Coleção pessoal de pensador
O veneno é eu acreditar que meu cérebro escorrega para a frente, sobre a cara. É humilhante, não há outra palavra, sentir-se descalça no corpo inteiro. Só que, quando a melhor palavra ainda não é suficiente, não se pode dizer muita coisa com palavras.
Sempre nos encontramos despreparados diante das coisas. Sempre elas se inventam, enquanto fazemos algo.
Levo comigo uma bagagem silenciosa. Fechei-me tão profundamente e por tanto tempo no silêncio que nunca consigo abrir-me através das palavras. Apenas me fecho de outras formas quando falo.
Cada frase só tem sua vez quando a anterior se foi. No calar tudo vem de uma vez só, tudo se acumula ali, o que por muito tempo não é dito e até mesmo o que nunca é dito.
Bom seria se em nossa cabeça houvesse coisas para serem trocadas, em lugar dos pensamentos que a gente rumina sem cessar.
Acho necessário que a literatura seja poética. Pela formulação poética tento fazer com que o texto seja menos artificial, reflita a vida. Tento fazer com que as frases contenham mais do que as palavras que estão ali. É o que me motiva a escrever. O que quero contar sei de imediato. A questão é como contar.
Qualquer pessoa com bom senso e uma mente afiada medirá duas coisas: o que foi dito e o que foi feito.
Não consigo pensar em um caso em que os poemas tenham mudado o mundo, mas o que eles fazem é mudar a compreensão das pessoas em relação ao que está acontecendo no mundo.
Muitas pessoas não creem naquilo em que colocam seu foco – estão ali fazendo o que precisa ser feito, sem a certeza inabalável de que pode dar certo. Mas, quando acreditamos em todas as ondas, conseguimos surfar nas oportunidades e fazer a diferença, obtendo resultados extraordinários e conquistas inéditas. É preciso simplesmente crer com convicção que mesmo aquela em que ninguém “bota fé” pode ser a onda que vai levar você ao pódio.
Se você não fracassa porque tem medo de perder ou porque sente receio de que algo pior aconteça, mude já essa mentalidade, quebre esse paradigma que se formou quando você estava na escola. O fracasso pode abrir portas, fazer com que você conheça novas pessoas.
Se estiver na dúvida entre fazer pouco e não fazer nada, saiba que a sua pequena parte somada à de cada um pode ser decisiva para a sobrevivência do planeta. Ou pelo menos para a sua sobrevivência.
Desafie a si mesmo. Para enxergar alguma mudança em sua vida é preciso dar o primeiro passo. A vida é imprevisível, e mergulhar de cabeça nessa imprevisibilidade faz com que a gente descubra que pode muito mais.
Pode ser que você não se ache capaz de fazer determinada coisa, mas quer saber? Todos somos, se nos desafiarmos e dermos o primeiro passo.
Se hoje consegui me desprender do bando, voar meu próprio voo, me tornando um líder que consegue conectar pessoas e inspirar nelas o desejo de voar mais alto, é porque um dia estive preso ao chão, sentindo o peso das asas que não conseguiam bater por conta própria.
Vejo-te um pouco como se já não houvesse
uma casa para nós. As grandes perguntas estão aí
por todo o lado, onde quer que se respire, dentro
dos próprios frutos. É o começo da noite
e os cinzeiros já estão cheios de meias palavras:
porque escolhemos tão pouco
aquilo que nos pertence?
Vejo-te de olhos fechados enquanto me confiavas
a tua história – à mesa da cozinha, quase um espelho,
quase uma razão. As minhas canções preferidas
pareciam convergir para ti a certa altura, dir-se-ia
que te vestias com elas. E no entanto
como se apressaram as grandes florestas a invadir
as gavetas, como misturaram as raízes
no eco que fazia o teu desejo contra mim.
Que mais podemos fazer?
Este amor é um país cansado
que não nos deixa mudar.
O medo cerca as fronteiras
e a capital é Nenhures,
cidade de perdulários
e pequenas ruas tortas
onde vem morrer a noite –
aqui estamos ambos sós,
desunidos, extraviados,
não há táxis na praceta
nem cinzeiros nos cafés
e perdemos os amigos
entre as curvas de um enredo
que deixámos de seguir.
Mas não era nada disto
o que tinha na cabeça
ao começar a escrever:
os versos chamam o escuro,
abrem os portões ao frio
e eu quero estar nas colinas
do outro lado do rio.
