Coleção pessoal de pensador
A coisa mais louvável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar, de mãos dadas, até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás.
Isso não é bom nem ruim. É apenas um erro. É como se um programa de computador continuasse travando, sabe? É só um sintoma de um erro no código. Se as mortes somos nós travando, então esse momento é o erro que precisamos consertar.
Ter duas ideias incompatíveis na sua cabeça ao mesmo tempo e aceitar ambas - isso é o melhor de ser humano. Sim, não, bom, mal, vida, morte.
A diversão é para idiotas. Há dois minutos, eu fiz trinta e seis anos. Encarar a minha própria mortalidade sempre estraga a diversão.
Ele foi um péssimo pai e um marido ainda pior. Mas sua maior culpa foi a de se importar tanto pelo mundo a ponto de sacrificar suas relações pessoais. Infelizmente, ele nunca nos perguntou como nos sentíamos a respeito.
Escrevi uma nova composição. A Suíte do Apocalipse. O trabalho da minha vida. Duas partes de Fausto, três partes de La Bohème e uma pitada de Messias, e um pouquinho da minha própria cantata. A exata combinação, se executada no tom correto, com a dinâmica perfeita, destruirá o mundo.
Eu estava livre. Não havia ninguém pra te dizer o que fazer. Ninguém pra te fazer se sentir inferior. Ninguém pra te obrigar a usar uma máscara. É claro que, finalmente, me dei conta de que isso é péssimo.
Papai sempre me avisou pra não ir muito longe no futuro porque ele me disse que eu podia nunca mais voltar. E embora eu o odiasse e tentasse provar que ele estava errado, eu sabia que não devia ter fugido de casa. Porque o que encontrei não era um lugar onde eu pudesse me esconder. O que encontrei foi o fim do mundo.
– Por que não posso brincar com os outros?
– Bem, Número Sete, você não tem nada de especial.
– Oh! Cadê o Número Cinco? Não o vejo lá embaixo...
– No futuro, eu presumo. Fugindo de casa, sem dúvida. Não sei ao certo, nem isso me interessa. Por que você não vai tocar seu violino?
– É a sua Torre Eiffel. Ela enlouqueceu e precisa ser detida a qualquer custo.
– O quê? Vocês, crianças, é que estão loucas.
– Permita-me apresentar minha subordinada, Número Três.
– Cidadãos de Paris, ouvi dizer que o Museu D’Orsay está dando de presente suas melhores telas. E também estão servindo crepes.
É preciso mudar
Caminhe por outra rua
Mude os móveis de lugar
Use aquela roupa velha
Na pressa, pode esperar.
Corte, pinte seu cabelo
Sem seguir nenhum modelo
Pois é preciso mudar.
Pinte a parede da sala
Sem medo de se sujar
Devore a lasanha, a coxinha
Sem culpa por engordar.
Frequente novos lugares
E respire novos ares
Pois é preciso mudar.
Escreva uma carta à mão
E esqueça o celular
Visite alguém que faz tempo
Que não vem lhe visitar.
Fale mais, digite menos
Construa em novos terrenos
Pois é preciso mudar.
Aprenda uma nova língua
Talvez volte a estudar
Tome mais banhos de chuva
Deixe a vida lhe banhar.
Pule muros e barreiras
Crie novas brincadeiras
Pois é preciso mudar.
Há mudança até na dor
Basta a gente observar
Deixar a casa dos pais
Mesmo querendo ficar.
Ver amigos indo embora
Sentir a dor de quem chora
Sofrer também é mudar.
Perder aquele emprego
Não ter grana pra gastar
Estudar pra um concurso
E mesmo assim, não passar.
Ser largado, ser traído
Se sentir meio perdido
Sofrer também é mudar.
O vento que às vezes leva
É o mesmo vento que traz
Leva o velho e traz o novo
Se renova, se refaz.
Transforma agito em sossego
Desconforto em aconchego
Faz a guerra virar paz.
A vida, o mundo e o tempo
Nos mudam desde criança
Modificam nossos sonhos
Renovam nossa esperança.
E a mudança mais feroz
Fazendo tudo de nós
Um dia virar lembrança.
O tempo é um piloto louco
Que gosta de acelerar
Não vê placas nem sinais
E sempre vai avançar.
Modificando o sentido
Faz “viver” virar “vivido”
Basta um segundo passar.
Pra mudar basta existir
Ninguém pode controlar
Pois tudo que é vivo muda
Viver é se transformar.
Viver é evoluir
E ao deixar de existir
Até morrer é mudar.
Só eu sei cada passo por mim dado
nessa estrada esburacada que é a vida,
passei coisas que até mesmo Deus duvida,
fiquei triste, capiongo, aperreado,
porém, nunca me senti desmotivado,
me agarrava sempre numa mão amiga,
e de forças minha alma era munida,
pois do céu a voz de Deus dizia assim:
– Suba os queixo, meta os pés, confie em mim,
vá pra luta que eu cuido das feridas.
É lógico que qualquer pessoa que aprenda a viver bem irá morrer bem. As habilidades são as mesmas: estar presente no momento, ser humilde e corajoso, manter o senso de humor.
Porque eu ficava mais vezes feliz pelas outras pessoas, passava mais tempo sendo feliz. E como eu via mais luz em todo mundo, eu parecia ter mais luz também.
Em termos de dias e momentos vividos, você nunca mais será tão jovem como é agora, então aproveite este dia, a juventude do seu futuro, de uma maneira que afaste o arrependimento. Invista em você mesmo. Se divirta. Faça algo importante. Ame muito alguém. Em certo sentido, você é apenas uma criança, mas uma criança com anos suficientes para saber que todos os dias são preciosos.
