Coleção pessoal de testeteste123
Do currículo
Na semana passada li uma postagem no LinkedIn de um 'linkediner' – acho que é assim que a gente chama quem faz parte do LinkedIn ;) – sobre sua experiência em uma seleção para um determinado cargo...
O autor do texto fez tudo conforme manda o figurino no que diz respeito ao comportamento de alguém que foi chamado para uma entrevista: confirmou horário, chegou com antecedência, esperou o tempo necessário para ser chamado, respondeu às perguntas da pessoa que o entrevistou... e sentiu-se confiante quanto ao resultado: tudo parecia ter se encaixado muito bem... até que ouviu algo mais ou menos assim: 'nossa empresa precisa de alguém menos gabaritado neste momento'... chuáááá´– não foi um copo de água fria... foi um barril de água fria... imagino eu, que caiu na cabeça dele.
O texto do candidato não aceito por ser gabaritado demais inicia com o seguinte questionamento: 'o que está acontecendo com os profissionais de Recrutamento e Seleção?'
Não sou da área, há tempos não passo por nenhuma seleção... então não tenho nenhuma experiência pessoal atual pra contar... mas vou escrever aqui o que uma amiga minha comentou outro dia a respeito do assunto.
No local onde ela trabalha havia uma vaga X... ela foi à sala do responsável pela seleção de pessoas com uma pilha de currículos... a pessoa escolheu um ao acaso e disse: 'chama este!'... disse o responsável; questionou ela: 'ué, mas você nem leu!!!'...
"não quero ninguém sem sorte trabalhando aqui'.... foi a resposta que ela recebeu.
Ser inteligente não é construir e consumir as ideias certas, mas sim respeitar e refletir sobre as influências.
Ao abandonar o que é errado, você abre espaço para que o melhor do destino flua através das suas mãos.
Quando fico no teu abraço quentinho não penso em mais nada além de você cada dia que passa teu sorriso tão lindo que me apaixono cada dia mais.
Não existe atalho para a grandeza; a nobreza é construída passo a passo, na constância do dever cumprido.
O valor de um homem é medido pelo que ele faz quando ninguém está olhando, guiado apenas pelos seus princípios.
SOMBRA FERIDA NO OSTRACISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No meu porão não há arco-íris, há neblina e luto
um veludo de pó que emoldura o corte do absoluto.
As paredes, urnas frias, suspiram úmidos segredos,
onde a luz morreu em filas, sepultada entre medos.
Há um perfume de velório, metálico e ancestral,
cheiro de livros podres, de promessas em funeral.
As tábuas gemem documentos de infância em decomposição,
e eu, órfão de auroras, escuto o peito em erupção.
Os vermes fazem coro num idioma de sal,
recitam o credo antigo da desordem e do mal.
Não vêm risos prometidos das pontes do horizonte,
só ecos de um requiem que secos meus ossos aponte.
A túnica do sonho jaz rasgada, sem bordado,
e a esperança, cadáver, exala ar frio e embargado.
Vejo, entre teias grossas, um retrato de saudade,
o olhar do tempo fechado numa urna de verdade.
Quem trouxe velas aqui? Quem desabou essa cal?
E somente o vento com fome, sussurra: _ o funeral.
Não há prisma que ministre cores à noite do abandono,
apenas o vinho azedo do remorso e do engano.
As rimas que eu buscava, como penas, se desfazem,
perdidas nas catacumbas onde as vontades jazem.
E o coração, esse pássaro morto, pesa como um sino
que bate sem crença, anunciando o próprio destino.
Aqui as estrelas não descem; apenas descem os lamentos
de uma geometria morta, sem mapas nem alentos.
Trazem-me vozes em latim as lembranças desbotadas,
orações incompletas por almas já extraviadas.
E eu, médico das sombras, abro o livro da ruína,
escrevo nela com lágrimas a página da ladainha.
Não espero salvação que salvação há no pó?
A salvação é miragem, e o porão é o seu nó.
Se há amor, é funesto; se há fé, é contrição;
se há cor, é somente a púrpura da minha instrução.
Por fim, deixo aos ratos as medalhas do desvelo
e à penumbra consagro este pobre desassossego.
No meu porão não há arco-íris, há silêncio e ossos
e a voz do tempo que bebeu todos os nossos esforços.
E se acaso amanhã algum raio ousar romper o chão,
ele morrerá engasgado na cova da razão.
Assim reclamo meu tribunal de sombras e lutos,
onde escrevo, com sangue frio, os versos absolutos.
Que fique a certidão: no fundo desta invenção,
não há arco-íris só a eterna, sublime condenação.
