Coleção pessoal de testeteste123
Lideranças que trabalham com programas de crescimento espiritual geram resultados de mesma grandeza.
A diferença entre pensar e refletir
Todos, de uma forma ou outra,
têm a capacidade de pensar.
Mas poucos são capazes de refletir.
Pensar é um fluxo,
natural, rápido, incessante.
Quase sempre automático,
por vezes raso,
muitas vezes apenas ruído.
Refletir, não.
Refletir é pausa.
É escolha.
É mergulho.
É o ato consciente
de atravessar um pensamento
e olhá-lo por dentro,
por ângulos diversos,
até que ele revele
mais do que aparenta.
Pensar acontece.
Refletir exige.
Pensar passa.
Refletir permanece.
E é nesse intervalo,
entre o que surge
e o que se compreende,
que nasce
a possibilidade da sabedoria.
✍©️ @MiriamDaCosta
“Reikiano, procure abrir o seu coração para o novo. Tudo neste plano de existência é mutável. As mudanças dependem exclusivamente de você e de sua atuação.”
“Mesmo diante das dificuldades, adversidades, mudanças e separações difíceis, é possível preservar a essência, permanecer firme e seguir amando, crescendo e florescendo.”
ÍMPIA COMÉDIA
No despertar da aurora, as vassourinhas entonam suas rotinas.
Entulhando seus minguados sonhos.
Amealhando horas de labuta em busca de liberdade.
Vestem rosas ou lilás sobre negras peles.
O amarelo dos ipês adornam seus carapinhos.
À noite, ao cair da ribalta, fecham-se as cortinas.
Para um outro ato hostil.
E seus sonhos se fazem franzinos.
"De vez enquanto, a vida nos faz mudar de direção.
Ocasionalmente, a direção nos faz mudar de vida!"
O dia em que eu criar minha própria empresa, exigirei que os meus funcionários tenham nos seus currículos a competência da EMPATIA.
No fim das contas, eu descobri uma coisa meio inconveniente, dessas que a gente não posta em status porque não rende aplauso imediato: o que é rápido quase nunca cria raiz. E raiz, minha querida, é feio no começo. Não tem filtro que salve. É terra, é esforço, é tempo, é aquela sensação de “será que isso aqui vai pra frente ou eu tô só regando um problema?”. Substituir é elegante, é limpo, é quase coreografado. Você troca, recomeça, reinventa, e pronto, parece que resolveu. Só que não resolveu nada, só mudou o cenário do mesmo enredo.
Construir, por outro lado, é quase um ato de teimosia emocional. É acordar num dia meio sem graça e ainda assim escolher continuar. É olhar praquilo que já não tem mais novidade nenhuma e, mesmo assim, encontrar um motivo pra permanecer. E olha, permanecer não tem glamour nenhum. Permanecer não ganha curtida, não vira história bonita pra contar em mesa de bar. Permanecer é silencioso, é repetitivo, é quase invisível. Mas é justamente aí que mora o segredo que ninguém gosta de admitir: o que fica não é o que começa perfeito, é o que sobrevive imperfeito.
Eu ando desconfiando cada vez mais desse vício moderno de querer tudo pronto, leve, sem atrito. Parece que qualquer dificuldade já virou motivo pra desistir. Como se tudo tivesse que vir com manual, garantia e botão de desistir fácil. Só que as coisas que realmente valem alguma coisa não funcionam assim. Elas exigem presença. Exigem paciência. Exigem que a gente suporte o desconforto de não ter certeza.
E eu sei, dá trabalho. Dá um trabalho quase ofensivo. Tem dias em que dá vontade de largar tudo e escolher o caminho mais curto, mais simples, mais bonito na superfície. Mas aí vem aquele pensamento inconveniente de novo: o fácil não sustenta. O rápido não aprofunda. O imediato não permanece.
Então eu fico. Fico não porque é sempre bom, mas porque é verdadeiro. Fico porque entendi que construir não é sobre ausência de dificuldade, é sobre decidir que aquilo merece o esforço. E, no fim, é quase engraçado perceber que aquilo que mais cansa é exatamente o que mais cria história. Porque ninguém conta com brilho nos olhos sobre aquilo que foi fácil demais. A gente conta sobre o que resistiu.
E eu, sinceramente, ando preferindo o que fica. O que cria raiz. O que demora. O que exige. Porque no meio de tanta coisa descartável, ter algo que permanece virou quase um luxo emocional.
