Coleção pessoal de testeteste123
Na Praia de Itaipu,
o mar não grita,
ele conversa baixo
com quem sabe escutar.
Aqui,
na Região Oceânica de Niterói
o horizonte verde
não é promessa turística,
é confidência.
Eles correm
como se o mundo
não tivesse muros e portão
como se a areia
fosse extensão do peito
e a liberdade
não precisasse de plateia.
O vento penteia o pelo,
a onda beija as patas,
e o tempo,
(Ah, o Tempo!)
desaprende a pressa.
Entre a restinga e a espuma
há um pacto silencioso:
coabitar é respeitar
o ritmo das marés.
Eles,
como eu,
amam a praia deserta.
E eu,
amo vê-los livres,
longe do ruído humano,
longe do excesso,
longe da invasão dos sem noção.
Na Praia de Itaipu,
até o silêncio tem corpo.
E a liberdade
anda de quatro patas
ao lado da minha alma. 🐾🌊
✍©️@MiriamDaCosta
Ela se virou
e com o olhar bordado de poesia,
acariciou as teias de aranha do passado
e com as narinas da saudade
exalou toda a sua poeira de versos.
✍©️@MiriamDaCosta
É que das feridas
eu fiz canteiros férteis,
onde floresço versos
como quem transforma dor
em estação de primavera.
Reguei cicatrizes
com silêncio e insistência,
adubei perdas
com a coragem de permanecer.
E onde
antes sangrava,
hoje brotam palavras.
Porque a terra que fui
e que sou
não recusou a estiagem,
aprendeu a germinar
por si só.
✍©️@MiriamDaCosta
Entre brilhos e silêncio,
eu me reconheço.
A máscara enfeita o rosto,
mas é a consciência que ilumina o olhar.
Eu não me escondo.
Eu me revelo —
no ritmo,
na liberdade,
na inteireza de ser quem sou.
Carnaval é festa.
Mas minha essência é permanente.
Eu recomeçarei quantas vezes for preciso,
Escrever em uma folha em branco tem um gostinho diferente.
Enquanto não dói na gente, parece pequeno.
Quando dói, a gente entende:
a dor do outro nunca foi exagero,
só era invisível pra quem não sentia.
Viver com uma pessoa irritante é ser escravo duas vezes, é não se libertar de si e viver uma utopia do próprio imaginário...
Luiz Gonzaga dizia:
A minha vida é andar por esse país, pra vê se um dia descanso feliz.
Apud:
A minha vida é andar por esses países, pra vê se um dia […]
Nordestino não descansa.
Feliz nordestino é.
"A verdade só é caridade quando vive na harmonia entre o dizer e o fazer; toda verdade que não se encarna no exemplo dissolve-se em incoerência."
Onde você nasceu, o nome dos seus pais, os amigos que você teve no Ensino Médio e onde posso encontrá-los. Quem são seus irmãos e irmãs e a lista completa dos nomes dos seus primos. Onde você compra roupas, quais os tamanhos, onde faz suas refeições, o que comeu hoje, e destes últimos eu preciso de detalhes. Tudo me interessa, não há nada que pareça entediante, acredite.
Como foi o seu trabalho, quem são os seus colegas, a que horas você entra, a que horas sai. Não é por controle, por favor, não me entenda mal, jamais farei algo com isso. Traga tudo à tona apenas porque é assim que esse engodo começa, agora você apareceu e é tudo tão pra ontem, que não estou entendendo essas informações saindo aos poucos, gotinhas vagarosíssimas, enquanto o que eu queria mesmo era um dossiê impresso, cinco milhões de páginas de você pra eu ler e ficar de barriga estufada desse que é o único assunto, dia e noite e madrugada, a única coisa que é, de fato, urgente.
Se não sobre você, então me fala do tempo, das notícias, dos segredos alheios, de músicas ruins. Qualquer coisa. Pode falar, quero ouvir. Secretamente, entretanto, vou preferir saber de você. Quem foi sua primeira namorada, quantas vezes você já chorou por alguém, você vai chorar por mim? Você acha que, considerando as horas que passamos juntos, projetando isso para um futuro curto ou longo, fazendo os cálculos, será que vamos chorar um pelo outro? Eu sei que vou.
Quero que você me ligue de um telefone fixo dos anos 90 e em três horas de conversa me conte o seu dia com a patética riqueza de detalhes que só interessa aos adolescentes e aos apaixonados e a mais ninguém.
Me mostra teu cesto de roupas sujas, melhor ainda, me deixa ver um Raio-X teu, traz aqui teu hemograma, a tua carteirinha de vacina, também a de trabalho, a tua estante de livros, as camisetas expostas nos cabides descombinados, as unhas dos teus dedos dos pés. Não esquece teus exames de vista, me dá aqui tua retina, quero ver tudo exatamente do teu jeito.
Me conta teus sonhos, ninguém quer saber, mas eu quero. Os reais e os inventados, talvez os inventados eu queira ainda mais. Me revela as tuas mentiras, as que tu me contou ontem, e já me antecipa as de amanhã e as de depois.
Você está ouvindo qual música? Tá onde? Fazendo? Me liga pra dizer. Mas tem que ser agora. Onde você pintou o cabelo? Me mostra a foto desse dia. Me manda uma foto de rosto, eu quero ver teu rosto. Qualquer coisa, qualquer coisa, não rejeitarei nada, ouvirei tudo satisfeita, jamais saciada, e de olhos acesos.
Amanhã, quando acordar, continua, me joga mais pedacinhos de miolo de pão, mais detalhes, novas histórias. Vamos deixar um dia inteiro só para as manias, outro só para a confissão dos pecados. Vamos usar e-mail, WhatsApp, Instagram, Substack e telefone pra nos comunicar, ok?
No dia seguinte, faremos o mesmo. E assim, todos os dias em uma sequência precisa, me ajuda com isso, por favor, só até o momento em que que esse vício se esvai e eu fico curada, finalmente, o dia em que você volta para o nada de onde veio, até o dia em que teu nome vai me causar um tédio letal, graças a deus, o momento em que vou te enxergar insosso e insípido, e, veja só que loucura, ficarei até enojada de todas as vezes em que te comi e te bebi. Mal posso esperar por esse dia.
Agora não parece, não dá pinta nenhuma, mas não tarda e isso aqui arrefece, esse fogo baixa, até virar só o vento e a poeira e nenhuma marca de queimadura no meu corpo vai me ajudar a lembrar do teu nome com qualquer sombra de ânimo.
Se eu falar isso em voz alta agora todo mundo vai dar risada, mas lá na frente o que sobrará de ti é uma indiferença tão violenta quanto essa excitação do começo em que tudo é brilho, só que ao contrário, quando esse dia chegar eu sequer poderei responder pra mim mesma a pergunta: o que caralhos aconteceu aqui?
Mas hoje, hoje não, hoje quero tudo teu, violenta e impiedosamente, sem trégua alguma. Hoje sou puro desespero, farejando tudo que me leva até o teu nome, sonhando que eu te encontre nos mais improváveis corredores de supermercado. Hoje, que coisa pavorosa, só dá você. Quero lá saber de mais nada.
"Brain Skills são a infraestrutura da soberania cognitiva. Quem não constrói a própria arquitetura mental habita a arquitetura de outros, sejam humanos ou algoritmos."
