Coleção pessoal de pensador

27921 - 27940 do total de 52278 pensamentos na coleção de pensador

⁠Não há maneira de nos ensinarmos a separar o banal do profundo.

⁠A noção de “Isso é o que eu penso e não posso pensar de forma diferente” é a receita para a morte intelectual e social. Se temos fortes convicções, a questão é como as relacionaremos com pessoas que possuem convicções tão fortes quanto as nossas.

⁠Na essência, um ambiente de trabalho deveria ser um lugar onde as pessoas aos poucos desenvolvem habilidades específicas e se tornam mais competentes. Mas isso exige um tipo de ambiente de trabalho que está desaparecendo. Hoje, as organizações já não empregam trabalhadores, elas compram trabalho.

⁠O pensamento “nós-contra-eles” sempre existiu, mas o que há de novo é uma espécie de indiferença pelo que é diferente. Não há mais o medo de violência entre "tribos", o que acontece é mais sutil, é um recuo em relação ao outro, como se o outro simplesmente não existisse.

⁠A ideia da experiência como ofício contesta o tipo de subjetividade que prospera no puro e simples processo de sentir.

⁠Fazendo alguma coisa acontecer mais de uma vez, temos um objeto de reflexão; as variações nesse ato propiciador permitem explorar a uniformidade e a diferença; a prática deixa de ser mera repetição digital para se transformar numa narrativa; movimentos adquiridos com dificuldade ficam cada vez mais impregnados no corpo; o instrumentista avança em direção a maior habilidade.

Quanto pior as coisas fican, mais uma pessoa é obrigada a melhorar.

Debaixo desse verniz de uma consciência moral conservadora há um claro sentido de superioridade medrosa.

Há uma certa serenidade no amor que é quase um paraíso.

⁠O mundo está cheio de novos desenvolvimentos e o amor também deve ser algo que se inova. O risco e a aventura devem ser reinventados contra a segurança e o conforto.

O amor só pode consistir em fracasso... na suposição falaciosa de que é um relacionamento. Mas não é. É uma produção da verdade.

⁠ Aqueles que não têm nada têm apenas a própria disciplina.

⁠O mal é o momento em que me falta a força de ser verdadeiro ao bem que me compele.

⁠O amor sem risco é uma impossibilidade, como uma guerra sem morte.

⁠O escritor da aventura não teme a aprovação ou a renovação dos leitores. É-lhe indiferente que haja ou não, da parte dos críticos, uma compreensão suficiente. O que lhe importa é abrir novos caminhos à arte, é enriquecer a literatura com germens que venham a fecundar a literatura dos próximos cem anos.

⁠Na nebulosa da infância, a sensitiva já procurava bondade e beleza. Mas a bondade e a beleza são conceitos do homem. E a menina não encontrava a verdade e a beleza por onde procurava. Talvez porque já caminhasse fora dos conceitos humanos.

⁠Nothing

Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um para-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipoias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel’s check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.

⁠No meu quintal tem uma laranjeira
aquela mesma
onde brincamos na noite de Natal

no meu quintal tem um pessegueiro
com flores cor de rosa
onde chupei-te a boca
pensando que era fruta.

no galinheiro tem oito galinhas,
um pato, um ganso e um pinto.

no galinheiro fiz um arranha-céu
com latas de gasolina.
E fiz com paus de vassoura
estacas para os cravos.

meu quintal é uma cidade!…

De frangos, postes, luz e arranha-céu.
E para simbolizar o seu progresso,
desafiando triunfal,
tem a bandeira de uma calça rendada no varal.

⁠Agora, saio de um túnel. Tenho várias cicatrizes, mas ESTOU VIVA.

⁠Do meu coração me espanto!
O amor só me deu pesar,
como tendo amado tanto
tenho ainda amor para dar?!...