Coleção pessoal de testeteste123
O perdão que recebi veio em forma de silêncio acolhedor. Não foi espetáculo, não tinha plateia. Apenas alguém que me olhou sem juízo. Esse olhar me devolveu formas gentis. E eu reaprendi a ser humano com menos armadura.
Há um tipo de alegria que não faz barulho. Ela surge como luz que atravessa fresta de cortina. Não precisa ser anunciada nem fotografada. Sente-se no corpo e age como remédio discreto. E durará além do instante.
As memórias afetivas se escondem em objetos sem nome. Um copo, uma folha, um bilhete rasgado. Eu os encontro e reconheço, aqui vivi. Eles não falam alto, apenas lembram com calma. E eu, como bom ouvinte, aprendo.
Não espera riso de outra boca.
Não aguarda abraços de outros braços.
Nem vá mendigar o calor de outro corpo.
Pra quê desejar carinho quando estiver triste,
se a ausência já ensina quem nunca ficou?
O amor não aceita substituição momentânea,
não se consola em atalhos nem em distrações.
Quem ama não troca presença por vazio,
nem cura saudade com mãos emprestadas.
Sentir falta dói,
mas trair o que foi verdadeiro dói mais.
Há silêncios que são mais honestos
do que abraços sem alma.
Quem sonha o amor que viveu
Não tem amor próprio
O passado é um perfume sem aroma
Melhor preferi a solidão limpa
do que o afeto sujo de engano.
“Cuidar do enfermo não é apenas tratar a doença, mas sustentar a dignidade de quem, mesmo fragilizado, continua sendo inteiro.” - Leonardo Azevedo.
Avisem a minha amada...
Avisem a minha amada
como quem contempla
o céu ao amanhecer,
pois nela mora a calma do mundo
e o caos bonito que escolhi amar.
Seu sorriso é abrigo
quando tudo pesa,
seu olhar, um convite para ficar.
Entre silêncios e promessas mudas,
meu coração aprende a chamar
seu nome.
Se ela soubesse quantas vezes
vive em meus pensamentos sem pedir licença, veria que meu amor
é casa aberta, onde sempre haverá
luz acesa.
Avisem, sim,
a minha amada, mas saibam:
é comigo que ela habita.
Porque amar é permanecer,
mesmo quando o mundo tenta nos separar.
A felicidade está no básico essencial!!!
O excesso de qualquer coisa esconde grandes escassez interna: como a necessidade de conexão, autoestima ou significado, é crucial evitar preencher esse vazio com excessos (trabalho, consumo, prazeres efêmeros). Dra Ana Beatriz
Vi o fim
na imagem da árvore
o cair das folhas sem significados
a grandeza das manhãs
a arte no chão da vida
pisada e confundida
com sujeitana calçada
esse é o fim.
"Hoje eu tirei o dia para limpar as minhas janelas e fiquei pensando: sobre oque é visto depende do ângulo e do que a janela permite enquadrar, como na história metafórica em que a mulher vê manchas nos lençóis da vizinha, mas o problema está no seu próprio vidro sujo.
Às vezes, as pessoas tiram conclusões sobre a vida da outra e não percebem que talvez o problema esteja no seu próprio ponto de vista!
Limpeza de janela é sobre o visto, depende do ângulo e do que a janela permite enquadrar...
Cada um tem sua vida, seu jeitinho, suas regras. Você vai enxergar à sua maneira, mas não irá de forma alguma saber se está certo ou errado se não sair da janela e ir buscar a realidade.
É verdade. O que escolhemos focar (o enquadramento) e a forma como olhamos para isso (o ângulo) determinam o que vemos e como interpretamos. Duas pessoas a olhar para a mesma situação podem ter visões completamente diferentes com base nos seus enquadramentos e ângulos de perspetiva.
É fácil apagar as pegadas, porém é difícil caminhar sem pisar no chão...
Hé...
Estou filosofando.
Limpando janelas e refletindo 😉"
A terra da poesia é o oleiro que faz
O quadro é a imagem da arte e da paz
Beleza e mesa é lindo arvorar
filosofo com olhos de nuvens é ar.
O chão surgiu como uma necessidade!
Uma maneira invisível
de enxergar a humildade.
Pisar descanso no brilho do chão
e perguntar à estrada:
Onde é o fim do mundo?
Cinema de subúrbio
O escafandrista mergulhou a armadura no dique.
Ele não viu o olhar da rapina.
O mergulhador não chegaria ao Largo de Roma.
Mas resolveu vir à tona... Dique-bonocô- Dique...
Virou trem na Gamboa. Internado no ferro-velho,
foram descobertas todas as suas armações.
Ninguém notou.
Ninguém morou, até vê-lo pintado no outdoor.
Ernesto?!
Ernesto foi viver longe dos barcos. Ancorou o velho navio nas pedras do Garcia.
Pegou visão, montou uma ótica. Foi viver em outdoors:
“Ernesto, meu rapaz!!!
Quando esteve no Largo dos Aflitos, ninguém se afligiu.
Nenhuma flor se rasgou por ele.
Em Água de Meninos, a moça de Taperoá rasgou o vestido de rendas.
Ela estava indecisa entre Capinam e Gil.