Agora me conta… você também tá começando a desconfiar do que é fácil demais?
Porque substituir dá menos trabalho. É quase um reflexo condicionado da modernidade. Travou? Troca. Cansou? Troca. Não brilhou hoje? Troca também, porque aparentemente tudo precisa performar como se fosse final de campeonato todo santo dia. E eu fico olhando isso com um certo espanto, meio rindo, meio cansada, pensando em quando foi que a gente começou a tratar pessoas como se fossem aplicativos com bug.
Construir, por outro lado, é um negócio meio antipático à pressa. Construir exige tempo, exige silêncio, exige aquele desconforto chato de ter que conversar quando o orgulho queria fazer greve. Construir é olhar pra alguém num dia completamente sem graça e ainda assim escolher ficar. E vamos combinar, dias sem graça são a maioria. A vida não é feita de trilha sonora emocionante, é mais aquele barulho de panela, notificação e boleto vencendo.
Substituir virou hábito porque dá a falsa sensação de controle. A gente acredita que, escolhendo outra pessoa, vai finalmente encontrar a versão sem defeitos, sem falhas, sem dias ruins. Spoiler que ninguém gosta de ouvir, mas eu falo mesmo assim: não vai. Você só muda o roteiro, mas o gênero do filme continua o mesmo. Sempre vai ter conflito, sempre vai ter frustração, sempre vai ter aquele momento em que você pensa “será que era melhor ter ficado sozinha vendo série?”. E às vezes era mesmo, mas isso não invalida o resto.
Construir é quase um ato de teimosia elegante. É tipo dizer “eu sei que seria mais fácil sair correndo, mas eu vou ficar aqui mais um pouco e ver no que dá”. E não, isso não tem nada a ver com aceitar qualquer coisa. Tem a ver com entender que profundidade não nasce de facilidade. Relações rasas são muito educadas, muito leves, muito fáceis de abandonar. Relações profundas dão trabalho, mas também dão raiz. E raiz, minha querida, segura até quando o vento resolve testar sua sanidade emocional.
A gente desaprendeu a permanecer porque permanecer não dá like imediato. Não rende história bonita todo dia. Não tem aquele brilho instantâneo que faz o coração disparar e a dopamina fazer festa. Mas tem uma coisa que o instantâneo nunca vai ter: consistência. E consistência é silenciosa, quase invisível, mas é ela que sustenta tudo quando o encanto dá uma cochilada.
Eu olho pra esse mundo que troca tudo o tempo inteiro e penso que talvez o verdadeiro luxo hoje seja ficar. Ficar com consciência, ficar com vontade, ficar sabendo exatamente onde está pisando. Não é sobre insistir no que machuca, é sobre não fugir na primeira rachadura. Porque se você sai toda vez que algo quebra, você nunca descobre o que poderia ser reconstruído.
No fim das contas, substituir é rápido, mas construir é o que fica. E eu, sinceramente, ando preferindo o que fica. Mesmo que dê trabalho. Principalmente porque dá trabalho.
Agora me conta, você é do time que troca ou do time que constrói?
O sofrimento e a maldade são invenções humanas, então resolvi apagar esses conceitos da minha mente, assim, nunca mais sentirei dor e nunca mais sofrerei com a crueldade dos outros.
No fim das contas, o tal do extraordinário não chega fazendo barulho. Ele não entra pela porta com trilha sonora, nem traz um roteiro pronto digno de cinema. O extraordinário, esse danado, tem uma mania irritante de chegar quando ninguém mais está prestando atenção. Porque no começo é tudo espetáculo. É conversa até de madrugada, risada fácil, promessa que parece contrato vitalício assinado com caneta de glitter. É bonito, claro que é. Mas também é fácil. Fácil demais.
Difícil mesmo é quando o silêncio começa a aparecer sem pedir licença. Quando a rotina bate na porta e não traz flores, só boleto emocional pra pagar. Quando a pessoa já não é novidade, já não é mistério, já não vem com manual de encantamento automático. É aí que a coisa fica interessante. Ou melhor, é aí que a coisa fica verdadeira.
Porque veja só, ficar quando tudo ainda é bonito não exige coragem nenhuma. Qualquer um fica quando o amor ainda está em fase de trailer. Quero ver é permanecer quando o filme já passou da metade, quando você já sabe os defeitos de cor, o tom de voz, o jeito que irrita sem esforço. Quero ver olhar pra aquilo tudo e ainda assim pensar, tá, não é perfeito, mas é aqui que eu quero estar.
