Coleção pessoal de pensador
No mundo real, nenhum beijo poderia transformar uma solteirona convicta em uma menina de olhos sonhadores.
De fato é ótimo ter um vocabulário amplo. Mas, no futuro, recomendo que exercite um pouquinho de sua razão, uma lasca mínima, antes de exercitar a língua. Você consegue fazer isso, não é? Porque outro sujeito, veja bem, poderia receber suas adoráveis ousadias e provocações como um desafio divertido.
– Ninguém enxerga o demônio que você é. Eu enxergo.
– Acho que é preciso ser um para reconhecer outro.
– O que eu fiz de tão imperdoável?
– Você me fez desejá-la. Você fez com que eu me sentisse solitário, apaixonado. Você me fez desejar o que eu jurei que nunca precisaria, que nunca procuraria.
Posso parecer uma solteirona insignificante, mas garanto que poucos pensam como você. Não me casei por opção, pois não me faltavam ofertas.
O senhor, entre todos os homens, sabe que a sedução é uma arte e que alguns de seus praticantes são mais talentosos que outros.
As mulheres estão sempre pensando, e se você não quiser ser manipulado o tempo todo, recomendo que exercite seu cérebro obtuso e lento para compreender o da sua esposa.
As regras são tão diferentes para homens e mulheres. Por que tem que importar para o mundo com quem sou vista? Por que deve importar o fato de eu ter um encontro particular com um homem? Não devia ser da conta de ninguém. Devia ser apenas isto: particular.
Minha reputação está arruinada porque eu sou uma mulher, e nós, mulheres, não nos pertencemos. Nós pertencemos ao mundo. Nosso corpo, nossa mente.
– Eu não pedi para ser salva, lorde Nicholas – retrucou ela, o tom de voz subindo.
– É, bem, considerando que eu salvei a sua vida duas vezes nesses dois dias desde que a conheci, devo sugerir que peça da próxima vez.
Felicidade! É esse o cheiro dos livros! Felicidade. Por isso que eu sempre quis ter uma livraria. Existe vida melhor do que vender felicidade?
– Eu caso, eu escolho você.
– Quando?
– Agora. Amanhã. Semana que vem. Para sempre.
– Para sempre, eu escolho para sempre.
Não existe, afinal, encarada mais óbvia do que a que evita seu objeto. Isso é verdade comprovada, em especial, quando os objetos em questão são tão difíceis de ignorar.
Aprenda, quando você for vencida, a limitar suas perdas. Aperte a mão do adversário. E volte outro dia para destruí-lo.
Tentei esquecer aquele beijo e o passeio de carruagem e o clube de esgrima, mas a senhorita parece ter se instalado na minha memória.
O amor não é unilateral e egoísta. É pleno e generoso, e modifica a vida da melhor maneira possível. O amor não destrói. Ele cria.
E porque acreditava que, por debaixo da decepção e do medo, da raiva e do orgulho, talvez eu pudesse encontrar em meu coração a força pra perdoar.
Reflito sobre a tênue e frágil linha que nos separa da desventura, quase como uma forma de agradecer por não ter passado por isso, como uma proteção que evitasse que o mesmo acontecesse comigo.
