Coleção pessoal de pensador

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⁠Era a dor; a dor arranca-nos à infância como se arranca uma flor do caule.

⁠Abdicamos da vida para podermos vivê-la, abdicamos dela a toda a hora, a todos os minutos, em cada gesto, é esta a crueldade contra a qual justamente nos revoltamos, uma luta desde sempre perdida, capitulada.

⁠Mesmo imaginada, uma dor continua a ser uma dor: está lá quando nos deitamos à noite, está lá antes do pequeno-almoço.

⁠Sei agora o que nunca soube – que o amor encontra o seu estado mais puro quando julgamos que o fim chegou; finalmente entendo que o amor pode ser precisamente essa ausência, o deixar de estar, ser capaz de apreciar cada minuto da nossa memória como se segurássemos, entre as mãos, um punhado de brasas num deserto de gelo.

⁠Há algumas coisas na vida que não deveriam ter tanta importância, se não mudarem o que é essencial.

⁠As palavras viajam tão rapidamente quanto o desejo, por isso é possível enviar uma mensagem de amor sem elas.

⁠Manter segredos sempre levará à infelicidade; a comunicação é a chave do amor.

⁠Você não precisa pensar no amor: você sente ou não.

⁠Ninguém que ama a vida pode ignorar a literatura, e ninguém que ama a literatura pode ignorar a vida.

⁠Você não precisa ser louco para ser escritor, mas certamente ajuda.

⁠A vida é muito mais confortável se não esperarmos que ela seja justa.

⁠Amar e ser amado é a mais poderosa das necessidades humanas.

O ⁠futuro era um leque de possibilidades, não apenas uma trilha única e inalterável. Contudo, das trilhas, umas eram bem mais prováveis do que outras, e algumas eram tão prováveis que pareciam quase impossíveis de se evitar. Nesses casos, a palavra usada era "destino".

Casamentos verdadeiros são construídos com valores e interesses em comum.

⁠Para um homem, a mulher é como uma pintura ou uma estátua clássica. Ele escolhe uma e leva para casa, esperando que combine com os móveis do local.

Pensei: o mundo no qual acordamos é diferente daquele no qual adormecemos. Basta abrir os olhos.

Perante a burocracia somos todos estrangeiros. A burocracia é, em essência (e nisso reside a sua utilidade), um código estrangeiro.

⁠Resumindo: se ele dizia que estava sozinho, era apenas porque não tinha com quem conversar.

Eu reservava o meu interior, enquanto ele o exibia. Esconder algo é ter algo para esconder. Eu não tinha, mas estava me escondendo, estava espiando o mundo como alguém que acaba de enterrar um tesouro.

⁠Dizia-se que a rainha era experiente na paixão, em cujos incêndios ela havia se queimado muitas vezes.