Coleção pessoal de pensador

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⁠Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: – ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

⁠O homem precisa de utopias, e direi mesmo: – são umas quatro ou cinco utopias que ainda nos salvam.

⁠Ou o sujeito é crítico ou é inteligente.

⁠Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: – “Sou um ex-covarde”. É maravilhoso dizer tudo.

⁠O carioca é um ser encantado. No Rio, dois sujeitos que nunca se viram tornam-se como que súbitos amigos de infância e caem nos braços um do outro, aos soluços. E a única cidade em que pode nascer, entre dois desconhecidos, uma intimidade fulminante.

⁠Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.

⁠A burrice é a pior forma de loucura.

⁠O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro.

⁠Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

⁠Se a vida não o faz sofrer, é preciso que o artista invente o próprio sofrimento.

⁠O brasileiro é o aniversariante nato. Nenhum outro povo faz anos com tão larga e cálida efusão. No Brasil, um aniversário jamais é intranscendente.

⁠Todos nós somos mais ou menos infelizes. As angústias estão crispadas dentro de nós como víboras.

⁠O amigo é um momento de eternidade.

⁠No dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar, cairá de quatro, para sempre. O mal de todos nós, a nossa crise, a nossa doença, é que admiramos pouco, admiramos de menos.

⁠A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.

⁠Não admito censura nem de Jesus Cristo.

⁠Eu acho que o que nos faz ler, gostar de livro, é o exemplo.

⁠A Preta Gil envelheceu, o que é muito natural. Não encaretei, ao contrário, tenho a mesma paixão pela vida. Encaretar é parar no tempo e neste sentido eu sou bem Raul Seixas: uma metamorfose ambulante.

⁠Ele [Gilberto Gil] sempre diz que está aqui hoje e que temos de viver o presente da melhor maneira. É o que procuro fazer.

⁠Morrer não tem a ver com ficar velho. Mas, sim, deixar de existir, o que pode acontecer com qualquer pessoa.