Coleção pessoal de pensador
Seu instrumento é como o seu lápis. Com o lápis, o artista desenha algo. E esse é o meu lápis. Esse instrumento. É a minha alma saindo.
Existe de fato um mundo objetivo quando não há ninguém olhando, ou ele vem a existir apenas quando alguém o está observando – ou seja, apenas quando alguém está “logado”?
Um dos aspectos mais famosos e perturbadores da física quântica é que podemos não estar vivendo num universo físico, no final das contas, mas sim num universo de probabilidades.
Será que em algum momento seremos capazes de um jogo com uma resolução tão alta que ele se tornará indistinguível da realidade? E, caso isso ocorra, poderíamos nós já estar dentro de um videogame assim?
O que acontecia quando ninguém estava jogando o videogame? Será que os personagens e edifícios ainda existiam, ou será que simplesmente deixavam de existir?
Se eu realmente fosse um excelente manipulador, eu não jogaria sozinho, né? Todo mundo estaria fazendo tudo o que eu quero.
A gente age aqui dentro com as nossas vivências e experiências lá de fora. Não tem como a gente agir com algo que a gente não tem dentro da gente. Ou com algo que a gente não viveu.
Quando a gente sai da nossa essência, quando a gente sai do nosso eu, de quem a gente gostaria de ser ou de quem a gente é, a gente não tem como ficar feliz. Porque a gente se perde.
Um dia, quando esse mundo chegar ao fim e a Terra deixar de existir, talvez possamos novamente fazer parte de um enorme vórtice. E então, nós vamos nos encontrar de novo.
Esse é um coração humano. É um coração que sente solidão. Um coração que pode sentir amor por alguém.
Ela estava feliz só por estar lá. Ela adorava aqueles dias mais do que tudo. Mais até do que a própria vida.
Eu não sou a pessoa que eu achava que eu era. Depois que você chegou aqui, eu consegui ser eu mesmo pela primeira vez. E tudo isso por sua causa.
Sempre achei que tinha barulho demais na cidade e isso me assustava. Eu nunca entendi como as pessoas aguentavam.
Há cinco anos, choveram bolhas no mundo todo. As bolhas tinham poderes misteriosos e causaram um pandemônio.
A SEMENTE
Certa vez, quando eu passava por um momento muito difícil, sonhei que seria operado do coração. Angustiado, eu pensava que não sobreviveria à operação. Não sei como fui parar ali, por quais caminhos andei ou fui levado. Sabia apenas que haveria uma operação e eu era o paciente a ser operado.
De repente, adentra a sala de cirurgia o cirurgião. Ao vê-lo, meu medo desaparece, cheguei até a sorrir... Pois o médico que me operaria era nada mais nada menos do que o poeta Fernando Pessoa!
No princípio, achei estranho. Mas depois entendi que fazia sentido ser um poeta o cirurgião de um coração angustiado.
Sem demora, o cirurgião-poeta abriu meu peito, mas não com bisturi: não sangrou, nem houve dor. Ele enfiou uma das mãos, porém não foi suficiente. Somente as duas mãos do poeta conseguiram tirar meu coração do peito.
"Seu coração está pesado como um paralelepípedo! Preciso extrair o que lhe pesa", diagnosticou o cirurgião-poeta. “O que lhe pesa não é coisa física, o que lhe pesa é a mágoa com o passado, a decepção com o presente, o medo do futuro e a descrença nos homens”, disse-me ele enquanto extraía tudo isso.
Quando olhei para a mão do poeta, meu coração estava minúsculo, parecendo uma semente salva de um fruto que perecia. Indaguei: “poeta, com esse coração pequenino como vou sobreviver!?”
O cirurgião-poeta então respondeu, terminando sua arte, sua “clínica”: “Ele está assim pequeno porque deixei apenas o coração da criança.”
Após ouvir isso despertei, e não apenas daquele sonho. Ainda deitado, olhei para a janela: já amanhecia. Queria registrar o sonho e me virei para procurar caneta e papel. Então, algo que estava sobre meu peito caiu ao meu lado na cama, era um livro que adormeci lendo: “O Eu Profundo e os outros Eus”, de Fernando Pessoa.
"As terapias verbais me terapeutam." (Manoel de Barros)
Às vezes, contando essas histórias do passado, os olhos dela ficavam molhados por causa das lembranças todas. Mas não eram lágrimas. Ela não estava chorando. Aquilo eram só as recordações transbordando.
Um ser-tempo é alguém que existe no tempo, e isso quer dizer você, e eu, e todos nós que estamos aqui, ou já estivemos, ou que um dia estarão.
