Coleção pessoal de testeteste123

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a ausência


do riso


pesa

"Jesus não rejeitou o casamento; rejeitou a ideia de que o amor possa ser reduzido à posse de um corpo."

Para evitar o excesso e a falta, é preciso constância — o caminho da moderação. ⚖️

Afeto é igual alimento; é preciso saciar sempre para não morrer de fome por dentro.

Todo mundo tem alguma necessidade na qual é obrigado a suprir; se é obrigado, não é livre; logo, ninguém conhece o verdadeiro conceito de "liberdade".

A existência é fluxo; estamos sempre transformando, em construção, evoluindo.

A base das ondas-partículas, subjetivamente, mas, não deixando de lado meu racionalismo e procura lógica.. vejo como sendo Deus.
E ainda assim, há um gigantesco abismo diante de tudo que se conhece (e se desconhece também)..

Cobramos reciprocidade naquilo que fazemos por interesse;


Naquilo que fazemos por amor, não cobramos nada em troca.

"Não existe algo no mundo que não pertença a alguém."

"Hoje sou um intervalo.
Não estou triste o bastante para gritar,
nem inteiro o suficiente para seguir.
Sinto demais, penso demais,
e vivo nesse cansaço elegante
de quem acreditou com seriedade.
Não peço explicações ao mundo.
Apenas descanso do que sou,
até voltar a caber em mim."


Isaías Freitas
09 Jan. 2026

Há dias que parecem rascunhos mal colados. As frases saem tortas e os gestos, imprecisos. Reviro-os até que encontrem forma e razão. Algumas colagens funcionam, outras viram poesia de esquina. E a vida segue, improvisando imagens que valem.

A vida não se restringe apenas a obter conquistas, mas também ao processo de crescimento e transformação que ocorre dentro de você ao longo de sua caminhada.

1475
"Sei de gente que tentou, mas não conseguiu publicar livros impressos. Então, deitam e rolam na Internet, publicando laudas e laudas de Lero Lero. Não sei se essa gente sabe de Mim... Mas deles eu sei e vejo (e eu não minto)!"
TextoMeu 1475

Aqui


No pé da serra eu construí o meu barraco
Fugi da correria,
Da selva
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Onde animais indomados se corroem,
Se autodestroem
E morrem aos poucos.


No pé da serra eu vou viver em harmonia
Vou ver brotar a luz do dia,
Sem cortina de fumaça,
Sem medo de arruaça,
Sem essa de internacionalizar.


Aqui o viver é bem melhor,
Os animais se respeitam,
Não respeitam horários
Nem têm regras para seguir.


Aqui tem cheiro de mato,
Flor no regato,
Tem lírio e colibri.
Aqui tem vida, sim.
A língua falada é o viver,
Viver melhor,
Viver melhor.


Aqui não tem televisão,
Nem globalização,
Morte no asfalto,
Mãos para o alto,
“Isso é um assalto”,
Dá-me o teu dinheiro e a tua roupa,
És um prisioneiro nessa vida louca,
Na selva,
De concreto e cimento armado,
De valores forjados,
Vive condenado a vegetar.


Marcos Decliê

🎵 Voto Incônscio


Vejo a face sofrida desse povo,
que tem o corpo surrado
e a miséria nas mãos.
Trazem no peito a dor da fome,
na batalha da vida nada lhes basta.


Esse rosto sofrido, banhado por lágrimas,
essa marca que o tempo não apagou,
um povo semimorto, tratado qual animal,
por miseráveis políticos profissionais.


Ouço promessas e falas desses
ignóbeis homens,
que têm em seus planos serem herdeiros do poder.
Na hora do voto eles falam da fome,
mas depois de votar, tanto faz você morrer.


Bordam suas mentes com fachadas e mentiras,
suas máscaras escondem toda ignorância.
São discípulos de mercenários e suas ganâncias,
pobres preguiçosos, com seus corpos letais,
se intitulam ordeiros, mas rejeitam a paz.


Vejo um povo sofrido e sem horizonte,
que vive num submundo, dentro de barracos.
Não conseguem ir além da fome,
e caem aos pés da miséria, vestidos de trapos.


Eles criam suas próprias leis,
eles são reis,
de uma elite imunda,
que tenta nos injetar a inconsciência profunda.
São loucos, dotados de alarvia,
somos prisioneiros de uma falsa democracia.


Bordam suas mentes com fachadas e mentiras,
suas máscaras escondem toda ignorância.
São discípulos de mercenários e suas ganâncias,
pobres preguiçosos, com seus corpos letais,
se intitulam ordeiros, mas rejeitam a paz.


Eles criam suas próprias leis,
eles são reis,
de uma elite imunda,
que tenta nos injetar a inconsciência profunda.
São loucos, dotados de alarvia,
somos prisioneiros de uma falsa democracia.

