Coleção pessoal de pensador

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Deixar ir
Tenho a sensação de que é hora de deixar ir
Eu já tinha avisado
Eu sempre soube que isso estava fadado ao fracasso desde o início

As estações mudaram e nosso amor esfriou
Alimentamos a chama porque não conseguimos abrir mão disso
Fugimos, só que estamos correndo em círculos

Minha mãe descrevia suas reações muito melhor do que jamais conseguirei descrever as minhas: ela falou que estava “trovejando de surpresa” por seu menino ter retornado e que a alegria em seu coração era “profunda como o mar”.

Uma parte de mim já tinha aceitado isso. Aquele desespero incrédulo de voltar para casa, que eu sentia logo que me perdi – aquela sensação de que, se o mundo não voltasse aos eixos imediatamente, eu não conseguiria sobreviver, não conseguiria sequer existir –, já desaparecera havia tempo. O mundo agora era o que eu via ao meu redor, a situação em que me encontrava.

Eu havia aprendido rápido, por questão de sobrevivência, que precisava aproveitar as oportunidades à medida que elas surgissem – se surgissem – e olhar para a frente.

Parece que uma característica da nossa família é conter as emoções até acumularem tal pressão que não haja outra saída senão libertá-las.

Minha volta parecia inspirar e energizar a vizinhança, como se fosse um indício de que as vicissitudes nem sempre prevaleciam na vida. Às vezes, milagres acontecem.

Às vezes, é difícil não imaginar a atuação de forças que me fogem à compreensão. Ainda que eu não sinta nenhum impulso de converter isso em alguma crença religiosa, sinto com clareza que, de um menino perdido e sem família até um homem com duas, tudo estava fadado a acontecer exatamente como aconteceu. E esse pensamento gera em mim um profundo sentimento de humildade.

Os homens explicam coisas para mim, e para outras mulheres, quer saibam ou não do que estão falando. Alguns homens. Toda mulher sabe do que estou falando. São as ideias preconcebidas que tantas vezes dificultam as coisas para qualquer mulher, em qualquer área; que impedem as mulheres de falar e de serem ouvidas quando ousam falar; que esmagam as mulheres jovens e as reduzem ao silêncio, indicando, tal como ocorre com o assédio nas ruas, que esse mundo não pertence a elas.

Pense em quanto tempo e energia nós teríamos a mais para nos concentrarmos em outras coisas importantes se não estivéssemos tão ocupadas em apenas sobreviver.

A misoginia e a homofobia são, ambas, formas de odiar o que não é patriarcado.

O Silêncio foi o que permitiu que os poderes atacassem ao longo de décadas, sem impedimentos. É como se as vozes desses homens públicos importantes devorassem e aniquilassem as vozes dos outros, num canibalismo narrativo. Tiraram-lhes a voz para recusar e lhes infringiram histórias inacreditáveis. Inacreditável significa que os poderosos não queriam saber, ouvir, acreditar, não queriam que eles tivessem voz. As pessoas morriam por não serem ouvidas.

É claro que as mulheres são capazes de fazer todo tipo de coisas desagradáveis, e há crimes violentos cometidos por mulheres, mas a chamada guerra dos sexos é extremamente desequilibrada quando se trata da violência real.

A pandemia da violência sempre é explicada por qualquer motivo, menos o gênero do agressor – a explicação mais ampla de todas.

A violência não tem raça, nem classe, nem religião, nem nacionalidade; mas tem gênero.

Você está assistindo, eu sinto
Sei que eu não deveria olhar
Imagino suas mãos em mim
(Acho que quero deixar isso acontecer)
Mas e se você me beijar?
E se eu gostar?
E ninguém estiver olhando

Eu disse: Eu não vou perder o controle,
não quero que isso aconteça
Eu disse: Eu não vou chegar muito perto,
mas não consigo parar

Eu não ligo se você está aqui
Ou se não está sozinho
Eu não me importo, já passou muito tempo
É como se essa relação não tivesse acontecido
A maneira como seus lábios se movem
O jeito que você sussurra devagar
Eu não ligo, está tudo bem, passou

Você sabe o que aconteceu. A questão é: você consegue viver com isso?

Eu conheci bons criminosos e maus policiais, maus padres, ladrões honrados - você pode estar de um lado da lei ou do outro, mas se fizer um acordo com alguém, mantenha sua palavra.