E tem uma rebeldia silenciosa nisso. Uma teimosia quase poética. Num mundo que ensina a trocar tudo na primeira dificuldade, escolher ficar é praticamente um ato revolucionário. É dizer pro universo, olha, eu sei que seria mais fácil começar do zero, fingir que nada aconteceu, investir em alguém novo com aquele brilho de novidade... mas eu não quero fácil, eu quero real.
Porque substituir virou hábito. Construir virou raridade.
E construir, minha querida, dá trabalho. Dá preguiça às vezes. Dá vontade de largar tudo e sair correndo feito personagem dramática de novela das nove. Só que aí vem aquela lucidez incômoda, quase uma voz interna meio sarcástica, dizendo: você acha mesmo que lá fora vai ser diferente? Spoiler emocional: não vai.
Todo mundo decepciona. Todo mundo falha. Todo mundo, em algum momento, vai ser exatamente o contrário da expectativa que você criou. A diferença não está em evitar isso, porque isso é impossível. A diferença está em decidir com quem você topa atravessar essa bagunça chamada realidade.
E quando eu fico, não é por falta de opção. Não é por medo. Não é por comodismo. Eu fico porque eu escolho. Porque eu entendi que o extraordinário não mora no auge, mora na constância. Mora naquele café meio sem graça de manhã, na conversa que não é épica mas é honesta, no gesto pequeno que ninguém posta, mas que sustenta tudo.
O extraordinário é olhar pra mesma pessoa, depois de tudo, e ainda reconhecer ali um lugar possível de ficar.
E isso, sinceramente, não tem nada de marketing. Isso é quase um milagre cotidiano disfarçado de rotina.
Escolher ficar hoje em dia é quase um ato revolucionário digno de documentário que ninguém pediu, mas todo mundo deveria assistir. Porque enquanto o mundo grita “próximo!”, eu estou ali, sentada emocionalmente no mesmo lugar, olhando pra mesma criatura com as mesmas manias irritantes de sempre e pensando, curiosamente em paz, é… ainda é aqui.
Não porque é perfeito, longe disso. Se fosse perfeito, eu desconfiava. Coisa perfeita demais ou é filtro ou é golpe. Mas é porque eu já conheço os defeitos, já sei onde pisa errado, já decorei até os silêncios inconvenientes. E tem algo estranhamente confortável nisso. É tipo aquele sofá velho que já afundou no formato do meu corpo. Não é bonito, não impressiona visita, mas me entende profundamente.
Porque começar do zero parece lindo até você lembrar que o zero vem com manual de instruções oculto. A pessoa nova pode vir embalada em promessas e boas intenções, mas também traz defeitos inéditos, surpresas desagradáveis e aquele clássico momento em que você pensa, meu Deus, troquei seis por meia dúzia gourmet. Pelo menos aqui, o caos já é conhecido, quase íntimo, quase doméstico.
E não, isso não é sobre se contentar com pouco. É sobre entender que muito não é ausência de problema, é presença de disposição. Relação não é porcelana de vitrine que quebra na primeira queda e vira tragédia grega. Relação é concreto. Pesado, bruto, às vezes feio, mas resistente. Racha, sim. E vai rachar mesmo. Só que também dá pra reforçar, remendar, reconstruir. Dá trabalho? Dá. Mas desde quando o que vale a pena vem pronto e fácil?
A grande ironia é que o mundo vende intensidade como se fosse amor. Aquela coisa de arrepiar, de acelerar, de perder o fôlego. Mas isso até café forte resolve, minha filha. Amor mesmo é quando o café esfria, o dia pesa, a paciência acaba, e ainda assim você olha pra pessoa e pensa, tá, vamos continuar. Não porque não existe opção melhor no mercado, mas porque existe escolha.
E escolher, convenhamos, é muito mais difícil do que sentir. Sentir é automático, impulsivo, quase irresponsável. Escolher é consciente, é teimoso, é um pequeno pacto diário que ninguém vê. Não tem aplauso, não tem plateia, não tem trilha sonora. Só tem dois seres humanos imperfeitos tentando não desistir no primeiro sinal de desconforto.