1474
"O que Alguns Humanos apreciam de verdade é Conversa Fiada. Com ou sem Molho, mas sempre Conversa Fiada!"
TextoMeu 1474

⁠Crônicas de uma vida – Parte que não se conta no currículo


Quando eu nasci, não entendia nada sobre humanidade. Nem por que raios eu tinha vindo ao mundo. Era só um choro automático, um corpo quente e confuso que exigia leite, colo e silêncio.


Com o passar dos anos, comecei a querer ser alguém **especial**. Não sabia ainda o que era humanismo, compaixão ou empatia — palavras grandes demais para uma criança que só queria ser notada. Então foquei no meu eu: minhas notas, minhas conquistas, meu quartinho organizado, minhas pequenas vitórias que eu achava que definiam valor. O mundo era um palco, e eu ensaiava meu monólogo principal.


Até que, numa noite qualquer — daquelas em que a cidade parece respirar mais devagar —, tudo mudou sem aviso.


Eu caminhava pela rua estreita atrás do prédio, fugindo da insônia e do calor abafado do apartamento. Foi quando a vi: uma figura encurvada, quase fundida com a sombra do poste. Uma mulher (acho que era mulher, a penumbra roubava detalhes). Ela revirava uma lata de lixo com uma paciência feroz, os braços magros desaparecendo até o cotovelo no fundo metálico. O som era seco, plástico rasgando, latas batendo. De vez em quando ela parava, examinava algo na luz amarelada, levava à boca e mastigava devagar, como se saboreasse um prato requintado.


Fiquei parado. Não consegui seguir andando.


Primeiro veio a surpresa. Depois, uma pontada de indignação quase infantil: **Como assim? Como uma pessoa igual a mim, feita da mesma carne, do mesmo sangue quente, pode chegar a esse ponto?** O cérebro tentava calcular: acidente? drogas? doença? família que virou as costas? E logo em seguida veio o desconforto pior: e se eu, com toda a minha pose de “alguém especial”, estivesse a apenas algumas más decisões de distância daquela lata de lixo?


Ela ergueu os olhos por um instante. Não sei se me viu de verdade. Talvez eu fosse só mais um vulto na noite, mais uma silhueta que passa e julga. Mas naquele segundo de cruzamento de olhares — ou de quase-olhares — alguma coisa em mim estalou.


Não foi pena. Pena é confortável, dá para resolver com uma moeda ou um sanduíche. Foi **reconhecimento**. Uma espécie de espelho torto e cruel. Ela ali, eu aqui. Mesma espécie. Mesma fragilidade essencial. Só que a vida tinha apertado o acelerador em direções opostas.


Voltei para casa com o estômago embrulhado e os pensamentos em looping. Naquela noite, pela primeira vez, percebi que ser “especial” não era uma conquista solitária. Era, na verdade, uma ilusão muito frágil, sustentada por circunstâncias que eu não controlava: nasci em berço que não desabou, tive acesso a escola, saúde, comida na mesa, rede de proteção invisível que a maioria nem percebe que tem.


A criatura furtiva da noite adentro não era “outra”. Era um **lembrete**. Um lembrete vivo, sujo, faminto, de que a humanidade não é mérito — é sorte, é sistema, é escolha alheia, é conjunto de acasos e de decisões coletivas.


E aí, devagar, quase sem querer, comecei a entender o que talvez seja o humanismo: olhar para o outro e enxergar, antes de qualquer coisa, o mesmo grito surdo de existir. Não importa se está dentro de um terno caro ou revirando lixo à meia-noite.


Aquele encontro não me transformou num santo. Longe disso. Mas plantou uma dúvida incômoda e permanente:
E se eu tivesse nascido do outro lado da lata?
E se, amanhã, a vida virar a chave e me colocar lá?


Talvez a verdadeira especialidade não seja chegar ao topo.
Talvez seja conseguir olhar para baixo — ou para o lado — sem desviar os olhos.
E, quem sabe, estender a mão.
Não por pena.
Mas por reconhecer, no fundo do peito, que aquela mão que revira o lixo poderia, em outra história, ser a minha.


E você? Ja passou por situação que fez repensar quem você acha que é?


Ysrael Soler

Amar é, por vezes, aceitar o outro como inverno. Sabemos que virá friagem, talvez geada, talvez neve. Mas também há a claridade cortante dos dias limpos. Aceitar é vestir-se de fibra para enfrentar o frio. E ainda assim, entregar-se ao calor raro é risco necessário.

Há um lugar onde guardo meus silêncios mais puros. É como um armário de madeira que não range. Quando tenho medo, entro ali e fecho a porta. O barulho do mundo fica distante como um inverno. E eu, reclinado, ouço uma paz que não pede provas.

A esperança não é sempre grande, às vezes é só um suspiro. Um suspiro que segura o corpo em pé. Quando tudo parece ruir, esse sopro faz ponte. Construo com ele um caminho minúsculo, porém firme. E sigo, sabendo que minúsculo pode ser vasto.