Coleção pessoal de testeteste123
Nós somos intérpretes da realidade. Não podemos vê-la, apenas podemos ter consciência da nossa interpretação.
Este ano será como labaredas saltando sobre a dor e o fogo. Um ano em que quem ama o mundo sofrerá com ele,e quem ama Cristo suportará com Ele.
1
Ontem,
o céu desabou em fúria ⛈🌧🌩
raios, trovões, trovoadas
e o silêncio forçado
de dez horas sem luz.
Acendi velas
para enfrentar a noite,
sentei na varanda
e deixei o frescor
e o cheiro da chuva de verão
me atravessarem.
Foi então que a infância voltou.
Ó, infância!
Tão rica em gestos pequenos
e mundos imensos.
Quando a luz faltava,
inventávamos imagens nas paredes:
dedos, mãos, sombras vivas
dançando à chama da vela.
Éramos felizes
com tão pouco.
E nem sabíamos.
2
A tempestade levou a energia
e trouxe lembranças.
À luz frágil das velas,
a noite deixou de ser escura
e virou memória.
Na varanda, a chuva de verão
cheirava a ontem.
Lembrei da infância,
quando a falta de luz
era brincadeira,
e as mãos criavam mundos
nas paredes nuas.
Éramos felizes
sem nomear a felicidade.
Ela apenas existia.
Faltou a luz.
Sobrou a infância.
Uma vela,
uma parede,
duas mãos
e o riso fácil
de quem ainda não sabia
o peso do tempo.
3
A chuva caiu como quem bate à porta do passado.
E, sem pedir licença, entrou.
Na penumbra da casa sem luz,
as velas acesas abriram frestas no tempo.
Sentei-me em silêncio,
ouvindo o sussurro do vento
e respirando o cheiro morno da chuva de verão.
Foi ali que a infância me encontrou.
Inteira.
Descalça.
Com as mãos pequenas desenhando mundos
nas paredes insones da noite.
Não havia pressa.
Nem medo.
A escuridão era brincadeira
e a simplicidade, um milagre cotidiano.
Éramos felizes,
não porque sabíamos,
mas porque vivíamos.
Hoje, a memória acende
o que o tempo apagou.
E, por instantes,
à luz frágil da lembrança,
volto a ser casa.
✍©️@MiriamDaCosta
Não quero saber como a vida funciona, não quero estragar a mágica com o meu conhecimento, não quero perder a minha inocência. Quero viver apenas.
Para ficar sem pensar, é preciso compreender as palavras apenas como uma pequena parte da percepção, que é captar o imediato, sem memória e sem objetivo. Assim nos tornamos parte da paisagem.
Uma vida simples é uma vida sem esforço, sem exigências e sem expectativas. O caminho que vai longe é o macio, sem resistência, calmo e devagar.
O futuro está cada vez mais parecido com aquela casinha do lado da praça, na cidadezinha que era tudo.
