Coleção pessoal de pensador

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Você sabe como os diamantes e todos os cristais crescem? Adicionando camadas microscópicas, alguns milhares de átomos mês após mês, uma em cima da outra. Milênios após milênios. É assim que as histórias se acumulam também.

É certo fazer algo apenas porque todas as outras pessoas estão fazendo?

Veja os obstáculos como oportunidades. Veja os obstáculos como inspirações.

Não quero ser encontrado, encontro quem eu quero.

Escrevo, relato minha indignação, meu medo, meu protesto, porque essa é a minha luta.

A idade traz uma certeza: nosso tempo vai diminuindo. Então, temos de correr? Eu, ao contrário, hoje não corro mais, descobri a calma. Sei que não tenho muito tempo pela frente (sou realista), mas ainda tenho projetos, sonhos, ideias, planos.

Certas situações confortáveis são desconfortáveis, e sendo o mundo literário de momentos de inclusão e exclusão, o jeito é ficar alerta. E isso significa o quê? Trabalhar.

O assunto do escritor é o homem, a sua condição, a sua loucura e irracionalidade.

Sempre gritei: abra vida, abra e me deixe entrar.

Poder largar tudo a qualquer hora e fugir. Desde moço tenho esta necessidade. Estar pronto para partir. Não querer nunca o mesmo lugar, renovar-se incessantemente. Escapar de tudo, desprender-se, me atirar. Para longe, encontrar um lugar onde ninguém me encontrasse.

Fomos nos habituando, de tal modo que passamos a pactuar com a tragédia, aceitando-a como cotidiano. Me espanta essa capacidade de acomodação da mentalidade, sua adaptação ao horror. Acredito que a gente possua um componente de perversidade que nos leva a encarar como normal esse pavor, a desejá-lo, às vezes, desde que não nos toque.

Nada pior que a memória do gesto não realizado.

Um professor em quem alunos confiam é muito mais que um pai.

Nestes últimos anos, saltamos rapidamente de um ciclo para outro. Mal nos acostumamos a um, precisamos mudar. Incessantemente.

Os gestos decisivos faltaram em bons momentos de nossa história.

Os livros seriam uma (tênue) possibilidade de não morrermos. Mas podemos desaparecer e voltar, sofrermos um revival. (...) Este ofício é complicado, mas temos de exercê-lo com sinceridade, fogo e lança na mão.

Sempre me pergunto: será que é preciso inovar sempre, sempre? Não se pode escrever um livro, pintar um quadro, fazer um filme? Simplesmente. Muitas vezes estamos inovando sem saber, fazendo uma coisa que é necessária e vem do fundo. E há tanta inovação falsa, para chocar, chamar a atenção.

Nunca sei se a situação será conto ou romance. Sei quando é crônica.

O meu “problema” talvez seja a compulsão. Escrevo, tenho de escrever, é o que me dá vida. Talvez eu não seja um grande escritor. Mas sou um escritor.

Um ator tem três vidas. A real, a dos personagens, e a vivida, para representar diante do público e da imprensa o papel de celebridade.