Coleção pessoal de pensador
Somos tão complexos que, às vezes, nem aqueles que convivem conosco são capazes de traduzir quem somos de verdade.
Será que nós acreditamos em nosso poder de criar nossa própria realidade? Será que ainda não percebemos que podemos fazer de nossa vida aquilo que bem entendermos, que temos a capacidade de reinventar nossa vida, de criar hábitos poderosos que se tornem parte de nossa existência e que constroem uma vida em que vamos adiante, ao invés de estacionar ao nos depararmos com os problemas?
Todos os dias, quando acordamos, não nos damos conta de que estamos caminhando em direção à morte – todo dia é um dia a menos, e o que nós fazemos sobre isso? Muitas vezes, empurramos com a barriga a oportunidade de dispor de 24 horas para agir.
A vida é um milagre divino; cheia de beleza e de caminhos tortuosos que nos levam a lugares incríveis. Infelizmente, aos poucos, perdemos a capacidade de despertar para essa beleza.
Jogar me fazia tirar o peso do mundo das costas e me despia das minhas mentiras.
Por mais contraditório que parecesse, ali, naquele computador, não havia máscaras.
Era apenas eu mesma.
Considerando toda a confusão em minha vida, os problemas financeiros e o relacionamento complicado dos meus pais, além do turbilhão de sentimentos dentro de mim, entrar num jogo em que eu podia ser quem eu quisesse, num mundo de fantasia, sem nenhuma dessas questões para me atormentar, era um enorme alívio.
Eu queria, sim, conhecer a Ayla – e como! Mas esse sonho era uma realidade tão distante que só conseguia enxergá-lo num universo paralelo.
Um em que eu não tivesse medo de ser quem eu sou.
Um em que o mundo me aceitasse.
Um em que a Ayla gostasse da Raíssa, não do Leo.
Talvez o motivo fosse justamente a nossa relação virtual: o Leo gostou de mim antes de conhecer minha aparência, e vice-versa. Num mundo onde a aparência parecia ser a primeira coisa que todo mundo reparava, conviver com ele era revigorante.
Não importa se as pessoas vão se decepcionar. Se você não for verdadeira consigo mesma, a vida perde o sentido.
Se esta opinião me converter em uma herege, não me importa. Não posso acreditar que Deus seja tão cruel.
Se você começar a doar partes de si mesmo, eventualmente você dará tudo. E quando você se perdeu, você não perdeu tudo?
Em criança tirei um pássaro de dentro de uma pequena gaiola. O pássaro não voou. Ficou ali andando aos círculos, aos círculos, aterrorizado com a largueza do mundo e a responsabilidade enorme de ter de sobreviver por si. Quando me libertaram eu senti-me assim. Vagueava pelas ruas sem rumo certo.
O amor? O amor é uma vertigem. Fechamos os olhos e quando os abrimos o nosso amor quer-nos matar. O amor está para o ódio como a flor para o fruto. Há amores que não frutificam, é verdade, são amores menores. O grande amor passa. Só o ódio fica.
Os bons escritores são aqueles que conseguem colocar os leitores na pele do outro. Creio ser essa a maior virtude da leitura.
Rimos porque, apesar das notícias dos jornais, estamos vivos. Continuamos vivos. Rimos porque respiramos. Rimos porque escutamos, no quarto ao lado, as gargalhadas dos nossos filhos. Rimos porque sabemos dançar. Rimos porque podemos dançar. Rimos porque a esperança se alimenta do riso. Rimos porque o riso é subversivo. Rimos porque o riso é revolucionário.
Rir é resistir.
Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.
