Coleção pessoal de testeteste123
Pode ser pela bebida, e minhas memorias, mas não sinto a vida vindo de mim.... Curioso, a parte ruim que está em mim, fala até no subconsciente.
Estamos aqui para observar o universo porque ele é assim. Se fosse diferente, não estaríamos aqui para fazer a pergunta. Não houve design, houve apenas a sorte de estarmos em um universo funcional.
Sempre acreditei que o céu é uma grande máquina de tear a formar o agasalho da vida. O inferno é o lugar onde se guardam os mesmos agasalhos especialmente na sua antessala.
O problema nunca foi apenas o tamanho de Golias. O problema foi que todos já haviam aceitado internamente que ele era invencível.
Esse é o ponto em que uma geração entra em risco.
Quando as pessoas começam a adaptar sua consciência ao cenário, em vez de confrontar o cenário com seus valores, algo se desloca por dentro.
Às vezes só é possível atravessar o deserto dos nossos martírios ao aposentar os pés como mola de travessia, e usar os joelhos como tabernáculo e oratório da morada do Eterno.
"O bajulador exerce seu ofício onde não existe liberdade de expressão e muito menos o direito de criticar."
A pergunta nunca foi se os gigantes apareceriam. A pergunta sempre foi: como responderemos quando eles estiverem diante de nós?
Nirvana dos escombros
Este nirvana é um abismo calmo,
um silêncio que abafou o grito.
É a raiz que sonda o vazio
na terra árida e tolhida.
Sob a lâmina das cobranças,
cresci em solo de desamparo,
e o colo que a noite pedia
virou pó dentro do peito amargo.
Na adulta que não conquista,
só resta o sabor letárgico
de tentar ser o que esperam
e ainda carregar o fardo.
É o nirvana da decepção,
da alma inquieta e torta,
um céu de nuvens pesadas,
um porto que não aporta.
É raiva que não se grita,
desamparo enraizado.
É buscar um pouco de abrigo
e achar o mundo trancado.
E se paz existe em algum lugar,
não é aqui, não é nesta dor.
É só o vestígio da ressaca
de um amor que não veio, doutor.
O objetivo de Deus nunca foi apenas mudar cenários. Foi formar pessoas que carregam Sua natureza, mesmo em meio às batalhas.
Às cinco, o verão despejou seu alívio breve
em fios de água densa, cortando o ar quente.
Um banho de frescor, um instante de sono
que a tarde cansada guardava em sua mente.
Às seis, o silêncio molhado se instalou.
O mar parou em tons de chumbo e de segredo,
como um pensamento pesado, refletindo
o céu que agora era doce, era rosa, era medo.
Que mistério é esse, que a chuva nos deixa?
O temporal passa rápido como um susto,
e no rastro da água, uma cor surpreende:
o horizonte pintado num tom quase injusto.
Rosa sobre o cinza, suavidade sobre peso,
a luz brinca com a sombra que a chuva trouxe.
É o contraste que ensina: após o aguaceiro,
o mundo respira diferente, mais largo, mais doce.
E nós, que testemunhamos a rápida mudança,
guardamos na memória este encontro de cores:
o mar grave e calmo, o céu tênue e terno,
unidos no crepúsculo, como dois amadores
da beleza passageira, que a chuva provoca
e que a luz do ocaso transforma em poesia.
É um momento só, um suspiro da natureza,
que fica na alma, mesmo quando o dia termina.
Lembre-se sempre, não é possível derrubar um gigante afrontando sua força no montante, mas laçando seus pés como destreza a partir da base.
