Coleção pessoal de pensador

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⁠Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.

⁠Não há silêncio bastante
Para o meu silêncio.
Nas prisões e nos conventos
Nas igrejas e na noite
Não há silêncio bastante
Para o meu silêncio.

Os amantes no quarto.
Os ratos no muro.
A menina
Nos longos corredores do colégio.
Todos os cães perdidos
Pelos quais tenho sofrido
Quero que saibam:
O meu silêncio é maior
Que toda solidão
E que todo silêncio.

⁠Só não existe amargura
onde não existe o ser.

⁠Meu amigo Zé Fulô,
Não siga por esta tria,
Você ainda confia
Em premeça de dotô?
Aquilo que ele falou
É somente imbromação.
Quando é tempo de inleição
Esse home se prepara
Trazendo um santo na cara
E o diabo no coração.

⁠Sempre prezei minha independência e minha liberdade. Liberdade de pensar por minha cabeça, dizer não ao que acho errado, aplaudir o que acho certo.

⁠Muitas vezes o trabalho me absorve tanto que eu acho que continuarei sempre ­abstraído demais e desajeitado para me virar também com o resto da vida.

⁠Invejo aos japoneses a extrema nitidez que têm todas suas coisas. Elas nunca são aborrecidas e nunca parecem ter sido feitas às pressas. Seu trabalho é tão simples ­quanto respirar e fazem uma figura com alguns traços firmes com a mesma facilidade com que abotoam uma camisa.

⁠Temos o direito de desejar um estado de coisas em que o dinheiro não fosse neces­sário para viver.

⁠As necessidades da pintura são como as de uma amante ruinosa, não se consegue fazer nada sem dinhei­ro, e nunca se tem o suficiente.

⁠Só me resta a escolha entre ser um bom pintor ou um mau pintor. Escolhi a primeira alternativa.

⁠A literatura nos permite entrar nas profundezas de outro ser humano.

⁠A gente serve pra dar esperança, pra deixar legado, pra não deixar ninguém tocar no que é nosso. A gente serve pra explicar que isso aqui é pra quem tem a nobreza de reconhecer que nada nem ninguém é o mesmo de antigamente. Mas que esse sentimento é o mesmo pra sempre. E isso, pro nosso povo, é o que serve.

⁠Avisa lá que o nosso povo ri a hora que pode, brinca a hora que dá e serve a hora que precisa.

⁠A gente infelizmente vira e mexe parece um povo meio remendado, só porque um pensa “a” e o outro pensa “z”. Mas quando precisa mostrar pro mundo que Brasil é com S, a gente se une.

⁠Avisa que a gente é um povo que muitas vezes enfrenta e perde, sim. Que sofre. Um povo que, mesmo com muito trabalho, leva. E por isso reclama, cobra, claro. Mas quando ouve alguém falando da gente…

⁠A vida é pouco a pouco. Hoje dou meio passo, depois de amanhã dou mais meio passo. Que impaciência. Querer engolir a vida de um só trago e depois talvez algo como morrer. Mas meu próprio sangue é lento.

⁠A atenção é o vetor que corre por toda a vida humana. A gente tem que voltar o foco para as partes de nossas vidas que são boas, porque a gente tá perdendo isso quando a gente perde um dia inteiro nas redes sociais.

⁠A atenção é a matéria da experiência de ser humano, e isso vale ser protegido.

⁠Nossa atenção tem sido explorada por uma indústria muito poderosa, de uma sofisticação tecnológica sem precedentes na história humana.

⁠Estamos num momento em que a gente precisa prestar atenção à nossa atenção.