No fim, o extraordinário nunca foi o começo cheio de fogos de artifício. Isso aí é marketing emocional. O extraordinário é quando os fogos acabam, a fumaça baixa, a realidade aparece sem maquiagem e, mesmo assim, eu fico. Fico porque quero, porque escolho, porque entendi que construir é mais raro do que substituir.
E olha… num mundo que troca tudo o tempo inteiro, ser alguém que permanece já é quase um luxo. Um luxo silencioso, discreto, que não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. E talvez, só talvez, seja exatamente isso que ainda salva alguma coisa nesse caos bonito que a gente insiste em chamar de amor.
Eu acho curioso como a gente vive numa época em que trocar de celular demora mais do que trocar de gente. O celular, coitado, ainda ganha capinha nova, película, limpeza de memória… já as pessoas, não. Travou uma vez, já vem aquele impulso moderno de deslizar pra próxima versão como se fosse atualização de aplicativo. E eu fico olhando isso tudo com uma mistura de riso e leve desespero, tipo quem percebe que o mundo virou um grande teste de paciência… e ninguém quer passar.
Porque ficar hoje em dia virou quase um ato subversivo. É tipo levantar uma bandeira invisível e dizer com toda a calma do mundo, eu não vou embora só porque ficou difícil. E veja bem, não é sobre aguentar qualquer coisa, não é sobre se anular, virar mártir emocional ou protagonista de novela sofrida das seis. É sobre escolher conscientemente continuar. E isso dá um trabalho que ninguém posta nos stories.
Tem dias em que amar parece simples, leve, até meio cinematográfico. Mas tem outros em que amar é quase administrativo. Exige organização emocional, revisão de expectativas, paciência digna de quem já enfrentou fila de banco em dia de pagamento. Porque não tem trilha sonora, não tem vento no cabelo, não tem cena em câmera lenta. Tem só duas pessoas tentando não estragar o que construíram com as próprias mãos.
E o mais engraçado é que a gente foi condicionado a acreditar que amor de verdade é aquele que faz o coração disparar o tempo todo. Sendo que, sinceramente, se for assim o tempo inteiro, talvez seja mais caso de ansiedade do que de romance. Porque amor mesmo, esse que dura, ele se parece mais com um sofá confortável do que com uma montanha-russa. Não impressiona à primeira vista, mas sustenta o corpo quando a vida pesa.
Escolher ficar é isso. É olhar pra mesma pessoa, com os mesmos defeitos já conhecidos, com as mesmas manias que às vezes irritam, e ainda assim pensar, eu prefiro construir aqui do que começar do zero com alguém que ainda nem sei como vai me decepcionar. Porque, convenhamos, todo mundo decepciona em algum momento. A diferença é se você vai embora na primeira rachadura ou se entende que relações não são porcelana, são mais tipo concreto… racham, mas também podem ser reforçadas.
E no meio desse mundo que valoriza o novo, o rápido, o descartável, permanecer virou quase um luxo emocional. Um tipo de coragem silenciosa que não dá curtida, não viraliza, mas sustenta histórias inteiras. Porque no fim, o extraordinário não é o começo cheio de fogos de artifício. O extraordinário é continuar quando os fogos acabam e sobra só a realidade… e mesmo assim, escolher ficar.
Agora me conta… você é do time que insiste ou do time que troca?
Amar, hoje em dia, não tem mais esse glamour todo de novela das nove, com gente correndo na chuva, tropeçando na própria dignidade e chamando isso de intensidade. Eu mesma já fui dessas, dramática profissional, achando que amor de verdade precisava doer um pouquinho, como quem aperta o sapato novo só pra ter certeza que ele é caro. Só que uma hora a gente cansa de sangrar por estilo.
A verdade é que amar virou quase um exercício de resistência emocional, tipo academia, só que sem espelho e sem aplauso. É acordar num dia em que tudo dentro de mim quer silêncio, isolamento e um bom “ninguém me toca”, e ainda assim escolher olhar pro outro e pensar, eu fico. Não porque é fácil. Não porque tá lindo. Mas porque tem algo ali que vale mais do que o conforto de ir embora.
E olha que ir embora, às vezes, parece uma proposta tentadora, quase um convite VIP pra paz imediata. Só que a gente descobre, com o tempo, que paz que vem fácil demais costuma ir embora do mesmo jeito. Permanecer, não. Permanecer é quase uma arte esquecida. É tipo cuidar de planta que insiste em não crescer, mas um dia, do nada, dá flor e você fica ali olhando, meio emocionada, meio besta, pensando, ainda bem que eu não joguei fora.