O amanhã de Ernesto ficou nas parlendas.
As bocas das galinhas botaram dentes novos.
O namorado amarelo foi pescado na Boa-viagem.
O martelo intimida o prego que não canta na Saúde.
Em Mont Serrat, morreu Antônio Marcos, o herói de Nazaré.
Ele foi tocar alaúde no Recôncavo, para a heroína de cinema. A menina de tranças.
Pobre menina rica, acabou trabalhando na Ribeira.
Se pegou de amores pelo Pagador de Promessas. Até carregou sua cruz.
Fama mesmo, ele fez foi na boca do fogareiro, fritando acarajé.
Fim de uma vida de sonhos.
Acabou a escarlatina em Mussurunga.
A paixão acabou, segundo GH, sapateiro da Mouraria, que virou cineasta.
Seus soldados retornaram da guerra, mas deixaram a ira em Irará.
Alugaram um barracão no Pau da Lima e garantiram que a Rússia não chegaria
à Barroquinha.
Agora que viu o Macron no Pelourinho, ele comprou a Fazenda Grande. Foi onde ele escondeu Israel. O vestiu de bedel, e lacrou a Ucrânia na Lapinha.
O coração de Zelenskyy amoleceu no Stiep.
Coitado, a gelatina lhe oferecida pelo Trump escarneceu-se dos estames.
A rosa púrpura entristeceu a Carlos Gomes.
Putin, causou o grande incêndio no Guarany!
Nos filmes de GH, a Bahia fala Tupi.
Nas margens do Tororó fui beber água. Vi muitos meninos com fome.
Meio-dia em ponto, bateu a preguiça de subir a ladeira. A velha ladeira, que Elis cantou.
Essa não é mais aquela. É pior! ... Não subi.
Fiz os devidos contornos.
A cena seria ao meio-dia. Sol a pino. A hora em que os ponteiros do relógio de São Pedro teriam de se beijar.
Eles se cruzariam mais uma vez, na frente do público.
O último a ver esta cena, foi o Estácio de Sá.
No final do filme, o público soluçava. Polvos amestrados choravam abraçados.
Androceu não ficou com Gineceu. Preconceito do brabo. Tudo por ordem de Manoelito, peixeiro do Bomfim, que media suas escamas, na cama de Almodóvar.
O féretro seguiu acompanhado de Chico Cesar, solitário com o seu tambor, anunciando o que todos já sabiam: Filme Triste.
Triste fim do cinema de subúrbio.
Glauber?... Cadê você, pai?!
O dragão da maldade continua a sua luta contra o nosso Santo guerreiro!
Nossa vida virou um circo
A carestia sempre teve voz e autoridade para anunciar a hora da morte.
Eu perdi o circo.
Não gritei palhaço. Perdi o espetáculo. A conversa chegou aos ouvidos de maínha.
Em casa, a ladainha acordou a noite.
A noite acordou a Lapinha e entrou pela madrugada.
De manhã, a vida entrou pelo castigo, invadiu a moralidade.
A nossa vida virou um circo.
Mamãe grande encerrou o assunto, desmaiada. Fugi.
Receitaram chás de rosas de palmatória, assim, que eu retornasse de Pirajá. É pra já!
Ganhei o mundo. Vendi chá de cadeira.
Em Pirajá, rolei a lona de tanta fome.
Sonhei. Caí do arame. Arembepe.
Corri.
Ninguém me pegou no sonho.
Sonambulei pelo quarto vizinho gritando palhaço.
Fui expulso de casa.
Levei nas mãos uma moldura inteira
de palmatória.
A melhor saída ainda não seria o cais do porto.
Na baixa, fui sapateiro. Inclinei-me no plano, onde fui pescado.
Puxado por arrastões, subi o elevador. Ninguém, em mim, morreu tão cedo.
Ninguém ficou morto de mim.
Ninguém me matou de passados.
Em casa, mainha preparava olhos e ouvidos de peixe morto. Quiseram me enterrar na lama
Mas, eu estava no elevador Lacerda, onde trapezistas se equilibravam no álcool. Descemos do altar. Desmontamos o circo. Ficamos altos em diversidade e dúvida.
Fui convidado para ser o príncipe nos Galés. Morri na entrevista.
Baiano?... Qual é a tua graça?
Stradivarus. Stradivarus da Silva.
Quem és tu? ... És nagô?
Fui príncipe das marés. Nos Galés!
Toquei tamborim pro Bob Dylan, no Benin.
Meu surdo tocou fundo, Alcione.
The One?
Não sei quem é. É da Mouraria?
Oxe, você não me conhece?
Sou o cara que namorou as gordinhas de Ondina. Usei brilhantina nos cabelos crespos, para me parecer com John Travolta.
Desde menino, sofro bullyings do meu vizinho Violino.
Stradivarus, qual Violino?
O doido que ganhou a vida no Largo. Louco, desvairado, Violino já acordava alucinado, gritando... Até para as fanfarras!
Toca Raul! Toca Raul! Toca Raul!
Somos multiplicações da vida, e a vida se multiplica em nós; nós somos todos um só, a própria vida, ou seja, o próprio Deus, multiplicado em várias existências, que faz parte da própria existência, tudo, o Deus, a vida.
