Coleção pessoal de testeteste123
Em um mundo onde o valor de uma pessoa era medido pelo peso da carteira, e não pelo que carregava no peito, dois irmãos caminhavam perdidos. Não estavam perdidos apenas no espaço, mas em algo muito mais profundo: no sentido de existir.
O mais velho, Elias, lembrava vagamente de quando as pessoas sorriam sem interesse escondido. Ele guardava essas memórias como quem protege um objeto raro, quase extinto. O mais novo, Theo, nunca chegou a conhecer esse mundo. Cresceu aprendendo que gentileza não comprava pão e que sonhos não pagavam dívidas.
As cidades eram altas e frias, feitas de vidro e números. Crianças aprendiam a contar dinheiro antes de aprender a contar histórias. Quem não tinha, desaparecia. Não morria oficialmente, apenas deixava de ser visto.
E foi assim que os irmãos se perderam do resto do mundo: recusando-se a esquecer quem eram.
Eles vagavam de bairro em bairro, fazendo pequenos trabalhos que ninguém queria, sempre pagos com o mínimo possível. Ainda assim, dividiam tudo. Um pedaço de pão partido ao meio tinha mais valor do que qualquer moeda que já haviam visto. À noite, deitados sob o céu poluído, Elias contava histórias inventadas sobre um tempo em que caráter era riqueza. Theo ouvia como quem escuta uma promessa.
Um dia, chegaram a uma região esquecida, um lugar onde o sistema havia falhado. Não havia bancos nem grandes prédios, apenas pessoas cansadas. Ali, algo estranho acontecia: ninguém tinha muito dinheiro, mas ninguém parecia vazio.
Os irmãos começaram ajudando como podiam. Elias consertava o que estava quebrado. Theo cuidava das crianças enquanto os adultos trabalhavam. Ninguém perguntava quanto eles tinham. Perguntavam apenas se podiam ficar.
Com o tempo, aquele lugar cresceu. Não em números, mas em laços. Pessoas de fora começaram a aparecer, atraídas por algo que não sabiam explicar. Ali, a confiança valia mais que contratos. A palavra dada era respeitada. O caráter, finalmente, tinha peso.
Sem perceber, os irmãos haviam criado um refúgio. Um lugar onde o mundo funcionava diferente.
Anos depois, quando alguém perguntava como aquele lugar havia começado, ninguém falava de dinheiro, investimentos ou poder. Falavam de dois irmãos perdidos que se recusaram a se perder de si mesmos.
E, naquele mundo que ensinava que dinheiro era tudo, Elias e Theo provaram que caráter ainda podia salvar não apenas duas vidas, mas muitas.
Eles já não estavam perdidos. Tinham encontrado um lar.
— Cyrox
"Aprendi, possuir mais valia
as cartas na manga do homem bom,
qual o conteudo do bolso de milhares"
(Vinnicius Pinto)
Eu carrego a morte de alguém comigo. Não como lembrança distante, mas como algo vivo, pulsando dentro do meu peito. Ela respira comigo, anda comigo, dorme ao meu lado quando fecho os olhos. Não importa onde eu esteja, aquele momento sempre chega antes de mim.
As pessoas dizem que não foi culpa minha. Que foi um erro, um acidente, uma consequência inevitável. Elas falam isso com facilidade, como quem descreve o clima. Mas eu estava lá. Eu vi os olhos perderem o foco. Eu ouvi o último suspiro falhar no meio do caminho. Eu senti o peso da vida se tornando apenas… carne.
Eu lembro do som. Sempre lembro. O impacto não foi alto, foi seco, errado. Um som que não deveria existir. Houve um segundo de silêncio absoluto, e nesse segundo eu soube. Antes mesmo de olhar, eu soube que tinha acabado com tudo. Quando meus olhos desceram, o corpo já não respondia. Peso morto. Calor indo embora rápido demais.
Minhas mãos tremeram, mas não largaram. Tinham sangue nelas, muito mais do que eu esperava. Grosso, escuro, quente. Escorreu pelos pulsos como se quisesse me marcar, como se quisesse garantir que eu nunca esquecesse quem eu era naquele instante. Eu fiquei ali parado, incapaz de agir, esperando um milagre que não veio.
Desde então, nada em mim funciona direito.
A culpa não é um pensamento, é uma sensação física. Ela aperta minha garganta até doer engolir saliva. Ela faz meu estômago revirar, como se algo estivesse apodrecendo por dentro. Às vezes eu acordo com vontade de vomitar, outras vezes com vontade de gritar, mas nunca faço nenhum dos dois. Eu engulo. Sempre engulo.
Já lavei minhas mãos até a pele rachar. Até arder. Até sangrar de novo. Mas o vermelho nunca some de verdade. Ele volta quando fecho os olhos. Volta quando o silêncio fica alto demais. Volta quando alguém confia em mim, porque eu sei exatamente o que sou capaz de destruir.
Eu não me perdoo. Não porque não tentaram me convencer, mas porque eu não mereço. O perdão exige que o erro fique no passado, e o que eu fiz não ficou. Ele se espalhou. Moldou tudo o que eu me tornei depois.
Em batalha, eu avanço sem medo. Parte de mim espera ser atingida. Não por coragem, mas por cansaço. Cada dor nova é pequena comparada àquela que nunca para. Cada ferida aberta é um lembrete de que ainda estou aqui… quando talvez não devesse.
