Coleção pessoal de testeteste123
Minha casa, meu jardim
Às vezes, fixo meu olhar no jardim da minha casa e observo, intrigada, os vasos de lírios e rosas que ali se encontram. Então me pergunto:
será que elas se sentem como pássaros trancados em gaiolas?
Fico triste, porque, de certa forma, sinto que é assim mesmo.
Somente eu as aprecio,
somente eu sinto o seu perfume,
somente eu as acaricio.
E somente elas sentem a minha presença e o meu carinho.
Essa estranha sensação me invade de repente.
E, mesmo sob o calor escaldante,
um leve frio esbarra em mim.
Há algo anterior ao nome, ao trauma e à memória — o PRIMEVO — onde a alma não se explica, apenas pulsa. É desse território que brotam as neuroses, não como falhas, mas como mensagens mal traduzidas do fundo arcaico que insiste em existir. Quando a consciência tenta domesticar o PRIMEVO, nasce o sintoma; quando aprende a escutá-lo, nasce o sentido. Toda cura começa no instante em que o ser aceita que não é senhor da própria origem, apenas intérprete tardio de um chamado antigo.
Há dores que persistem não por falta de superação, mas por excesso de silêncio. O que não encontra palavra desce, infiltra-se, organiza-se em hábito e passa a governar o ser por dentro. Quando a consciência ousa escutar o que foi empurrado para o fundo, algo se desloca: a dor deixa de ser tirana e torna-se mensageira — severa, mas justa.
A amizade sincera não pede espetáculo nem jura eternidade; ela se revela no gesto discreto de permanecer quando o brilho cessa e a alma se mostra sem ornamentos. É rara porque não deseja salvar, corrigir ou competir — apenas testemunhar. E, num mundo viciado em plateia, ter alguém que veja sem invadir e fique sem possuir é uma das formas mais silenciosas de amor.
Ninguém é melhor ou pior — apenas distinto em grau, forma e percurso. A comparação nasce do medo de não bastar, não da verdade. O ser livre compreende que toda hierarquia é invenção do olhar inseguro e, por isso, não ajoelha diante de ídolos: reconhece grandezas, aprende com elas, mas não abdica da própria medida. Quem se curva perde a visão; quem permanece ereto enxerga sem precisar negar ninguém.
Há pessoas que não arrumam o próprio quintal, não por falta de meios, mas porque é mais divertido reformar o mundo pela janela.
A dificuldade não pede lamento, pede leitura. Vitimizar-se é recusar o próprio papel na travessia e entregar o leme ao acaso. O ser que amadurece compreende que o obstáculo não foi colocado para humilhar, mas para revelar forças ainda não convocadas. E, ao invés de perguntar “por que comigo?”, passa a escutar a única pergunta fértil: “o que isto exige que eu me torne?”.
Entre a verdade e a ilusão ergue-se uma muralha paradoxal: do lado da ilusão em direção à verdade, ela é densa, áspera, quase intransponível; do lado da verdade em direção à ilusão, é tão sutil e frágil quanto uma bolha de sabão. A consciência que desperta descobre que não é difícil mentir — difícil é sustentar o real sem muletas. Por isso tantos permanecem onde o muro pesa: atravessar exige perder confortos, atravessar exige coragem.
Os dias e os meses passavam depressa enquanto eu cursava a escola normal. Havia uma pressa no tempo, como se a rotina puxasse os ponteiros para frente sem pedir licença. Quando percebi, já era época de provas finais — e que provas! Pareciam ter sido sopradas diretamente da cabeça do capeta. Uma mais difícil que a outra, exigindo não só conhecimento, mas nervos firmes e fé.
No último dia de prova, acordei mal. O corpo pesado, o estômago embrulhado, a cabeça latejando. Tudo em mim pedia cama, silêncio e descanso. Mas era o último dia. Faltar significava recuperação, e eu não queria, não podia. Levantei-me como quem se arrasta contra a própria vontade, vesti-me no automático e fui.
