Se sou cauteloso, é porque aprendi.
E se ainda sinto, apesar de tudo, é porque não deixei o mundo me endurecer por completo.
Acróstico para Lobato:
Já vai longe foi num tempo
Onde os bichos conversavam
Só quem curtia a infância
Entendia o que falavam.
Boneca de pano e retrós
Era assim como um Lobato
Não tinha papas na língua
Tinha os olhos de rapina,
Olho no peixe, olho no gato.
Memórias de dona Emília
O saci e a Dona Benta
No sítio do pica-pau
Tia Nastácia sempre atenta.
Entravam e saiam da casa
Ideias e muita prosa.
Reinações de Narizinho,
O Visconde Sabugosa.
Longe vão as águas claras,
Os frutos sobre o capim.
Bate o bolo Dona Benta!
Aquele de coco e aipim.
Tempo de Pedrinho, Rabicó e
O pó de pirlimpimpim.
Fim
O Caos e a Piada Chamada Brasil: 500 Anos de Escravidão Remodelada Brasil, que piada melancolia é essa? Quinhentos anos de história — desde 1500 que o caos não é acidente, é roteiro sádico. Colonização forjada em sangue africano e indígena, desigualdade como cimento eterno. A escravidão de 1888? Não morreu; trocou a moldura. Chicotes viraram contratos precários, senzalas se metamorfosearam em favelas sufocantes, e o grilhão agora é uma dívida impagável que esmaga gerações. Reflita: o que mudou, além da pose de "democracia racial"?Racismo estrutural não é falha humana; é o esqueleto podre da nação. Negros e pardos — 56% do povo (IBGE) — arrastam-se na base: 70% dos famintos, 75% das prisões, migalhas no poder. A elite, herdeira de senhores de engenho, ri enquanto lucra. No século XXI, o absurdo escala: inflação bater recordes em 2025, corroendo o salário mínimo como ácido, enquanto bancos engordam com lucros obscenos ,bilhões em dividendos para acionistas que brindam com champanhe. O povo? Pão e circo digital, entregadores suando em apps sob sol impiedoso, ecoando as lavouras de cana. E o feminicídio? Virou rotina banal, estatística fria: uma mulher morta a cada seis horas, muitas negras, silenciadas em lares que deviam ser refúgio. Mulheres limpam o chão dos ricos pela manhã, voltam para casa e viram estatística à noite. O Estado assiste, impassível, leis existem no papel, mas o machismo racista as enterra. Que reflexões cabem aqui? Somos uma nação que celebra o carnaval enquanto corpos apodrecem nas ruas. O mito da cordialidade esconde hienas: corrupção sistêmica, terra concentrada em mãos brancas, educação como esmola para manter a pirâmide intacta. Pense no abismo: 500 anos de promessas quebradas, do "país do futuro" que nunca chega. Bancos recordistas, povo no osso; feminicídios cotidianos, impunidade eterna. O Brasil é o caos reflexivo de um espelho torto, nos força a encarar que desigualdade não é destino, mas escolha perversa de quem detém o poder. Quebrá-la exige rasgar a moldura: taxar fortunas vorazes, dividir terras roubadas, punir o terror doméstico com fúria real. Senão, seguimos a piada: rindo por fora, sangrando por dentro, num circo onde o palhaço é o povo.
Você amará outros homens
e eu serei obrigado a te esquecer
minhas súplicas de amor não foram o suficiente pra te convencer
parece cruel, mas é a vida.
Seu coração sempre foi muito fervente
distante do futuro e do presente
vivendo no intenso ciclo tênue
era essa sua beleza...
Ai de mim se alguma fosse assim
amei-te por culpa de meus pecados
afoguei nas palavras que nunca consegui dizer
supriu vazios de corpos viciados
mas não encontrei felicidade em tua alma
porque só o corpo entende outro corpo
e só Deus pode trazer a calma...
Selenita:
No teu corpo moreno, queria!
a face oculta da tua Lua.
Alunissar em ti,
brincar, te abraçar,
beijar-te com ternura,
e aos poucos
desmanchar a tua fina maquiagem.
Fincar bandeira, e morrer de êxtase
sem gravidade, à noite toda,
num quarto minguante
à luz do teu luar!!!
Flor bela:
O vento forte, a flor espanca,
espalhando o perfume e as pétalas.
E eu direi que tudo ali é poético.
As pétalas são as palavras, o perfume o sentido delas,
e ao vento eu direi; o! que flor bela! <I>
Pedras falsas:
Pedras de esmeraldas são verdes.
As folhas e os musgos também são verdes.
Há pessoas que se julgam puras esmeraldas, porém,
não passam de musgos presos a uma pedra,
ou folhas que se perdem no outono.
