Coleção pessoal de testeteste123
Adore
Não na residência do alto,
mas na essência do magno,
Até sentir o resplendor
num tom suave,
o aroma que arrepia,
suado e prostrado
diante do arauto.
Sinto falta desses dias
em que me arrebatava
sem pesos,
só eu e o Eu Sou,
dançando, às vezes cantando,
às vezes escrevendo,
às vezes recitando as cantigas
que as nuvens me segredavam.
E eu parecia louco
corria sem rumo
e só parava
quando era tempo
de cair de joelhos.
Mas um dia,
desliguei o discernimento
e segui a vaidade.
Desde então,
nunca mais me vi.
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"Escrevo para lembrar que senti."
✒︎ Poetapegasus
© 2025
A honestidade pode até atrasar o caminho,
mas é a única que não te perde de você mesmo.
— Sariel Oliveira
A ganância do homem raramente começa como maldade.
Ela nasce como medo.
Medo de faltar.
Medo de ser pequeno.
Medo de voltar a ser ninguém.
No início, é só cuidado. Depois vira acúmulo.
O problema é que o limite quase nunca chega — porque a ganância não quer coisas, quer controle.
Quanto mais o homem tem, mais ele teme perder.
E quanto mais teme, menos ele confia.
Aos poucos, troca relações por vantagens, princípios por conveniência, caráter por resultado.
A ironia é cruel:
a ganância promete segurança, mas entrega prisão.
Promete poder, mas produz vazio.
O homem ganha o mundo e perde o senso de “basta”.
E quando tudo vira meio — pessoas, tempo, até a própria alma —
ele já não sabe mais se vive para possuir
ou se possui apenas para não encarar o que falta dentro.
A ganância não é excesso de desejo.
É falta de sentido.
Apagar o número não apaga o sentimento. Mas corta o acesso automático ao impulso. É a diferença entre sentir dor e se ferir de novo por reflexo.
Hoje, isso é maturidade emocional em modo sobrevivência.
Você não está desistindo de alguém.
Está parando de sangrar pela mesma ferida.
"Com receio de deixar a zona de conforto, passamos a habitar vidas alheias, enquanto a nossa própria permanece à espera da coragem que adiamos.
Aprendi a Ir Embora
Eu não parti por falta de amor.
Parti porque o teu já não me reconhecia.
Vi nos teus olhos
o aviso que nunca disseste.
E mesmo assim fiquei,
tentando aquecer um peito
que já não era casa.
Engoli o orgulho,
chamei de fase
a tua frieza,
dei descanso ao teu desprezo
e amor
à tua ausência.
Mas há um momento
em que um homem entende:
não se implora por lugar
no coração de ninguém.
Quando o amor vira pena,
o silêncio vira sentença.
E eu recusei viver
como peso,
como hábito,
como sobra.
Soltei a tua mão
antes que a minha dignidade
morresse primeiro.
Se um dia a minha falta te visitar,
não me procures.
Estou nas escolhas que fizeste
quando não fui opção.
Estou nos abraços que recusaste,
nas palavras que engoliste,
nas vezes em que me perdeste
sem perceber.
Eu te amei
com verdade,
com coragem,
como homem.
Agora sigo.
De cabeça erguida.
Coração ferido,
mas inteiro.
Porque amor não se mendiga.
E eu aprendi
a ir embora.
Hassamo Abdurrahimo
O mar é abrigo
O mar não pergunta nada.
Não exige explicações,
não pede promessas.
Eu chego cansada
e ele continua ali,
aberto, imenso,
sem se negar.
O mar acolhe até
quem chega quebrada,
com os pés feridos
e o peito cheio de nomes.
Não me diz para ficar,
não me diz para ir.
Ele apenas existe.
E às vezes isso basta:
um lugar que não foge,
que não se fecha,
que não me pede para ser outra.
Quando alguém se recusa a te conhecer, o limite não está na sua capacidade. Está no medo, na rigidez, no bloqueio do outro. Gente fechada não entra em relação, só deixa gente bater na porta até sangrar.
Dizer que o conservadorismo é o "sentimento da maturidade" é o eufemismo mais canalha da história para camuflar o medo da perda de privilégios. Essa conversa fiada de que 'coisas boas são difíceis de criar' é a desculpa perfeita de quem já está sentado no topo da pirâmide e não quer que ninguém balance a base.
Engraçado como os conservadores tratam as "coisas boas" como se fossem milagres da natureza que brotaram do nada, e não o resultado de séculos de exploração, sangue e suor alheio. Eles chamam de 'preservação' o que, na verdade, é o embalsamamento de instituições moribundas que só servem para manter o status quo respirando por aparelhos.
Maturidade não é abraçar um museu de velharias por medo de que o novo estrague o verniz. Maturidade é entender que o que vocês chamam de "destruição" é, na verdade, o espaço necessário para a construção de algo que não precise de mordaças, dízimos ou porretes para se sustentar. Se a sua 'ordem social' é tão frágil que um pouco de progresso a ameaça, ela não é uma "coisa boa"; é apenas uma estrutura apodrecida que deveria ter caído há décadas.
O conservador não protege a criação; ele protege o seu próprio conforto, fingindo que o mundo vai acabar se ele tiver que dividir a mesa com quem ele sempre chutou para debaixo dela.
Deus não promete uma jornada sem provações, mas garante que estará sempre contigo, se confiares que Ele é a Luz que Guia e Ilumina cada passo do teu caminho.
Saudade do que foi vivido
Sinto saudade não do que faltou,
mas do que existiu inteiro,
do riso que aconteceu sem esforço,
do tempo em que o corpo não doía por lembrar.
É uma saudade estranha,
porque não pede volta,
só reconhecimento.
Ela diz: isso foi real, isso me atravessou.
Tenho saudade do jeito que eu era
quando aquilo cabia em mim,
quando o mundo não pesava tanto
e amar não exigia sobrevivência.
Não é ausência.
É memória viva.
Algo que passou, mas não morreu.
Algo que vivi, e por isso, deixou marca.
Saudade é isso:
não um buraco,
mas uma cicatriz quente
provando que houve vida ali.
