Coleção pessoal de pensador

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– Por que não escreve sobre sua deficiência?
– Não. Escrever sobre a paralisia cerebral (PC)? Você não entende. A PC sempre foi
o prato principal na minha vida e era pra ser só o aperitivo. Ou melhor, tinha que ser retirada do cardápio.
– Sua deficiência é parte de você. É o que te torna...
– Especial.

Mãe, eu preciso me desafiar. Ser uma mulher independente. Imagina se o carro tivesse me matado. (...) Quero dizer que meu obituário teria sido um tédio!

Escuta, escrever coisas pessoais é assustador, mas pode ser cicatrizante. Você toma posse daquilo, e ninguém pode tirar de você.

– Certo, pessoal, prestem atenção e morram de inveja da Kim. As publicações dela têm mais sucesso. Por quê?
– Porque sou fodona, talentosa e mudei a forma como falamos dos nossos corpos. Não esquece, meu bem.

Estou no limbo. Tipo… Não sou fisicamente apto para o mundo normal, mas não sou deficiente o bastante pra ser da nata da fisioterapia.

É sobre ser selvagem, ter coragem e não
Guardar rancor

É só ver a verdade e acreditar
No infinito amor

É como entrar em meio ao fogo só pra derreter
Se entregar sem querer

O medo me castra e arrasta tudo que eu senti
E eu nunca percebo

Um monstro me abraça, espaço, asas
Vou subir
Pra não ser eu mesmo

O meu temor não são mil demônios
Mas lembrar de ti

Fugir de onde os outros sempre vão
Pois o que li nos livros ou na mão
Não pode ser em vão

Vou viver o hoje amor
Contigo ou sem
Esquecer de toda dor
Que a vida tem

E eu desconfio dos hábitos
E eu boto fé no viver ávido

Ame e deixe os outros
Pois bando de bicho solto
É bem melhor

Uma ironia de morar no centro é
Caminhar até a liberdade
Eu moro bem no meio sem olhar pra dentro
E sonho acordado na cidade

Não sou pedra mas posso endurecer.

Trago na aba da minha saia
Costurada em zigue-zague
Café preto e um cigarro
Seu canto e gargalhada
Ecoando pela casa
O tempo é sua morada

Não levo dor e nem tristeza
Ponho as cartas sobre a mesa
E a ferida cicatriza
Toda pena um dia passa
E o amor vira certeza

Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima

Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar

Um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

Você é o fósforo e eu sou o pavio
Você é um torpedo e eu sou um navio
Você é o trem e eu sou o trilho
Eu sou o dedo e você é o meu gatilho

O nosso jogo é perigoso, menina
Nós somos fogo e gasolina