Naquele dia fiz três provas. Cada questão parecia sugar o pouco de energia que ainda me restava. Quando eu já enfrentava a última, tentando manter a letra firme no papel, a inspetora apareceu à porta da sala. Chamou a professora e as duas começaram a conversar em voz baixa, num cochicho que gelava o ambiente. De repente, da porta, ela ergueu a voz:
— Ana, falta muito para você terminar a sua prova?
Olhei para ela como quem encara um inquisidor. A sala inteira parecia prender a respiração comigo. Com a voz trêmula, respondi:
— Não, senhora… faltam três questões.
Ela assentiu, ainda da porta:
— Pois bem. Quando acabar, vá até a minha sala e leve suas coisas.
Um silêncio pesado caiu sobre a turma. Todos me olhavam com olhos de compaixão. Nós sabíamos — quando alguém era chamado daquele jeito, algo sério havia acontecido.
Terminei as três questões com cautela, respirando fundo, lutando contra o enjoo e o aperto no peito. Entreguei a prova, recolhi meu material e segui até a sala dela, exatamente como havia sido orientada. Bati à porta. Ela nem esperou que eu falasse.
— Ana, pode ir embora. Aconteceu algo na sua família. Como hoje é o último dia de prova, fique tranquila. Eu mesma ligo para avisar sobre o resultado.
Minhas pernas viraram bombas. Um zunido tomou conta da cabeça. O que tinha acontecido? Saí da escola sem sentir o chão. O ônibus demorou mais do que o habitual, e o motorista dirigia tão devagar que tive a impressão de que, se fosse correndo, chegaria antes. Na minha mente, só vinham pensamentos ruins. Ninguém nunca tinha ligado para a escola pedindo para eu ir embora.
Quando cheguei em casa, o portão estava aberto. Minhas tias estavam lá, meus primos também. Choravam. Choravam muito. Meu tio falava ao telefone, mencionando algo sobre uma van. A casa, que sempre fora abrigo, estava tomada por uma dor densa.
Minha mãe veio da cozinha, caminhou até mim e disse, com a voz quebrada, a notícia que eu não queria ouvir:
— O vovô Jorge faleceu.
Na mesma hora, um filme começou a passar na minha cabeça. Lembrei-me do avô maravilhoso que ele era. Aquele avô garotão, pra frente, que ria alto, contava histórias e bebia uma cervejinha com os netos como se fosse um deles. A minha memória fez uma retrospectiva apressada dos nossos melhores momentos, e eu me recusei a aceitar que ele tinha ido, que nunca mais nos veríamos.
Meu Jorge.
Meu Jorge Amado.
Ele tinha partido — e, com ele, uma parte inteira da minha infância também se despedia.
Já alguma vez olhaste para o céu e perguntaste-te:
Quem sou eu, no meio de tantos bilhões? Para que é que servirá a minha existência? Porque é que Deus me quis imperfeito como sou, pecador como sou, eu como sou?
A resposta não está lá, nem no ChatGPT, nem mesmo na Bíblia... A resposta está só em ti e em Deus, que foi quem te deu a oportunidade de escolheres ser quem és.
é fácil respirar
mas se o ar fizesse greve
ou até mesmo se reformar
quem é que consegue?
é fácil aprender
e também ensinar
mas sem professores e alunos
quem vai trabalhar?
é fácil viver
porque é bonita a vida
mas sem o amor no que se faz dela
quem não se suicida !?
Entrar sem pedir licença,
sem ser notada e incorporar
a sedução perigosa
para abrir o seu coração
dando espaço à insídia
contra todos os conhecidos
manuais de conquista
com o perfume da minha
pele dotada de malícia.
Levar à tona o desejo
que ainda não se declarou,
que paralisa, que te põe
absorto em total torpor,
que te refaça convicto
mais forte para cumprir
o total roteiro do amor
como o absoluto norte.
