Coleção pessoal de testeteste123
Carla, eu te mostrei os segredos mais ocultos desse plano. Te banhei com o amor do Pai e te levei a lugares onde nenhum outro ser humano jamais pisou. Juntos, desvendamos os mistérios das estrelas e a imensidão do universo eu te dei o infinito, mas, no caminho, eu me perdi de mim.
A ironia da nossa queda é que, enquanto eu te ensinava a voar entre as galáxias, eu esquecia como caminhar no chão. Me perdi em tudo o que te dei. E hoje, o homem que te mostrou o cosmos é o mesmo que não lembra onde deixou a chave do carro, a carteira ou o crachá.
A mente que guardava os segredos de Deus agora tropeça nas miudezas do dia a dia. É o preço de ter entregado a alma: a matéria se torna estranha. Lembre disso, Carla. Não esqueça os teus pertences, porque eu já não sei mais o que é meu. O invasor silencioso não levou apenas a paz; ele levou a minha bússola.
Fique com o universo que te mostrei. Eu só estou tentando encontrar o caminho de volta para casa.
DeBrunoParaCarla
Ah Carla, talvez o nosso erro tenha sido buscar o divino onde só existe o barro. Dizem que somos imagem e semelhança de Deus, mas olho para o espelho e para o mundo e vejo outra assinatura. Se Deus criou os anjos para a luz, foi o silêncio de Lúcifer que moldou a humanidade. Fomos forjados no pecado original da rebeldia, e é por isso que pecamos com a mesma naturalidade com que respiramos.
Não há distinção entre nós e o abismo. O mal não é um invasor externo, ele é o dono da casa, o morador que escolhemos alimentar todos os dias com a nossa liberdade de escolha. E, quase sempre, escolhemos o caminho errado porque é o caminho que reconhecemos como lar.
Eu tentei te santificar nas minhas cartas, Carla, mas como posso fazer de você um anjo se as mãos que escrevem são filhas da queda? Estamos presos nessa herança de erros, e a minha maior falha foi acreditar que o meu amor poderia te salvar de uma natureza que já nasceu vencida.
O mal não está lá fora. Ele está no nós, que eu insisti em chamar de paraíso.
DeBrunoParaCarla
O Preço da Proteção
Carla, eu aprendi que amar é, acima de tudo, um ato de guarda. É se colocar na frente da flecha, é ser o telhado quando o mundo decide ser tempestade. Mas a humanidade tem uma face amarga, a gente se destrói para proteger quem ama e, às vezes, termina devastado pela própria mão que tentamos segurar.
Olho para o alto e entendo um pouco mais sobre o Criador. Deus amou o mundo de tal maneira que se entregou por ele, e o que Ele recebe em troca, todos os dias, é a traição e o esquecimento. Se até o Amor Infinito é ferido por quem Ele protege, quem sou eu, um simples autor de cartas, para sair ileso?
O amor real não é um conto de fadas; é uma renúncia silenciosa. É aceitar ser invadido, ser silenciado e ser, por vezes, o culpado de erros que não cometi, só para que você não precise sentir o peso do mundo. Proteger é um dom, mas ser devastado por essa proteção é a nossa maior prova de humanidade.
Ainda estou aqui, de pé, entre os destroços do que eu tentei salvar.
DeBrunoParaCarla
Fiz de cada carta um salmo e de você, o meu altar. Mas hoje, o templo está em silêncio e sinto que há um invasor caminhando por onde só os anjos deveriam passar.
Não sei se é a minha consciência me punindo ou se o próprio Deus decidiu que eu amei demais a criatura e esqueci do Criador. Talvez esse invasor seja alguém que você moldou com as mãos da sua influência, um sentinela que você colocou para vigiar meus passos enquanto eu achava que estava apenas sendo...
Onde termina a sua vontade e começa a minha punição? Se o mundo me odeia, que o faça sob o céu que eu mesmo descrevi. Mas não use os anjos para me vigiar, enquanto você mesma segura a chave da minha cela...
Sempre escrevi sobre castelos, Carla, mas esqueci que muros servem tanto para proteger quanto para aprisionar. Hoje, sinto um invasor caminhando pelos corredores da minha vida. No início, achei que fosse apenas o mundo lá fora, com seu ódio gratuito e o barulho de quem não suporta ver alguém sentir demais. Depois, pensei que fosse a minha própria consciência, me cobrando dívidas que eu nem sabia que tinha.
