Coleção pessoal de pensador

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Eu então percebia, pela primeira vez, que tudo segue, desbota, estraga enquanto a vida continua. Que não existe final na nossa história até que chega a morte e o corpo se desfaz.

Mas, não sei por quê, não consigo amar a natureza; às vezes ela é tão terrível, tão áspera e altiva... Acho que perdi o gosto pelo colossal. O tique-taque dos relógios desperta mais os meus sentidos que o vento nos desfiladeiros.

Ela me fez sentir tudo o que eu não era: rica e feliz. E nunca me esqueci disso.

Conheça o inimigo e você saberá como matá-lo.

Naquele instante, pela primeira vez, tive a intuição falaz de que o passado não é um lugar estável, e sim precário, permanentemente alterado pelo futuro, e que portanto nada do que já ocorreu é irreversível.

Toda história de amor é insensata, porque o amor é uma doença.

O que as mentiras e calúnias têm de pior é que quase sempre acabam nos contaminando, porque é muito difícil não ceder à tentação de nos defendermos delas tornando-nos mentirosos e caluniadores.

Quando você for mais velho, perceberá que a única coisa que importa, a única coisa, é que você teve coragem e honra. Perca essas coisas e você não morrerá mais rápido, mas será menos que a sujeira em nossas botas.

O escritor é um maluco que tem a obrigação ou o duvidoso privilégio de ver a realidade, e por isso, quando um escritor para de escrever, acaba se matando, porque não consegue se livrar do vício de ver a realidade, mas já não tem aquele escudo para se proteger dela.

Quero dizer que os silêncios são mais eloquentes do que as palavras, e que a arte do narrador consiste em saber silenciar a tempo: por isso, no fundo, a melhor maneira de contar uma história é não contá-la.

Num romance, o que não se conta é sempre mais importante do que aquilo que se conta.

As palavras são como dinamite, elas criam a realidade.

– Essa palavra: ‘sexy’. O que quer dizer?
(...)
– Quer dizer amar alguém que a gente não conhece.

Há momentos em que me assombro com cada quilômetro que viajei, cada refeição que fiz, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por comum que pareça, há momentos em que tudo fica além da minha imaginação.

Sempre que ele desanima, digo que, se eu sobrevivi em três continentes, não há obstáculos que ele não possa superar.

Tenho impulsos terríveis (...) de jogar coisas fora. Um dia, senti o impulso de jogar tudo o que eu tenho pela janela, a televisão, as crianças, tudo.

É para isso que servem os livros. Para viajar sem sair do lugar.

Deveríamos ter uma senha para falar desse assunto. Que triste pensar que temos tantos segredos que precisamos de uma.

O perigo é fascinante quando você é jovem.

A incerteza criou uma atmosfera que era inebriante, selvagem e emocionante. E o conhecimento deve ter pairado no ar de que alguns daqueles jovens sorridentes não voltariam para casa.