Coleção pessoal de pensador
E de repente, era um, eram dez, eram milhares
Sob as asas azul da liberdade, nascia o estado de Palmares
Mas não tardou, e a opressão tentou calar não conseguiu
O brado da vida contra a morte, no primeiro estado livre do Brasil
Forjando ferro de Ogum, plantando cana e amendoim
Dançando seus batucajés, pilando milho e aipim
Fazendo lindos samburás, amando e vivendo enfim
Durante cem anos ou mais, Palmares viveu assim
Eu, por mim, sinto a pele
Como um terno
Um hábito fraterno
Um costume propício,
E não um vício.
Eu, por mim, sinto a pele
Nem fardo, nem farda
Apenas embalagem
Feita para viagem
Sinto a pele
Como um fato
Da cor do Homem
Da História
Da Luta e da Vitória.
Onde estão os poetas negros
Que não os ouço cantar nossa odisseia?
Estão dormindo no plano das ideias
Velados por poéticos segredos?
Onde andarão nossos poetas negros?
A poesia negra, hermanos,
Não explode a pólvora
Nem orienta a bússola
Ou diagrama o papel.
Ela desvenda o véu da vanguarda
Tira o chapéu
Pra velha guarda
Elimina o minimal
Pelo ancestral.
Os erros também são importantes para mim. Não os risco da minha vida ou memória. E nunca culpo os outros por eles.
Ser neutro não significa ser indiferente ou insensível. Você não precisa matar seus sentimentos. Matar o ódio dentro de si é o suficiente.
A relação entre portugueses e brasileiros é de tal maneira forte e densa, assenta em tantos equívocos, tanta morte, tanto desentendimento, que é uma relação de sobressalto e de incompreensão. Nunca é só amor, indiferença, revolta, exasperação, riso. É tudo isso.
Não gosto da palavra ficção, porque é demasiado redutora. Prefiro dizer: isto é um texto inteiramente livre, onde posso usar os elementos que me apetecer. Neste caso é um conto, podia ser um romance. A fronteira é sempre a liberdade. E o pacto que eu estabeleço com o leitor é esse.
Sendo ateia e não acreditando noutra vida, sempre pensei que seria bom ter várias vidas nesta. Não quero encerrar-me numa possibilidade.
O céu vai se abrir e Ele aparecerá
Jesus Cristo nas nuvens todo olho há de ver
Os mortos em Cristo ressuscitarão
Corpo glorificado vamos receber
A palavra de Deus está se cumprindo
A Terra está vivendo o que Deus falou
Que em breve iria acontecer
É filho contra pai, nação contra nação
As guerras aumentando, o mundo em confusão
A peste, a fome, a sede, terremotos sem avisar
Já se ouve em toda a Terra a humanidade a chorar
O fim está chegando, a trombeta a tocar
Guarda o que tens pra tua coroa ninguém roubar
Com gemidos que palavras não podem explicar
Ele leva ao Pai as minhas intercessões
Quando dobro os meus joelhos em meio às tribulações
Ele ouve o gemido do meu coração
Ainda que pra te servir, Jesus, eu tenha que chorar
Te servirei porque comigo estarás
Sofrer contigo é bem melhor do que errar
Perdoa-me porque às vezes não consigo nem falar
Logo as lágrimas meus olhos vêm molhar
Como um sinal que Tu estás neste lugar
Ó, Jesus, a Ti confesso, não dá pra viver
Sem sentir a Tua presença no meu ser
Sou eterno dependente, ser humano tão carente
Estou de novo aqui e quero Teu poder
Arrependimentos não têm sentido. Não adianta chorar pelo leite derramado. Tudo o que você pode fazer é voltar a encher o copo lentamente.
