Coleção pessoal de pensador

37801 - 37820 do total de 52278 pensamentos na coleção de pensador

Depois de vagar pelo inferno, eu lhe entregarei o céu. Pode aceitá-lo?

Eu ansiava pela liberdade que tanto esperara. Ser livre do monstro. Ser livre dos segredos. Ser livre do medo de não ter nada.

Palavras e histórias eram ferramentas para suscitar as reações desejadas nas pessoas, e eu era uma artesã experiente.

É assim que o mundo funciona. Você pode tomar a ofensiva, pode enfrentar os cruzados nas terras deles, ou pode ficar em casa esperando que eles venham. E eles viriam. Viriam trazendo o fogo, a doença, o sangue e a morte com suas espadas. A fraqueza é uma isca irresistível.

Quando você tem uma coisa que todos querem, tem poder.

Um dragão não rastejava diante dos inimigos, implorando ajuda. Um dragão não receberia os infiéis em sua própria casa depois de jurar exterminá-los. Um dragão não fugiria de seus domínios no meio da noite como um criminoso qualquer. Um dragão queimaria tudo ao seu redor até que não restasse nada além de cinzas.

Aquele era seu povo. Seu país. O trono era seu. Ela não precisava de intrigas nem de planos elaborados. A Valáquia era sua mãe. Depois de tudo por que passara, de tudo o que fizera em sua busca pelo trono, só lhe restava uma coisa: ela mesma.

Os homens passavam por Lada como se ela não existisse, ou a encaravam de uma forma que era como se não conseguissem enxergá-la. Isso a fazia desejar ter uma arma na mão, uma coroa na cabeça em vez de uma trança, ou até uma barba no rosto. Qualquer coisa que os obrigasse a vê-la como era. Ou, talvez, quando a olhavam e não viam nada, eles já entendessem perfeitamente quem ela era.

A vida sem expectativas era fria e solitária.

Nosso clube do livro nas sextas à noite se tornou nosso refúgio. É uma liberdade particular perceber que o mundo se torna cada vez mais escuro à sua volta, mas que só é necessária uma vela para enxergarmos novos mundos se revelando. Foi isso que encontramos na nossa sociedade.

Quando meu filho morreu (...), as visitas vinham me dar pêsames e, achando que isso iria me consolar, diziam: “A vida continua.” Que bobagem, eu pensava, porque é claro que ela não continua. É a morte que continua (...). Não existe fim para isso mas, talvez, haja um fim para o sofrimento que isso causa.

Acho que tenho um pretendente, mas ainda não me acostumei direito com ele. É incrivelmente charmoso e me faz corte com refeições deliciosas, mas às vezes acho que prefiro pretendentes nos livros em vez daqueles de carne e osso.

Ler bons livros não permite que você goste de livros ruins.

Talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos. Se isso fosse verdade, seria encantador.

Falou de perda e exílio, de letras desterradas e do cordão umbilical da memória; esse que, apesar das montanhas e oceanos que acabam separando as almas dos sóis da infância, jamais se rompe.

Pela primeira vez na vida tive consciência de como são frágeis, na realidade, as coisas que julgamos permanentes, da facilidade com que o estável se racha e as realidades podem evaporar com um sopro de ar que entra pela janela.

Em meio à convulsão daqueles tempos, quando as disputas políticas faziam tremer as poltronas dos teatros e os governos duravam três pais-nossos, mal tivemos a oportunidade de chorar o que perdemos.

Como podíamos ser conscientes de que com aquele ato tão simples, com o mero feito de avançar dois ou três passos e transpassar um umbral, estávamos assinando a sentença de morte do nosso futuro em comum e torcendo as linhas do futuro de forma irremediável.

Mas ambas sabíamos que, às vezes, os limites das coisas são elásticos e imprecisos, que podem se mover, borrar ou diluir até desaparecer como tinta na água.

Um dos efeitos da paixão louca e obcecada é que anula os sentidos para perceber o que acontece à sua volta.