Não conter por muito tempo
o sortilégio e o veneno,
no afã do adormecer pleno
a castidade da tua alma,
pô-la presa em meu corpo
e nas correntes invisíveis,
para o acordar sereno
o profano ocultado em ti
com uma porção de Uxi.
Olhando no fundo dos teus
lindos olhos e desenhando
nas linhas das palmas
das mãos com os meus
dedos e oferecendo
a canção do meu silêncio,
para que faça de mim
a nossa habitação eleita
sem nenhuma distração;
durante o interstício,
para o desejável reinício,
para colocá-lo rendido
sob o Solstício carinhoso.
Para que fique confortado
e siga acordado a um passo
de se desfazer da realidade
de vez da miragem que é;
reagindo para se abrir
a eflorescência daquilo
que tenho para oferecer
- o mais alto desafio -
que é se envolver comigo.Entrar sem pedir licença,
sem ser notada e incorporar
a sedução perigosa
para abrir o seu coração
dando espaço à insídia
contra todos os conhecidos
manuais de conquista
com o perfume da minha
pele dotada de malícia.
Levar à tona o desejo
que ainda não se declarou,
que paralisa, que te põe
absorto em total torpor,
que te refaça convicto
mais forte para cumprir
o total roteiro do amor
como o absoluto norte.
Não conter por muito tempo
o sortilégio e o veneno,
no afã do adormecer pleno
a castidade da tua alma,
pô-la presa em meu corpo
e nas correntes invisíveis,
para o acordar sereno
o profano ocultado em ti
com uma porção de Uxi.
Olhando no fundo dos teus
lindos olhos e desenhando
nas linhas das palmas
das mãos com os meus
dedos e oferecendo
a canção do meu silêncio,
para que faça de mim
a nossa habitação eleita
sem nenhuma distração;
durante o interstício,
para o desejável reinício,
para colocá-lo rendido
sob o Solstício carinhoso.
Para que fique confortado
e siga acordado a um passo
de se desfazer da realidade
de vez da miragem que é;
reagindo para se abrir
a eflorescência daquilo
que tenho para oferecer
- o mais alto desafio -
que é se envolver comigo.
Quando entrei para a escola de normalistas, tive a nítida sensação de atravessar um portal. Era como se, ao vestir aquele uniforme, eu deixasse para trás a menina de antes e desse os primeiros passos em um mundo totalmente novo. Blusa branca social, broche delicado preso à pontinha da gola, saia de pregas na altura exata do joelho, meias brancas altas e sapatinho preto. Um conjunto que me fazia parecer uma boneca cuidadosamente colocada na prateleira dos sonhos.
Acordei cedo, muito antes do despertador tocar. Arrumei-me com um zelo quase cerimonial, como quem sabe que está prestes a viver algo importante. Saí de casa brilhando feito um centavo novo, com o coração acelerado e a alma cheia de expectativas.
No ônibus, os olhares vieram antes mesmo de eu me sentar. Muitos, principalmente masculinos. Naquele dia eu não entendia completamente, mas hoje sei o quanto o imaginário dos homens é fértil quando se trata das normalistas. Eu seguia meu caminho, tentando parecer segura, embora por dentro a timidez ainda falasse mais alto.
Ao chegar à escola, fui engolida por uma multidão de meninas iguais a mim: mesmos uniformes, mesmos sorrisos contidos, a mesma mistura de medo e encantamento nos olhos. Éramos muitas, todas com a sensação de estar começando algo que mudaria nossas histórias.
A diretora surgiu imponente no patamar da escada principal. Sua voz ecoou firme ao anunciar as boas-vindas, enquanto apontava para um grande quadro onde estavam escritos nossos nomes e as turmas às quais seríamos designadas. Permaneci um pouco afastada, deixando que as outras passassem à minha frente. A timidez me fazia preferir observar de longe.
