Coleção pessoal de pensador

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⁠Já viram a Torre Eiffel? Bem, imaginem-na deitada no mar.

⁠Tudo começou no dia do embarque. Embarcaram no navio acreditando que seria a melhor viagem da vida. Elas estavam erradas.

⁠Ah, que saudade do que eu nunca mais vi
No fundo dos meus olhos
Será mesmo que eu me perdi
Pelos meus caminhos tortos
Eu tô cheio desse vazio
Poluído por corpos
Eu não sou daqui
Minha alma é livre
E eu não me comporto
Eu quero minha fé de volta

⁠Acordo com frio, puxo o cobertor
Sei que ela nem viu, mas me sabotou
E logo vem o sol e o despertador
Dizendo que é agora e o dia chegou
Então esqueço o sonho que acordei me lembrando
Pra lembrar dos sonhos que já tenho há vários anos
Quanto tempo eu tenho pra correr e a quanto?

⁠Pra mim tanto faz, porque o mundo jaz, louca
Pra quem provou o amargo o açúcar é mais doce
A noite é mais curta
E o minuto é mais louco
A paixão é mais pura e o amor é mais fogo
E eu paguei mais que o preço que é exposto
Mas pra não ter a vida fútil de sempre

⁠Sem ninguém pelas ruas e as luzes on
Procurando algum bar
Uma ilusão
De rolê na cidade depois das três
Esse carro é um oasis e um harém

⁠Vi meu povo sofrer
Sem desistir de lutar
Há tanto pra fazer
Eu que não posso errar

⁠Pulei obstáculos, me livrei dos tentáculos dessa prisão
Prefiro me ver sempre intacto, longe do que distrai meu foco
E do que me afasta dessa visão
Ninguém aqui vai te estender a mão, não

⁠Nunca esperei que a vida me abrisse as porta
Quantos morreram sem resposta? Não sou mais um
Pintei cicatrizes, memórias, o mundo e suas voltas
As ficha e as aposta, o mar e o rum
Cruzei a cidade sem rota

⁠Pensou que eu tinha me calado porque não ouviu ruídos
Enquanto eu arquitetava em silêncio meu maior grito
Pensou que eu tinha cansado mas nada me para e eu sigo

⁠Eu sou mais um filho bastardo dessa cidade pecado
Caminhando sempre na sobra e com a Morte do lado

⁠Não acredito em conto de fardas
Não acredito em conto de fadas
Vingança hoje é sobreviver
A paz aqui já não vale de nada

⁠Olhos de ódio reluzem saudade
Lei Áurea liberta, não traz igualdade
Casa que habitava felicidade
Hoje só resta frieza e maldade

⁠Durmo sem saber se vou acordar
Recuar no morro nunca foi marcar
Tentam impedir a gente de sonhar
Quem não conhece, o que sobra é julgar

⁠Pai nosso que estás no céu
Santificado seja o Teu nome
Vem a nós o Vosso reino
Seja feita a Tua vontade
Aqui na terra, como no céu
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Perdoe as nossas dívidas
Assim como nós perdoamos nossos devedores

⁠Diz que eu sou muita mídia, muito bandida
E quando some é porque leva uma vida corrida
Que uma mulher como eu não devia tá sozinha
E que de todas eu sou a sua melhor conquista

⁠Chave, perigosa
Tô na minha melhor fase
Manda alguém me buscar aqui em casa
É hoje que vou pra sua base

⁠Brincando com o povo de roleta russa
Vem a cavalaria e ainda gritamos na feira, capoeira fuja
Como ver tanta covardia e não ter a poesia suja
Canto a realidade e quem diz que é a política só quer me ver muda

⁠Que saudade dos meus amigos
E do tempo que não volta
E os que tão privados
Uma hora o juiz solta
Tô sabendo das novidades
E eu só queria dar uma volta
Pra esquecer tristeza e tô voltando na revolta

⁠Tá morrendo inocente e outros nem tanto
Dentro ou fora da lei é o mesmo pranto
É a mesma cor, os mesmos desencantos
Eu conheço a dor do gueto e passo no meu canto