Coleção pessoal de pensador

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Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.

Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.

A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.

Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!

Mãe, aqui estou no dia de hoje,
Batendo à tua porta, procurando a tua companhia.
Não me desconheças nem perguntes quem sou.

No fundo de mim mesmo, apesar de tudo o que houve,
Das incompreensões, do pó e da amargura,
Das misérias que pratiquei e que praticaram
Contra mim; apesar da experiência do ódio e do amor,
amargos ambos,

Sou o mesmo filho que deixaste
Na orfandade
Quando partiste,
Estrela materna, flor de beleza,
Que o vento gelado crestou na juventude.

Vazio

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.

A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.

Toda a paixão é, por natureza, triste, porque mortal.

É melhor haver uma democracia pobre, suja, esfarrapada, do que uma ditadura opulenta. A democracia magoa, zanga-nos, dá trabalho - é como o amor. Um infinito de esperança em desilusão permanente. Do mal o menos. Antes um amor magoado do que amor nenhum. A ditadura é esse sossego do amor nenhum - os dias iguais e silenciosos.

Todo o amor é póstumo; enquanto o vivemos tem a impiedade do sol, que tudo mostra, ou seja, tudo esconde. O amor vivo é uma roda de alegria e dor, conforto e tédio.

O amor é a arte de encontrar no rosto do outro o espelho dos nossos sonhos.

A cultura é uma forma de pensar e trabalhar sobre todas as coisas da vida e não um berloque que se põe e tira de acordo com as circunstâncias.

Sou só uma pessoa confusa que estraga tudo e nunca vai encontrar a felicidade. Por que encontraria? Não mereço amor.

Ter qualquer namorado, sem se importar com quem seja, não vai fazer você feliz ou mudar quem você é.

Só quero ser uma garota normal, que não é insultada e que pode ter um namorado. Nem me importa quem seja, desde que queira estar comigo.

Como vamos reparar os conflitos do passado se o conflito do presente continua?

Este é um diário de mágoas. Às vezes, é difícil falar em voz alta das nossas dores. Assim, você não precisa dizer.

Oi, deuses. Aqui é a Devi Vishwakumar, sua garota hindu favorita do Vale de San Fernando. E aí?

Eu nem sei
O que faria nesse inverno
Qualquer coisa que não fosse com você
Me causaria tédio

Me diz se adiantou alguma coisa
Procurar alívio passageiro
Beijar umas quatro ou cinco bocas
Com beijos que não têm gosto de beijo

Aí lembrou de mim, não teve jeito

Não é que eu não tenha sentimento mais
Minha fama por aí é coração de gelo
Se a minha boca não repete beijo mais
Se eu não me envolvo com ninguém é puro medo

Eu não sou o cara perfeito que você sonhou
Exemplo de rapaz pra apresentar pros pais
Mas sou o motivo do seu corpo em chamas
Toda vez que cê suspira

Você não superou
O fim do nosso amor
Foi só te bloquear
Ganhei um seguidor
Já tá manjado
Esse perfil falso

Teimosia

Não adianta
quebrarem minhas pernas,
furar meus olhos
ou falar pelas costas.
O que sustenta meu corpo
são as minhas ideias.
Braços descruzados,
tenho um cérebro com asas
e sou todo coração.
Se me proibirem de andar sobre a água,
nado sobre a terra.