Coleção pessoal de pensador
Um momento de reflexão: Dê-se por satisfeito, aprenda (aos quarenta anos, aprenda) a ter paz no momento (sim, no passado você conseguia). Sim, no momento, no momento terrível. Ele não é terrível, é apenas o medo do futuro que o faz assim.
A felicidade não é, pois, a coragem, e sim o destemor, sereno, de olhar franco, capaz de suportar tudo.
Estar sozinho é algo que tem um poder sobre mim que nunca falha. Meu íntimo se solta (superficialmente, por enquanto) e se revela disposto a deixar emergir coisas mais profundas.
Criamos personagens para nós desde bebezinhos. Mas nós não somos nenhum deles. Não há um personagem fixo e permanente. Cada experiência que passamos nos modifica. Não há nada fixo. Tudo é impermanente.
Somos a teia da vida. Somos a vida da Terra, interconectados, interligados com tudo o que existe. Somos um único corpo.
Tudo o que fazemos, falamos e pensamos mexe com a trama da existência.
Se não formos capazes de apreciar este instante, não seremos capazes de apreciar nenhum outro momento.
Somos todos sobreviventes de dinossauros e catástrofes, de guerras e extermínios. E sempre haverá quem sobreviva a todos nós.
Que corrijam nossas faltas e erros, que não os repitam e deem vida à sua própria vida.
Cada vez que percebemos nossos descuidos, erros, faltas, não podemos voltar e apagar o que aconteceu.
Mas podemos nos comprometer a não repetir o erro.
Há tantas possibilidades de ser feliz.
Há tantos instantes de bem-estar: encontrar uma rua, uma pessoa, descobrir ensinamentos, conhecer a si mesmo.
Talvez este último seja o verdadeiro estado de satisfação, esta a maior alegria – o autoconhecimento.
Podemos fazer de nossa vida uma semente de ternura, de inclusão, de cuidado e sabedoria, de compaixão e gratidão, e não de maldade, do fel amargo da inveja, do rancor, do ódio e terror.
É hora de despertar. Já não estamos mais no casulo que foi tão importante para nos gestar. Podemos abrir as asas e voar, livres e interdependentes, sendo o ar e a vida.
Já não sou quem fui há um instante. Li um livro, ouvi um pensamento diferente dos meus e morri para quem eu era. Renasci para um novo eu, que também não dura mais do que alguns milionésimos de segundo. Logo já sou outra, e nunca a mesma.
Estamos sempre nos despedindo de nós mesmos. Sem medo e sem pressa. Apenas indo. Chegamos e continuamos a ir.
Não faça o mal e não faça malfeito. Faça o bem, e a todos os seres, incluindo tudo e todos em suas ações, palavras e pensamentos.
Envelhecer não é apenas tempo de se lamentar, de relembrar, mas também de criar causas e condições para atingir o que ainda não foi atingido, individual e coletivamente.