Quando o pátio já estava quase vazio, aproximei-me do quadro com cuidado. Meus olhos percorreram as listas até encontrarem: turma 1111, segundo andar. Respirei fundo e subi as escadas, cada degrau carregado de ansiedade.
Ao entrar na sala, fui surpreendida por dois rostos conhecidos: Letícia e Rita, amigas da minha antiga escola. A alegria foi imediata, quase uma festa silenciosa no meio de mais de seiscentas pessoas desconhecidas. Ter dois portos seguros naquele mar novo fez tudo parecer mais possível.
A aula inaugural aconteceu no auditório magnífico da instituição. Professores novos, colegas novos, histórias que ainda seriam escritas. Tudo era novidade para aquele centavinho recém-polido, ainda aprendendo a brilhar sem medo.
Na volta para casa, eu e minhas amigas antigas pegamos o mesmo ônibus. Uma descia em um ponto, outra mais adiante, até que restasse apenas eu. Mas todas descíamos com o mesmo sorriso largo, de orelha a orelha, carregando o dia inteiro no peito.
Minha mãe me esperava na varanda. O rosto dela refletia orgulho, satisfação e uma alegria quase silenciosa. Quis saber tudo: como tinha sido, o que eu sentira, o que eu vira. Tomei um banho, como se lavasse o cansaço e guardasse apenas a emoção, e passamos a tarde conversando. Falamos do dia que havia passado e dos muitos que ainda viriam.
Eu estava, oficialmente, entrando em uma nova fase. Uma fase que minha mãe sonhara viver, mas que, pelos percalços da vida, não pôde alcançar. Ainda assim, através de mim, ela também seguia aquele caminho. E ali, naquele fim de tarde tranquilo, fiz uma promessa silenciosa: eu daria o meu melhor. Por mim. E por ela.
Esta manhã nublada e chuvosa, me fez pensar : Ah… como eu queria te ver mais uma vez.
Sentir teu toque, firme o bastante para me fazer sentir segura,
suave o suficiente para me desfazer inteira em teus braços.
Conversar sem perceber o tempo passar,
rir como quem esquece o mundo,
ouvir um rock ou um samba; pouco importa o ritmo, porque, quando estamos juntos,
tudo passa a seguir o compasso do nosso sentir.
Que esse reencontro deixe de existir apenas nos meus pensamentos
e encontre o caminho do real, do toque, do agora.
Sinto tua falta em cada detalhe,
em cada silêncio que insiste em gritar teu nome.
Todas as minhas células sentem a tua ausência,
como se o meu corpo e o meu coração
ainda soubessem exatamente onde pertencem.
Esta manhã nublada e chuvosa, me fez pensar : Ah… como eu queria te ver mais uma vez.
Sentir teu toque, firme o bastante para me fazer sentir segura,
suave o suficiente para me desfazer inteira em teus braços.
Conversar sem perceber o tempo passar,
rir como quem esquece o mundo,
ouvir um rock ou um samba; pouco importa o ritmo, porque, quando estamos juntos,
tudo passa a seguir o compasso do nosso sentir.
Que esse reencontro deixe de existir apenas nos meus pensamentos
e encontre o caminho do real, do toque, do agora.
Sinto tua falta em cada detalhe,
em cada silêncio que insiste em gritar teu nome.
Todas as minhas células sentem a tua ausência,
como se o meu corpo e o meu coração
ainda soubessem exatamente onde pertencem.
“Uma pessoa que respeita a Bíblia será contra o aborto, a corrupção e a favor da família. Porém, quem nasceu de novo se posiciona e luta contra tudo aquilo que desagrada a Deus.”
— Anderson Silva
É Surreal o poder que o falar tem frente a verdade dos fatos, a retração do mercado não mente. Dizer o que se quer ouvir é fácil, é manipulativa mesmo, agir no emocional de pessoas já fragilizadas é extremamente simples, pessoas humildes, sem esperanças é ainda mais.
O Brasil que queremos é livre de hipocrisias, abusos, à benefícios de poucos, isso é Democracia!
