Coleção pessoal de pensador
É pra amanhã
Bem podias viver hoje
Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
Ai, tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que está pra durar
Quando a cabeça não se liberta
Das frustrações, inibições
Toda essa força que te aperta
O corpo é que sofre
As privações, mutilações
Vem que o amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Por que não vamos unidos
Por que não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
– Estava pensando naquilo que você falou sobre o universo. Ir aonde o universo te levar? Gostei. É uma boa filosofia.
– Era uma metáfora. É uma péssima filosofia. Fui aonde o universo me levou a vida toda. É melhor tomar essas decisões sozinho.
(Diálogo entre Jane e Jesse)
Você tem muita sorte, sabia? Não precisou esperar a vida toda para fazer algo especial.
(Walter White)
– Ei, Skinny, por que está me ajudando?
– Cara, você é o meu herói.
(Diálogo entre Jesse e Skinny Pete)
– Se eu tivesse a sua idade, recomeçando… [iria para o] Alasca. É a última fronteira. Lá, você pode ser o que quiser.
– Alasca. Recomeçar. Começar do zero.
– É possível.
– Consertar as coisas.
– Não. Desculpa, garoto, essa é a única coisa que você nunca conseguirá fazer.
(Diálogo entre Mike e Jesse)
O mundo não é feito de pessoas, nem de casas, nem de coisas.
O mundo é feito com palavras perfiladas
como pedras
sobre pedra e
em cima de outra pedra, ainda.
São de palavras de pedra, as paredes do mundo:
direitas e exactas como um fio de prumo.
Se nos tiram a língua,
as várias línguas que tem a nossa língua:
esta língua com que te falo,
a língua com que te beijo,
esta mesma língua com que digo esse nome que tu és,
roubam-nos mais mundo ao nosso mundo.
E um mundo rente, sem paredes, raso ao chão,
que não se tenha de pé e num pé direito
tão alto que lhe caibam todas as palavras empilhadas
é um mundo do reverso e do regresso
em que ao privilégio absurdo de viver se segue
o direito adquirido de sofrer.
Nunca saiu à rua, sem esticar os lençóis à cama
com a precisão de quem faz as manhãs todos os dias,
de quem dá um jeito à vida, antes de se pôr a trabalhar.
Uma cama bem feita vale bem um verso terminado,
sem o desperdício das palavras que não rimam.
Há que resgatar o gesto repetido, dia a dia,
como quem cumpre a métrica precisa do poema;
uma cama desfeita e ao desalinho é um sítio perigoso
para deixar o corpo a descansar, lugar de roturas, ligamentos
um passo em falso, tropeçado sem cuidado,
e podemos dar um mau jeito
ao coração.
Chamam-lhe amor
Há que dar às coisas nomes curtos e simples,
para que a palavra nos venha aos lábios
obedientemente canina,
mas o certo
é que lhe podíamos dar um outro nome
- qualquer um -
Boby, Tejo ou Lassie, fora o amor uma cadela
parida com as tetas maceradas a roçar o chão.
Qualquer nome lhe daríamos, ao amor
e o resultado seria sempre o mesmo:
Um ganido tímido
a morder-nos de cio o coração da noite.
Sabe, durante muitos anos mantive um diário. Não que o tenha estudado ou pensado muito, mas uma coisa de que estou convencida é que ao registar por escrito os dias, é como se a memória se desobrigasse.
A escrita é, e não é, pensar. A palavra que me ocorre é "auditivo". A partir de certa altura é como se ouvisse vozes.