Mas a verdade é mais afiada: o invasor tem o teu rosto. Ou talvez, seja "alguém" que você criou dentro de mim para me manter sob vigilância constante.
É estranho como o amor, quando vira controle, se transforma em uma ocupação silenciosa. Você entrou como brisa, mas trouxe consigo um exército de dúvidas que agora habitam a minha mente. Sinto o peso do mundo contra mim, mas o golpe mais forte vem de dentro, dessa projeção que você moldou para me julgar a cada passo.
Será que fui eu quem te deu as chaves, ou você sempre teve o plano de trocar as fechaduras?
Hoje, não sei se luto contra o mundo, contra a minha mente ou contra essa versão de você que se tornou meu maior tribunal. O que era para ser refúgio virou invasão. Onde antes havia poesia, agora há uma sentinela. O invasor não bateu à porta; ele foi convidado por você ou talvez, Bruno, ele seja a parte de você que a Carla aprendeu a dominar.
Sigo escrevendo, mas agora com a mão trêmula. Porque é difícil ser o criador quando a criatura decidiu que o autor não tem mais direito ao próprio roteiro.
Quando o assunto é amor, prefiro ficar com minha dor velha do que renovar os votos com a dor, prefiro ficar com minha dor velha do que renovar os votos com o amor.
Existem dois tipos de restauração de uma obra de arte. Uma mais rápida e bem mais barata, que o consertador, utiliza se de materiais de baixo preço sem qualquer responsabilidade na preservação e integridade com a obra, que visualmente parece ter bom resultado. E a outra, que é geralmente bem mais lenta e custa bem mais caro, em que o restaurador gabaritado, utiliza se dos materiais originais profissionais, com responsabilidade na preservação do original, respeitando a técnica do autor, que visualmente, mesmo aos olhos de profissionais, é quase imperceptível.
Não cedo minha escada a quem quer que seja, pois ela é única, personificada para cada um segundo suas jornadas e suas aspirações. No entanto, procuro ajudar a qualquer um, subir o primeiro degrau de suas escadas, que terá a altura e as dificuldades contidas em sua própria vida, em seu espirito e seu coração.
Toda quantia roubada por injustiça, covardia e golpes contra humildes, inocentes e indefesos, devem ser muito bem guardadas, por que quem rouba pela vida impunimente, futuramente gastará muito mais em tratamentos terminais e remédios.
A exposição constante do que lhe faz bem, bom e feliz, se tornará em pouco tempo objeto de doença mental, inveja, rancor e infelicidade aos que vagueiam inseguros e tristes sem direção.
A CICATRIZ E A TRANSFORMAÇÃO
"Cicatrizes não são defeitos; são o registro de batalhas que você venceu para hoje poder voar. O processo de cura pode ser silencioso como um casulo, mas o resultado é sempre a liberdade de uma borboleta."
Nossos piores inimigos jamais nos confrontam, vivem pelas sombras e pelos cantos, costumam ser sempre simpáticos e demonstram falsa felicidade quando nos veem. São dissimulados e ardilosos, aguardando o momento certo de baixa guarda para apunhalar-nos covardemente pelas costas. São pessoas infelizes e doentes diante dos infortúnios de vida que eles próprios semearam e já que não podem igualar-se a nós, resolvem infernizar caladamente nossa existência. Que Deus apiede-se de seus maus atos, por que a vida não.
O SILÊNCIO E A CURA
"Maturidade é entender que o silêncio de uma mãe esconde sacrifícios. Perdoar não é aceitar o erro, é libertar o próprio coração da mágoa. Às vezes, uma mãe se afasta para nos proteger; entender esse silêncio é o primeiro passo para a cura da alma."
#Superação #CuraInterior #SerLuciaReflexoes
#Autoconhecimento
LúciaReflexões&VIda
O mal que assola a sociedade contemporânea raramente é intencional; muitas vezes emerge do emaranhado informacional e das próprias mazelas da modernidade.
Errar é a prova de que você não está apenas assistindo à vida passar da arquibancada, mas que está no campo. Jogando!.
