Coleção pessoal de pensador
Livros significam todas as possibilidades. Eles significam sair de si mesmo, perder-se, morrer de sede e viver plenamente. Eles significam tudo.
Você alucinou quando, no final do mês, apareceu dinheiro em sua conta bancária desértica. O milagre do trabalho!
O que você deve fazer com todo o amor que tem por alguém se essa pessoa não estiver mais lá? O que acontece com todo esse amor que resta? Você suprime? Você ignora? Você deveria dar esse amor para outra pessoa?
Ela passou a maior parte do dia lendo e estava se sentindo um pouco fora da realidade, como se sua própria vida se tornasse insubstancial diante da ficção em que ela foi absorvida.
Sua mente ainda funcionava, seus pés ainda se moviam, ela podia andar, embora apenas com a ajuda de um andador, mas ela o fazia, e ela era um ser humano que sabia com certeza que o feijão fica melhor melhor na salada e que a velhice é uma terrível calamidade.
Ninguém está interessado em vítimas reais ou criminosos reais. Nem tribunais locais, nem seus concidadãos, nem editores, nem leitores. Todo mundo simplesmente se recusa a acreditar neles. Um crime imaginário é muito mais convincente; a realidade é real demais. Eles só conseguem se identificar com um crime inventado, apenas o mal imaginário pode excitá-los.
Mantenha sua boca fechada. Pense na sua língua como uma arma. Pense uma coisa e diga outra. Use expressões obscuras para ofuscar suas intenções. Esconda o que você acredita. Acredite no que você esconde.
Durante uma viagem, a face da realidade muda com as montanhas e os rios, com a arquitetura dos edifícios, a disposição dos jardins, a linguagem, a cor da pele. E a realidade de ontem queima na dor da separação; o dia anterior é um episódio finalizado, para nunca mais voltar; o que aconteceu há um mês é um sonho, uma vida passada.
Ah, despertar mais uma vez sem sentir as suas garras, por uma vez não ficar só e entregue ao medo! Sentir a respiração feliz do mundo! Ah, viver mais uma vez!
A juventude tenta escapar ilesa, por muito conscienciosa que seja no modo como interpreta a sua fuga, ainda assim traz na testa a marca de Caim, a marca de quem traiu o irmão.
Se por vezes somos felizes sem motivo, nunca poderemos ser infelizes da mesma maneira. E, numa época severa como é a nossa, espera-se que cada um escolha o inimigo certo e um destino à medida das suas forças.
Quem inventou o ditado "A prática leva à perfeição" era idiota. Os humanos não podem ser perfeitos. Porque não somos máquinas.
