Coleção pessoal de pensador
Gostaria de poder jogar fora os pensamentos que envenenam minha felicidade. E, mesmo assim, sinto certo prazer em ceder a eles.
A liberdade não é um feriado instantâneo, como sonhávamos antes. É uma estrada. Uma estrada longa. Nós sabemos disso agora.
A realidade sempre me atraiu como um ímã; me torturou e me hipnotizou. Eu queria capturá-la no papel.
Ela fez carinho nas cicatrizes
Na sobrancelha e nos dedos
Disse que eu sou preto divino
E humanos nunca matam deuses
Admito, sinto medo às vezes
A violência me olha com sede
Homem da caverna de Platão
Atirando pra pintar paredes
Orixás moram na minha testa
Coroa celestial
Prêmios por minha cabeça
Quem tentar sabe o final
Minhas dores gritam no meu grito exausto
Corpo casto, corpo gasto
Negro filho do sol, nasci astro
Leia na noite do meu corpo seu signo
Me siga dos bons aos cínicos
Destruindo seu reinado de prédios
Me sinto Tim Maia, então chame o síndico
Mesmo querendo me soltar
O mundo vai negar, dizendo que eu sou a bruxa
Sei que não é faz de conta
Fogueira tá no sangue
Eu como a torta de maçã
Pra não fazer desfeita
Garfos pro lado e eu me finjo satisfeita
Aprendi bem cedo a ser uma linda princesa
Na mesa, cumprindo ordens de etiqueta
Cansei de andar a pé
Eu quero ir pro espaço
De charrete ou de caminhão
Se é bom, é ruim
Se é ruim, é bom
Não há um meio termo
Se é oito ou oitenta
Não há quarenta
Então nem vem pela metade
Pela meta
Teu amor foi embora e você nem percebe
Que os dias amanhecem e você nem acorda
As cores foram embora e você nem se pintou
O açúcar foi embora levou todo o sabor
Tristeza pôs um véu em você, te cegou
Agora todos foram embora, só você se ficou
Não tem feitiço que conserte, fada S.O.S
Eu fico inerte, pois tu me aquece
Eu quero alguma coisa
Que diminua a distância entre eu e você
Hey, estrela cadente, não dá
Não dá a devida atenção
Noites virando no colchão
E então você subiu de escada
Desfez as malas
Como se fossem nada
E os pesadelos
Viraram contos de fadas e somos dublês
As lojas estão fechadas
Os passos sumiram das escadas
Os carros desalojaram as ruas
Não se respira no caule das torres envidraçadas
(A poesia pura
perpendicula
nos varais e fios de alta tensão
A poesia grita
na pausa dos postes
sussurra
ouvido colado ao chão)