Amar assim exige uma coragem silenciosa. Não tem plateia, não tem trilha sonora, não tem ninguém dizendo “nossa, que lindo vocês dois resistindo ao tédio de uma terça-feira qualquer”. Mas tem uma coisa muito maior acontecendo ali, escondida no cotidiano. Tem dois seres imperfeitos, cheios de bagagem, traumas, manias irritantes e fases insuportáveis, decidindo não transformar qualquer desconforto em despedida.
E isso, sinceramente, é revolucionário. Num mundo onde tudo é descartável, inclusive gente, escolher ficar virou quase um ato de rebeldia. É tipo dizer pro universo, eu sei que seria mais fácil recomeçar com alguém novo, mais empolgante, mais leve, mas eu escolho construir, mesmo quando dá trabalho, mesmo quando dá vontade de sumir.
Porque no fim das contas, amar não é sobre aquele pico de emoção que faz o coração disparar. Isso aí até café resolve. Amar é sobre constância, sobre presença, sobre aquele gesto meio despretensioso de continuar ali, mesmo quando não tem nada de extraordinário acontecendo.
E talvez seja exatamente isso que torna tudo extraordinário.
Eu confesso que achei que o destino tinha uma criatividade meio limitada. Tipo aquelas novelas que só trocam o cenário, mas o roteiro continua o mesmo drama reciclado. Porque veja só, eu ali, carregando um primeiro amor como quem carrega um troféu meio quebrado, meio sagrado, meio inútil… e de repente, sem aviso prévio, virei o primeiro amor de alguém. Assim, do nada. Como quem tropeça numa pedra e descobre que era ouro.
E olha… tem um ego ali que dá uma esticadinha gostosa. Não vou fingir humildade espiritual, não. Existe um certo charme em ser o marco zero emocional de alguém. É tipo inaugurar um coração, cortar a fita vermelha de um território desconhecido, com direito a banda tocando e tudo, ainda que a banda seja só a ansiedade tocando desafinada dentro do peito.
Mas junto com esse charme vem aquele medo inconveniente, aquele que não pede licença, só chega, senta no sofá e começa a opinar. Medo de dar errado, medo de ser só mais um capítulo repetido com personagens diferentes, medo de investir sentimentos como quem aplica dinheiro num banco que já faliu antes. Porque a gente aprende, né. Pode até demorar, pode até doer, mas aprende. Nem que seja na base do “nunca mais eu faço isso”… pra depois fazer de novo, só que com mais cautela e um pouco menos de ingenuidade.
Só que dessa vez eu fui diferente. Não fui aquela versão minha que mergulha sem saber se tem água. Eu fui com calma, quase desconfiada, quase científica, analisando cada gesto, cada silêncio, cada palavra não dita. Parecia que eu estava montando um quebra-cabeça sem saber qual imagem deveria aparecer no final. E, curiosamente, foi exatamente isso que tornou tudo mais verdadeiro. Porque não tinha fantasia suficiente pra me enganar.
E aí, quando eu menos percebi, fez sentido. Não aquele sentido cinematográfico, cheio de música alta e beijo na chuva, mas aquele sentido quieto, que se instala devagar, que não precisa provar nada pra ninguém. O amor deixou de ser incêndio e virou casa. E casa não precisa pegar fogo pra ser quente.
Hoje, olhando pra tudo isso, eu entendo que amar não é mais sobre intensidade descontrolada. Não é sobre se perder. É sobre permanecer. É sobre escolher, todos os dias, ficar. Mesmo quando é mais fácil sair, mesmo quando dá preguiça emocional, mesmo quando o outro não tá na sua melhor versão. É uma teimosia bonita, quase um pacto silencioso entre dois seres imperfeitos que decidiram não desistir tão fácil.
Não é perfeito. E ainda bem que não é. Porque perfeição não sustenta ninguém. O que sustenta é o real. E o real, minha querida, tem rachaduras, tem dias ruins, tem dúvidas… mas também tem presença. E no fim das contas, talvez seja isso que mais importa. Não ser o primeiro amor de alguém, nem o mais intenso, nem o mais inesquecível. Mas ser aquele que ficou quando tudo já não era mais novidade.
