Coleção pessoal de testeteste123
Qual a receita para o amor?
- O amor que contagia;
- O amor que suporta;
- O amor secreto;
- Todas as opções.
O mundo é vasto, grande, existe algum lugar
Onde você não fará força pra se adaptar
Onde sua energia não vão querer drenar
Disfarçado de cuidados pra te manipular
O teu jeito observador
entretém e seduz,
Os meus cabelos alcançam
o Estreito de Ormuz.
O que gostaria mesmo
é que os meus sonhos
tocassem o seu peito,
E entre nós se abrisse
uma generosa passagem,
Porque não quero ser
espectadora da paisagem.
Não penso contar miragens
e tampouco contar com oásis,
Desejo ser a tua escolhida
inequívoca para habitar
a tua dulcíssima paragem.
Isqueiê
Nas encruzilhadas
e pelas passagens
no Norte de Minas,
assustando viajantes,
quase todos os dias,
Não sei se em assombração
tu realmente acreditas.
Estou lembrando você
do Isqueiê pregando
cada peça em noite alta
e antes do raiar do dia,
Cruz credo! Que agonia!...
Vem! Aperta e esquenta
a minha mão que está tão fria...
Por estes caminhos rezo por dez:
(dez Pai Nosso e dez Ave Maria).
Iukê
O coração é Iukê batendo na terra
nas mãos dos Uapixanás
do Rio Branco até o Rio Amazonas,
O ritmo te põe hipnotizado,
pelas minhas danças embaladoras.
(De todas as existências sedutoras,
a minha é a mais encantadora).
Placa
Recordo uma época
que todo dono de sítio
sempre fazia questão
de mandar fazer
uma placa com dizeres
talhada por algum artesão,
para status ninguém ligava,
saber quando seria a próxima
reunião era o que se desejava.
O que mais importava mesmo
era poder fazer no próximo
final de semana,
no feriado ou no aniversário:
um bom churrasco.
Criançada era criançada,
todo mundo se visitava
sem ter medo de nada,
Se fazia novos amigos sempre
de forma despreocupada,
Os anos passaram,
e não me esqueci de nada.
Mas não existo o bastante se deixar de aspirar.
Assim espio manhãs.Não graduo conjuras.
Apraz-me compreender que uma reta contém variáveis.
Meus poros se aguçam de humana envergadura.
Não quero
depois da morte.
Sempre querendo mais
depois de 40 anos
já entendi
nada aqui satisfaz
já que é pra ser assim
eu já quero o eterno
aqui
sem pressa
sem demora
quero começar
isso nessa hora.
não quero depois
da morte
já quero essa
sorte
começar
vislumbrar
e o eterno
já vivenciar.
A vida é uma
bolha de sabão.
Ah,
esse martelar
não para.
Oco,
vazio,
o tempo todo,
o mesmo assunto,
sem descanso um
minuto.
Pra que isso aqui!!
Pra que tudo isso!!!
Pra que esse desperdício!!!
E a mesma pergunta,
sem resposta:
pra que existir
se vou deixar
de existir?
Isso é uma
loucura
que parece
sem cura!!!!
Sem entender,
isso vai desaparecer.
De novo isso na minha
mente.
Isso é só
oco,
vazio.
A vida é vão,
feito bolha
de sabão.
A fiscalização não é um detalhe burocrático — é a linha que separa o uso legítimo do abuso cotidiano.
O Jogo Vira
Na vida real,
o tempo é remédio.
Revela verdade e mentira.
Quem saiu perdendo,
não se desespere,
nem se entregue à ira.
Levante o queixo,
estufe o peito,
pois o mundo gira.
Com alto astral
e fé em Deus,
o jogo vira.
Kelver Orozimbo
A Rua Não é Garagem
A primeira lata não fez barulho.
Foi colocada com cuidado, quase com carinho — como quem demarca território sem querer parecer invasor. Um gesto particular, silencioso, que dizia: “aqui é meu.” Não havia placa, não havia autorização. Apenas a convicção íntima de que a rua, por um instante, poderia ser privatizada.
E ninguém disse nada.
A segunda lata já veio com mais segurança. A terceira, com naturalidade. Logo, o espaço público ganhou dono — não por lei, mas por hábito. Um hábito perigoso: o de transformar o coletivo em extensão da própria casa.
Ali, naquele pedaço de asfalto, a cidade começou a encolher.
Porque toda vez que alguém ocupa o que é de todos como se fosse só seu, algo maior se perde. Não é apenas uma vaga. É o princípio. É a regra. É o pacto invisível que sustenta a convivência.
E então surge a pergunta inevitável:
e se todos resolvessem fazer o mesmo?
Se cada morador colocasse suas latas, seus cones, seus objetos — defendendo seu “direito” particular — não teríamos mais ruas. Teríamos um mosaico de pequenas propriedades ilegais, uma cidade fragmentada, onde o espaço comum desaparece sob o peso do ego.
A lata, nesse caso, deixa de ser objeto. Vira símbolo.
Símbolo de um abuso pequeno, mas revelador.
Símbolo de uma lógica perigosa: se ninguém impede, então pode.
E é aqui que o silêncio mais pesa.
Porque se há quem avance indevidamente, há também quem deveria conter. A fiscalização não é um detalhe burocrático — é a linha que separa o uso legítimo do abuso cotidiano. Quando ela falha, não apenas permite: ensina.
Ensina que a regra é flexível.
Ensina que o espaço público é negociável.
Ensina que cada um pode criar sua própria lei.
E a cidade paga o preço.
A ausência da Prefeitura — da secretaria responsável, da presença institucional — não é neutra. Ela participa. Ainda que pela omissão. Ainda que pelo atraso. Ainda que pelo costume de não ver o que está diante dos olhos.
Porque a desordem não nasce grande.
Ela começa assim:
com uma lata.
Uma lata que ninguém recolheu.
Uma lata que ninguém questionou.
Uma lata que virou precedente.
E quando o precedente se espalha, já não é mais sobre um morador.
É sobre todos.
A rua, que deveria ser passagem, vira disputa.
O direito, que deveria ser comum, vira privilégio improvisado.
E a cidade — ah, a cidade — vai sendo tomada não por grandes crimes, mas por pequenas permissões.
No fim, aquela lata solitária não guardava apenas uma vaga.
Guardava uma pergunta que insiste:
de quem é a rua, afinal?
Maxileandro Lima
Você sabe o que é Heteroliderança?
Se o Heteroconhecimento é a capacidade de ler o outro.....
.....a Heteroliderança é a ação de liderar a partir dessa leitura!
