Coleção pessoal de pensador
Você não pode sempre se afastar das coisas que a machucam. Todos nós gostaríamos de poder, mas não podemos. Viver é se machucar.
Rumo
Às vezes ergo os olhos, interrogo
o seco céu sem urubu, sem nódoa
de nuvem: Deus,
que queres?
Que eu me atropele
com minha própria sombra, que embranqueça
meu dorso e voe?
Notícia
A nuvens trouxeram-me notícias
do céu...
As aves disseram-me como iam
as montanhas...
Coisas estranhas
começaram a dar-se então
com minha alma...
Em maio
Já não há mais razão para chamar as lembranças
e mostrá-las ao povo em maio.
Em maio sopram ventos desatados
por mãos de mando, turvam o sentido
do que sonhamos.
Em maio uma tal senhora Liberdade se alvoroça
e desce às praças das bocas entreabertas
e começa:
"Outrora, nas senzalas, os senhores..."
Mas a Liberdade que desce à praça
nos meados de maio,
pedindo rumores,
é uma senhora esquálida, seca, desvalida,
e nada sabe de nossa vida.
A Liberdade que sei é uma menina sem jeito,
vem montada no ombro dos moleques
ou se esconde
no peito, em fogo, dos que jamais irão
à praça.
Na praça estão os fracos, os velhos, os decadentes
e seu grito: "Ó bendita Liberdade!"
E ela sorri e se orgulha, de verdade,
do muito que tem feito!
Meu grito
Meu grito é estertor de um rio convulso…
Do Nilo, ah, do Nilo é o meu grito…
E o que me dói é fruto das raízes,
ai, cruas cicatrizes!,
das bruscas florestas da terra africana!
Meu grito é um espasmo que me esmaga,
há um punhal vibrando em mim, rasgando
meu pobre coração que hesita
entre erguer ou calar a voz aflita:
Ó Africa! Ó África!
Meu grito é sem cor, é um grito seco,
é verdadeiro e triste…
Meu deus, porque é que existo sem mensagem,
a não ser essa voz que me constrange,
sem ecos, sem lineios, desabrida?
Senhor! Jesus! Cristo!
Por que é que grito?
Escolha
Eu tenho a alma voando
no encalço de uma ave cega:
se escolho rumo do escuro
me apoio à sombra do muro
pousado na minha testa.
Se elejo o rumo da alvura
falseio os passos da vida
e me descubro gritando
um grito que não é meu.
Que faço das mãos cobertas
de um sol doído só de África?
E do tantã nestas veias,
turbando o ritmo ao sangue?
Na face o dia não pousa
o seu cesto de alegria
e a manhã precipita
ventos e noites amargas.
Eu não vou esperar para amar o melhor que posso. Achávamos que éramos jovens e que haveria tempo para amar bem em algum momento no futuro. Essa é uma maneira terrível de pensar. Não é forma de viver, esperar para amar.
Não somos feitos para saber tudo. Alguma vez você já pensou que nossa mente foi sutilmente calibrada entre o conhecido e o desconhecido? Que nossas almas precisam dos mistérios da noite e da claridade do dia?
Num momento de repentina lucidez, ocorreu a ela que o que sempre havia provocado sua ansiedade, ou estresse, ou preocupação, não era alguma força isolada, nada de independente e exterior – não era o perigo a que ela mesma estava sujeita nem a constante calamidade que rondava outras pessoas e os problemas dela. Era algo interno: era subjetivo: era não saber. (…) Se ela soubesse, haveria calma.
É melhor se decidir, o que cê vai querer?
Se for joguinho, você vai jogar sozinho
E depois cê vai sofrer, o que cê vai perder
Alô, mozão, tô esperando você me ligar
Pra falar que me ama e que quer me namorar
Sei que não é bem assim
Tô viajando, mas te quero bem pertin
Eu vou viver
Pra ver o mar
Como se fosse a primeira vez
Ter gratidão por ser exatamente
Como Deus me fez
E num abraço me abrigar
Pra me sentir seguro