Eu sigo em frente não por esperança, mas por punição. Viver é a sentença. Lembrar é a tortura. E carregar essa culpa é a única coisa que me mantém honesto sobre quem eu realmente sou.
Eu não esqueci.
Eu nunca vou esquecer.
E isso é o que mais dói.
— Cyrox
Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, poupe-me ao menos dos amantes da espetacularização.
Não temo os tropeços, as tempestades ou a morte — nem minha, nem dos meus — pois nenhum destes barulhos consegue ser mais ensurdecedor que o espetáculo feito deles.
Há cálices que não doem pelo amargor do conteúdo, mas pelo coro que se forma ao redor deles.
O tropeço ensina, a tempestade depura, a morte silencia — todas cumprem um papel sagrado no trato da alma.
O que fere é o aplauso, o holofote aceso sobre a dor alheia, a pressa em transformar cruz em palco e lágrima em argumento.
Quem caminha com fé não pede a ausência da noite, mas a dignidade do escuro.
Não implora pela fuga da provação, mas pelo recolhimento necessário para atravessá-la.
Há dores que só frutificam no segredo, há processos que se perdem quando exibidos.
O espetáculo rouba o sentido; o silêncio, ao contrário, devolve profundidade.
Por isso, minha súplica parece-me justa: se o cálice não puder ser afastado, que ao menos não venha acompanhado da plateia.
Que a dor seja escola, não vitrine.
E que o barulho venha do céu, não dos que confundem compaixão com curiosidade e fé com entretenimento.
Amém!
É como se nada fosse meu,
me vejo só, tolo plebeu
querendo um coração roubar,
mas deixo a alma toda falar.
Tipo Claudinho e Buchecha,
um romance preso na cabeça,
mas minhas próprias incertezas
me prendem na maior fraqueza.
Eu toco o violão pra fugir,
mas me vejo como Marta a subir…
e logo depois sou Kuririn,
caindo sem saber onde ir.
E eu grito como uma banshee,
mas ninguém nunca ficou aqui.
Eu que achava ser Hulk, me vi
num labirinto feito só pra mim.
Queria ser Ravena, Mutano,
mudar minha vida ano após ano…
mas meu mundo virou outro enredo,
Capitão sem América, rindo do próprio medo.
As teias que deviam me segurar
viraram corda no naufragar.
Poseidon tentou me resgatar,
mas nem a sereia eu pude enxergar.
Fui branca de neve sem a cura,
Frost nem viu a minha lua.
Quis ser gelo só pra me esconder,
mas o mundo não conseguiu me ver.
As luzes todas querem brilhar,
a minha é faísca pronta a apagar…
minha Viúva Negra a decidir
dar “game over” no que restou de mim.
E eu grito como uma banshee,
mas ninguém nunca ficou aqui.
Eu que achava ser Hulk, me vi
num labirinto feito só pra mim.
Queria ser Ravena, Mutano,
mudar minha vida ano após ano…
mas meu filme não teve final,
me perdi no meu próprio mundo real.
O perdoar mais que um ato de grandeza, reflete o carater do senhor em misericordia, apartir deste ensinamento o homem que concede perdão se livra das amarras da escuridão...
(Vinnicius Pinto)
Vejam o "Jardim da Inocencia" Banda Universos Video do Youtube... Impossivel nao se emocionar...
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Me diz como é perder tudo.
Me conta sobre as vozes que imperam no submundo,
sobre o silêncio que às vezes pesa mais que o próprio grito.
Me fala se és fogo ou faísca,
se és o gelo que congela a vida
ou o vento que alivia o verão.
Poderias ser o mormaço depois da chuva num dia bom,
poderias ser a calma,
mas me lanço na tua piscina
e percebo que ela é rasa demais
pra tudo que não se explica
e nem sempre ameniza.
Somos, às vezes, como um coração de mãe
tentando dar tudo —
mas também somos os ingratos do mundo.
Feito pássaros, sigo a voar,
mas quis por uma fênix no meu pensar.
Meus pensamentos voam como o vento,
sou como a erva que desfaz a paisagem
perante o firmamento.
Minhas palavras ecoam pela imensidão.
Joguei minha rede ao mar
e ainda não sei se fisguei uma verdade
ou mais uma contradição.
"Não aceite críticas construtivas de quem nunca ergueu nem um tijolo de bondade na própria vida."
_Valery Monteiro
O Julgar vai de encontro ao Perdoar, trocando de mal com o maior ensinamentos deixado por nosso senhor de modo que praticando o bem certamente restaras o bom em resposta, portanto como ensina nosso senhor não julgues para não seres igualmente Laureado...
(Vinnicius Pinto)
Após o término de um relacionamento desigual o universo se acarretará de trazer experiências frustrantes para que este venha a lembrar, pedir perdão. Só após isso este seguirá livre e perdoado, caso contrário ficará com energia presa, sem entender porque as coisas não caminham como deveria.
"Engraçado como quem menos constrói é quem mais tem ferramentas para demolir o jardim alheio."
_Valery Monteiro
A imposição é obsessão dos insensatos.
A sensatez está na inteligência da aceitação, não no egoísmo do prender. Nada preso tem valor, vontade e futuro.
O respeito mútuo tem mais valia pois ele solta, liberta e faz futuramente aquele que ofereceu desigualdade lembrar dos momentos vividos e pouco valorizados. O tempo volta para apertar àquele que merece aprender para futuramente com uma nova relação fazer diferente.
"Dar ouvidos a quem você não pediria conselhos é como aceitar um remédio de quem nunca estudou a cura."
