Coleção pessoal de testeteste123
Quando alguém diz que quer se matar, na verdade está querendo matar o pensamento de se matar, não ela.
CLADISSA.
CAPÍTULO IV
O SILÊNCIO DAS PEDRAS E A VONTADE DO SÉCULO.
A Úmbria do século XI não era apenas um território, mas um organismo espiritual submetido às tensões do poder imperial e às reformas eclesiásticas que se irradiavam desde Roma. As colinas que circundavam os mosteiros pareciam guardar, em suas entranhas calcárias, o eco das disputas entre o trono e o altar. A cristandade latina vivia o período que os historiadores designam como Reforma Gregoriana, cujo impulso maior se consolidaria sob o pontificado de Gregório VII, iniciado em 1073.
Cladissa, ainda jovem, percebia pouco das articulações políticas, mas sentia profundamente o peso do tempo. A investidura dos bispos tornara-se questão ardente entre o Império e a Sé Apostólica, conflito que culminaria no célebre episódio de Canossa em 1077, quando o imperador Henrique IV buscou reconciliação com o pontífice após excomunhão. Embora distante geograficamente, a reverberação desses acontecimentos alcançava os mosteiros úmbrios, onde a disciplina tornava se mais rígida e o estudo mais exigente.
No claustro onde Cladissa residia como oblata letrada, o scriptorium era o coração pulsante. Ali, sob a luz oblíqua das manhãs, monges copiavam manuscritos da Vulgata, consolidada séculos antes por Jerônimo no final do século IV. O latim ali empregado não era apenas língua, mas instrumento de coesão civilizatória. Copiar era preservar o mundo.
Cladissa, embora mulher, encontrara uma brecha rara naquele universo predominantemente masculino. Filha de pequena linhagem rural empobrecida por tributos e instabilidades feudais, fora entregue ao mosteiro não como penitente, mas como promessa de elevação intelectual. Sua instrução não era comum, mas também não era impossível. Algumas casas monásticas, especialmente influenciadas pela tradição beneditina, permitiam a presença feminina em alas separadas, sob rígida supervisão.
A Regra de São Bento, redigida no século VI, orientava não apenas o silêncio e a obediência, mas a ordem interior. Ora et labora. Rezar e trabalhar. O trabalho intelectual era considerado forma elevada de serviço a Deus. Cladissa compreendia que sua permanência ali dependia de discrição, disciplina e excelência. Não lhe bastava ser piedosa. Precisava ser irrepreensível.
Entretanto, sob a superfície da rotina litúrgica, agitavam se conflitos mais sutis. A espiritualidade medieval não era homogênea. Correntes de ascetismo rigoroso confrontavam práticas mais flexíveis. A preocupação com a simonia e com o celibato clerical intensificava se. A reforma exigia pureza. E pureza, naquele contexto, significava vigilância constante sobre desejos e ambições.
Cladissa sentia dentro de si uma tensão que não era carnal, mas intelectual. O desejo de compreender superava o de simplesmente obedecer. Ao copiar passagens do Evangelho de João, detinha se sobre a expressão Verbum caro factum est. O Verbo fez se carne. Perguntava se, silenciosamente, sobre o mistério da encarnação enquanto evento histórico e ontológico. Como o eterno pode submeter se ao tempo. Como o infinito pode caber na fragilidade.
Essas indagações não eram heresia, mas eram perigosas se mal formuladas. A linha entre contemplação e suspeita era tênue. A Europa do século XI ainda não conhecia a sistematização escolástica que floresceria nos séculos seguintes. O pensamento era teológico, porém ainda profundamente simbólico. Questionar exigia prudência.
Certa tarde, ao atravessar o pátio interno, Cladissa ouviu dois monges discutirem sobre as decisões romanas acerca das investiduras episcopais. A tensão política infiltrava se no vocabulário cotidiano. O mundo exterior não estava distante. O mosteiro era ilha, mas não era imune.
Ela compreendeu então que sua própria existência era atravessada pelo mesmo conflito estrutural que movia a cristandade. De um lado, a autoridade consolidada pelas tradições. De outro, a exigência de reforma moral e espiritual. Dentro dela, também havia tradição e reforma. Havia obediência e pensamento.
Naquela noite, recolheu se ao cubículo simples que lhe fora designado. A lamparina projetava sombras nas paredes de pedra. Tocou o pergaminho ainda inacabado e percebeu que cada letra traçada era um gesto de permanência. Em um mundo instável, escrever era resistir.
O século XI não lhe oferecia garantias. Oferecia provações. Contudo, no silêncio das pedras úmbrias, Cladissa começava a compreender que sua vocação não era apenas copiar palavras antigas, mas tornar se guardiã de uma chama interior que o próprio século, com todas as suas convulsões, não conseguiria extinguir.
E assim, entre o rigor da Regra e o tumulto do mundo, formava se lentamente uma consciência que aprenderia a sustentar se não pela força das armas, mas pela firmeza do espírito e pela lucidez da razão.
Em um mundo invertido,
O rico tem o afeto como prioridade na vida;
O pobre tem o dinheiro como prioridade na vida.
O ego não nos deixa sair do planetinha onde ele é o sol. Quando você se lança no imenso universo desconhecido ele desaparece na poeira cósmica.(Walter Sasso)
Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino.
Escrever é o gesto de quem já compreendeu que o grito não alcança ninguém, resta, então, converter o pavor em grafia. É usar o próprio sangue como tinta para riscar uma saída numa parede de concreto que jamais cederá aos ombros cansados. Cada frase estanca, por instantes, uma hemorragia interna que o mundo ignora enquanto exige sorrisos e produtividade. Sou o náufrago que, em vez de pedir socorro, consome os últimos fôlegos descrevendo a beleza aterradora do oceano que o afoga.
Minha alma tem a textura de uma casa abandonada, onde o vento sopra entre as frestas de memórias que eu deveria ter enterrado.
Todos nós somos iguais! A não ser na forma como lidamos com as pessoas. Nesse ponto, tenho que admitir que somos totalmente distintos.
"Há dias em que o mundo pesa, e a existência parece inclinar-se sob o peso invisível das responsabilidades. Contudo, a alma que se educa na esperança descobre que não carrega apenas o mundo, mas sustenta-o com a própria luz interior."
Não existem Amigos.
Não existem Amigos:
Quando se trata de você crescer.
O ciúme e a inveja, do seu sucesso:
Os fazem desaparecer.
Não tem aperto de mão, os incentivos
desaparecem, ninguém é capazde lhe dizer:
Vá em frente amigo. Que Deus abençoe
na sua nova jornada.
Ninguém diz nada, e é isso que mim entristece: Vê-los sumir, mas para tristeza de muitos, eu estou aqui.
Firme nessa jornada, que há quarenta anos esperei, e Deus realizou o sonho; que eu sempre sonhei.
[Avaliação de Desempenho, Blasfêmias
Aleatórias ou As Heresias de Féton]
Se o seu DEUS existe,
ele deveria renunciar.
Com base em tudo
o que temos visto,
fica evidente,
que ele é péssimo,
nesta função
de ser DEUS.
Onisciência,
Onipotência,
Onipresença,
Onifodência.
A não ser,
que ele não tenha
relação alguma
com a humanidade,
neste caso,
ele está fazendo
um ótimo trabalho.
Se for o caso,
neste caso, específico,
ele evidentemente,
está fazendo,
um ótimo trabalho.
Errata:
em verdade vos digo, DEUS existe,
só o seu DEUS que não.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Em minha caminhada com Cristo, meus erros têm em diversas oportunidades sobreposto minhas virtudes; talvez minha maior virtude seja expor meus erros!
