Coleção pessoal de pensador

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Amor, promete que vamos envelhecer juntinhos
Desse jeitinho, ó, nada caretas
Que o tempo faça bem pra nós como ele faz pro vinho
E que possamos alcançar a nossa meta

E no lugar das flores eu te trouxe um flow
Daqueles que você vai se identificar
Fiz pra falar do celular que tu jogou na parede
A tela trincou por não querer te retornar

Sou pecador e não vacilador
Aonde quer que eu vá o papo é reto
Peço perdão ao meu Criador
Por meus pecados e o meu dialeto

Peço que toda maldade enviada a mim
Volte em dobro ao remetente em forma de bondade
E todo aquele que tiver tramando o meu fim
Erre o caminho e encontre a felicidade

Carrego no meu corpo projéteis dos inimigo
E eu nem sei quem são, mas sei que Deus é bom
Mesmo no vale Ele sempre esteve comigo
Me livrou dos perigo e da má intenção

De repente, do nada, eu me senti assim como se estupefato. Sim, não que houvesse alguma coisa ou alguém diante do que eu pudesse me sentir em raro espanto. A ocorrência da felina já tinha passado.

Separo-me, porém, de ti; já passou o tempo. Entre duas auroras, me iluminou uma nova verdade. Não devo ser pastor nem coveiro. Nunca mais tornarei a falar ao povo; pela última vez falei com um morto.

Eu precisava renunciar à hipótese de que ele já se situava sob o meu domínio. Se sumisse talvez fosse o melhor. Que eu voltasse à minha solidão sem me abater. Nela tinha as minhas referências todas ordenadas, eu a abastecia com algumas obsessões, como o pensamento sobre o que eu perderia se viesse a morrer nas próximas horas.

Coisa para nos preocupar é a vida humana, e sempre vazia de sentido: um trovão lhe pode ser fatal.

Quando começo a escrever um romance, não sei exatamente onde ele vai dar.

Quando você está no fundo do poço, tem de botar um ideal na cabeça.

Minha escrita era mais apaixonada, espontânea. Com o tempo, ficou mais cerebral – atualmente se apoiando mais em pesquisa. Acho os dois momentos importantes. Na literatura valoriza-se muito a experiência, a maturidade, a velhice, mas há algo da paixão, da energia da escrita do jovem, que é fascinante – e isso eu já perdi. Então não tenho nada a ensinar ao meu eu-jovem – talvez ele é que tenha.

As ideias vêm da vida, de outras obras. Tão fundamental quanto ler, assistir cinema, teatro, é viver...

Meus temas e meu universo não são convencionais no meio literário. Minha aparência também não. Por um lado, essa desconfiança vem diminuindo, porque já tenho mais de dez anos de carreira, oito livros, não sou mais um garotinho. Mas também me sinto mais confortável para ousar, tanto no discurso, na aparência, quanto no texto.

Eu meio que criei um personagem odioso. Nesse conflito dele com a natureza, eu torceria pela natureza. Tive um certo receio de que essa antipatia pelo personagem prejudicasse a leitura, que os leitores abandonassem o livro por isso. Mas fico feliz que os leitores têm apreciado o livro, mesmo detestando o personagem, e que alguns até conseguem ter simpatia ou atração por ele.

Já discuti muito sobre isso (novamente: não comecei ontem); existe um desafio básico em fazer literatura de gênero e fazer "alta" literatura (sim, ainda acredito nisso). Como respeitar as convenções do gênero sem recorrer (apenas) a clichês, como fazer "alta" literatura sem provocar apenas estranhamento, e sim respostas objetivas (no caso do terror, "provocar medo"). É um desafio que eu mesmo (como autor) acho que não consegui vencer. Mas eu prefiro criar o estranho, a dificuldade, do que recorrer a uma literatura rasa.

A cada ano, minha mãe tirava um quadro do meu pai da parede para dar espaço a mais uma estante de livros.

E os livros, livros por todos os lados. Cada superfície plana era ocupada por um livro. Tampo da mesa, armário, criado-mudo, mesinha de cabeceira. Nenhum bibelô, Nenhum suvenir. Nenhum porta-retratos. Só restaram os livros. Para que ele soubesse quem fora realmente a mãe, teria de abri-los e ler. Teria de ler cada página de milhares, milhões.

Sempre felizes sem pensar em nada,
Paisagem mais bela é o sorriso da amada,
Contava as estrelas manto prateado,
Sentia o calor de um abraço apertado,
Fazia minha boca tocar o seu lábio,
Lua iluminava com um Bob no rádio,

Nas manhãs nubladas, bom humor imperava,
A vida era um jogo, sem cartas marcadas,
A noite no fogo, um bom som que rolava,
Por entre a fumaça, diversas risadas,
Como se seus ouvidos pudessem respirar,
O som invadia o corpo, como se fosse o ar

Saudades do tempo, dos velhos momentos,
Dos anos passados que foram com o vento,
Sorrisos, lembranças, belos sentimentos,
De transformações e de renascimentos,
Praias, viagens pela madrugada,
Nossa rotina era o pé na estrada