Coleção pessoal de testeteste123
Não ganha a vida, não ganha na vida quem é muito feliz tendo apenas conforto, mas sim quem consegue alcançar e ter a felicidade como sua companheira, ainda que nada mais tenha.
Quando o peso da consciência é maior que do corpo, é porque o prazer é a prioridade, mas no inverso, o cansaço do corpo, suas limitações e a falta de prazer não superam a alegria de quem pode dizer que tem domínio sobre si mesmo.
A luta é incessante e o maior inimigo é este, o próprio corpo. Este pede como quem manda e nós, aquilo que existe para além do corpo, quando preocupados com a vida em sociedade, em comunhão, sofremos, sofremos por recusar o pagamento à obediência, porque recusamos prazer.
Se deus existe, nada o impede de dar espírito a uma cadeira ou a uma máquina com inteligência artificial.
0008 "A Cegonha me pegou no bico e disse: ‘Parto!’ E partiu comigo, no Bicodela. Por isso, Nasci de Parto! Disseram-me que foi assim. Eu estava lá, mas não lembro!”
O homem perigoso não é o que empunha uma espada,
mas o que destrói mentiras, sistemas e ideias corruptas.
ENTREGACIONISMO × CONTROLE
O confronto entre a entrega e a dominação do existir
Há duas forças que atravessam silenciosamente a experiência humana: o impulso de se entregar e a necessidade de controlar. Nenhuma delas é neutra. Nenhuma é inocente. Ambas disputam o centro da existência.
O Entregacionismo nasce como reação. O controle nasce como medo. Entre esses dois polos, o sujeito tenta sobreviver.
I — O CONTROLE: A PROMESSA DE SEGURANÇA
O controle surge como resposta ao caos. Ele organiza, delimita, estrutura. É o esforço humano de transformar o imprevisível em algo administrável. Através dele surgem normas, sistemas, crenças, rotinas, morais.
Controlar é tentar garantir continuidade.
O problema não está em sua origem, mas em sua ambição.
Quando o controle deixa de ser ferramenta e passa a ser finalidade, ele se torna tirânico.
O controle promete:
* segurança
* estabilidade
* previsibilidade
* proteção contra o erro
Mas cobra um preço alto:
a renúncia à experiência viva.
Sob o domínio do controle, o sujeito passa a existir como projeto. Mede-se, compara-se, vigia-se. O erro vira falha moral. O desejo vira ameaça. A dúvida vira pecado.
O controle não suporta o imprevisível — e a vida é, por natureza, imprevisível.
II — O ENTREGACIONISMO: A RECUSA DA DOMINAÇÃO
O Entregacionismo nasce quando o sujeito percebe que o controle não o salvou.
Não é um grito de revolta, mas uma lucidez tardia. A constatação de que nenhuma estrutura conseguiu conter o caos interno, nenhuma promessa garantiu sentido, nenhuma disciplina impediu a perda.
Entregar-se, aqui, não é desistir.
É abandonar a ilusão de domínio.
O entregacionista não rejeita a responsabilidade, mas recusa a tirania do planejamento absoluto. Ele entende que a vida não se deixa capturar por esquemas.
A entrega é um ato de coragem porque exige aceitar:
• a incerteza
• a impermanência
• a fragilidade
• a ausência de garantias
Enquanto o controle tenta congelar o mundo, o Entregacionismo aceita o fluxo.
Entregacionismo é viver sem fingir.
É abandonar padrões impostos, assumir quem se é e encarar a vida com verdade.
Uma filosofia de P. H. Amancio.
Com apenas uma linha e uma agulha, é possível tecer as mais belas peças e bordados. Contudo, com essa mesma linha — tão insignificante — e essa agulha — tão desprezível — também se pode provocar os maiores estragos, a ponto de corromper por completo a integridade de um tecido.
Entregacionismo -
