Coleção pessoal de testeteste123
A autêntica sofisticação se manifesta de maneira sutil e simples, enquanto os exageros estão intimamente associados à falta de refinamento. Isso se aplica tanto ao tom de nossa fala quanto à nossa conduta em sociedade.
“Cada escolha por ser autêntico é um passo na direção da inteireza.”
- do livro Fractais do Infinito
“Reconhecer que os pais são os transmissores das informações essenciais, tanto biológicas quanto energéticas (pela memória epigenética), nos permite compreender que eles não são frutos do acaso, mas portadores das lições que viemos integrar.”
- Trecho do livro O caminho de volta pra casa: um convite para compreender sua jornada, honrar sua linhagem e retornar ao sagrado que habita em você
Hoje é dia da mentira, mas nunca será uma mentira que eu te quero sempre perto de mim e que continuo te amando.
O maior bloqueio criativo não é falta de técnica. É falta de permissão.
Permissão para errar, para fazer sem saber, para sair do controle. Permissão para não ser bom, pelo menos no começo.
Quando tudo precisa sair certo, nada começa.
A criatividade não nasce da cobrança.
Ela nasce do espaço. E, muitas vezes, criar não é sobre produzir algo incrível.
É sobre se mover, se expressar, se tirar do automático.
Você não precisa estar bem para criar.
Às vezes, é criando que algo em você se reorganiza.
No fim, não é sobre o resultado.
É sobre o que se libera enquanto você faz.
Asas do tempo
Sejamos uma leve poesia, ou um poema de amor, levados nas asas do tempo, feito as folhas secas… aos ventos, que partem em seus voos sem saber se irão voltar, (e retornarão?) Ou serão somente tímidas e simples sementes. Somos feito viajantes de uma era, deixando as nossas marcas, boas ou não.
A única forma de exercer nossa soberania e a verdadeira liberdade em nossa nação continental, é pela exaltação constante de nossa verdadeira historia, pelo culto ao comportamento cívico e o personalíssimo proposito de fortalecer nossa própria identidade com nossas festas, crenças e costumes, diferenciando nos e blindando nos de todas as culturas de todos os lugares do planeta.
ABRIL
Abril a boca para mentir, se vangloriar
Ou, bem pior, inventar fábulas, falácias
Pois era bicho-homem ou homo erectus
Cheio de segundas intenções (mas para
Que tantas se o meio-fio é dura lex?)
Abril o coração (um tipo de frase feita
Porque o tiro costuma sair pela culatra)
Oferecendo o outono a tantos e quantos
Não lhe opusessem qualquer emoção
Abriu-se como uma flor, a saber, como
Uma folha dessas que caem no poema –
Como uma mentira que, arrependida,
Se entrega ao algoz no dia da rendição!
A arte e a poesia, em geral, são criações destinadas a serem interpretadas dentro do universo da sensibilidade e da subjetividade de cada indivíduo.
E esse universo, por vezes, pode estar restrito às próprias limitações cognitivas e emocionais.
A arte e a poesia são expressões humanamente divinas que, antes de tudo, precisam ser sentidas no processo íntimo da interpretação individual.
Infelizmente, nem todos possuem essa prerrogativa.
Muitos preferem, antes mesmo de tentar compreendê-las, criticá-las e condená-las como aberrações,
quando, na verdade, é nelas que se veem refletidos.
Afinal… a humanidade, desde os tempos mais remotos, no cotidiano de sua própria realidade, o que é senão uma sucessão de contradições, excessos e deformidades?
A arte e a poesia sobrevivem justamente por isso,
porque testemunham.
Um exemplo histórico dessa incompreensão diante da criação artística é o quadro
#Guernica, de #PabloPicasso,
uma obra que, ao escancarar a dor e a brutalidade humanas, foi por muitos rejeitada,
não por falta de significado,
mas por excesso de verdade.
✍©️@MiriamDaCosta
Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.
- Tiago Scheimann
O Devenir-Planta
Fiquei parada na varanda olhando a samambaia até que minhas pernas perderam a vontade de andar. Senti o sangue esfriar, ficando verde e espesso, uma seiva lenta subindo pela coluna.
Não era sono, era uma paciência vegetal. As folhas da samambaia não esperam por nada; elas apenas estão. Comecei a entender que o pensamento é uma agitação inútil do bicho-homem. Eu queria ser apenas clorofila e vento. Queria que o sol me comesse a pele até que eu não tivesse mais um rosto para apresentar aos outros. Ser planta é a maior forma de aristocracia: é existir sem precisar de um porquê. No final da tarde, eu já não tinha nome. Eu tinha apenas sede.
As artes em todos seus aspectos de beleza são interseções de Deus, independente dos portas vozes, os artistas que as fazem, conscientes ou inconscientes por suas trajetórias terrenas. Todavia todas advém de um principio criador único e transcendente pela inspiração, disciplina, criação e liberdade entre os ritmos e as notas, nas vibrações e pelas freqüências, nas cores e nas formas que dialogam reflexivamente e silenciosamente com a vida, o ambiente e a humanidade na reconstrução e renovação do equilíbrio do que existe de mais pleno e sagrado no espirito eterno interior.
O Nó da Gravata
Olhei para ele e não vi o homem, vi o nó da gravata. Estava ligeiramente frouxo, um milímetro de desespero pendurado no colarinho engomado. Aquele nó me dizia que ele tinha desistido de ser impecável no meio da tarde.
Havia ali uma fresta de humanidade, uma pequena asfixia que ele carregava com elegância. O nó não era de seda, era de medo. Um medo de que, se apertasse demais, a voz não sairia; e se soltasse de vez, o corpo desabaria em mil pedaços de carne inútil. O homem falava sobre lucros, mas o nó da gravata gritava que ele queria apenas deitar no chão e chorar até virar água. Eu não disse nada. A gente não interrompe o silêncio de um nó que luta para não virar forca.
Olhar para o outro não é um ato de reconhecimento social, mas de violação mútua. É o momento em que a máscara da civilidade cai e sobra apenas a matéria viva, crua e assustadora do outro — que, no fundo, é um espelho de nós mesmos.
