Coleção pessoal de pensador
Tanta gente buzinando esqueceu de andar
Veio ao mundo por engano, eu vim passear
Disseram que a vida nesse lugar
Depende da temperatura do ar
Televisão, teto solar para ver
Cerveja e cama para sobreviver
Não me preocupa a quantidade de sal
Um dia salva e no outro dia faz mal
Que gosto tem o que faz bem?
Que gosto tem é o que me importa
Sem documento, visto ou mapa astral
Chegava ao mundo uma pessoa normal
Nasci assim, pobre de mim
Sentindo o gosto ruim da vida real
Eu me limito à saudação trivial
Muito prazer em conhecer, tchau
Hoje eu extinto
Já nem me lembro como era no começo
Quando sabia tudo o que me esperava
E acreditava ser alguém especial
E parecia que aquela vida era mais uma viagem
Se algum momento fomos todos dinossauros
Hoje restamos só poeira espacial
Eu não sei por que não me esqueceu
Me deixa ir
Eu quero ir, ficar sozinho
E o que passou e o que passar
Não vão mudar o que restou
Tem que viver, se aventurar
Quando a consciência se abre para a morte ou a morte para a consciência algo é abismo no centro do ser.
Eu me sentia náufraga e pensei que tinha me salvado de um naufrágio. Agora eu sei que ninguém é salvo num naufrágio. Aqueles que afundam estão mortos e os salvos vivem se afogando.
Eu acho que é isso nos atrai para os romances: os personagens sempre têm um destino. Mesmo que seja um destino terrível, pelo menos eles têm um.
Era ao mesmo tempo estranho e injusto, um exemplo real da arbitrariedade lamentável da existência, que você tenha nascido em uma época específica e ficado preso lá, querendo ou não. Isso lhe deu uma vantagem indecente em relação ao passado e fez de você um palhaço em relação ao futuro.
As pessoas que não passaram por nada adoram contar histórias, enquanto as que passaram por muita coisa de repente não têm mais histórias para contar.
Às vezes, eu ficava presa às outras pessoas por muito tempo, porque era mais fácil do que ficar dentro de mim.
Ninguém conhece o meu coração. Está escondido no fundo do meu casaco, da minha pele, das minhas costelas.
