Coleção pessoal de pensador

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Como era possível que vidas inteiras pudessem mudar, pudessem ser destruídas, e que ruas e prédios continuassem os mesmos?

⁠Quando ele iria perceber que não era a sua infidelidade que eu não suportava, mas sua covardia?

⁠Se não te conheço, eu não vivo; se eu morrer sem conhecer você, eu não morri, porque eu não vivi.

⁠Deus, que nos fez mortais, por que é que nos deu a sede de eternidade de que é feito o poeta?

⁠Quando a realidade visível parece mais bela do que a imaginada é porque a admiram olhos apaixonados.

⁠Alguns corpos são como flores

Uns corpos são como flores,
Outros como punhais,
Outros como fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em outro corpo se engrandecem,
Convertendo em virtude do fogo uma pedra em um homem.
Mas o homem se agita em todas as direções,
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia a queimadura se apaga,
Voltando a ser pedra no caminho de ninguém.
Eu, que não sou pedra, mas caminho
Que cruzam ao passar os pés nus,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Mesmo que lhes leve a uma ambição ou a uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que ambições ou nuvens
Não valem um amor que se entrega.

⁠Não dizia nada

Não dizia nada,
aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignora ser o desejo uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

A angústia abre caminho entre os ossos,
Remonta pelas veias
Até romper-se na pele,
Provedores de sonho
Feito carne em interrogação volta às nuvens.

Um roce de passagem,
Um olhar fugaz entre as sombras,
Bastam para que parta o corpo em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Igual em desenho, iguais em amor, iguais em desejo.

Mesmo sendo apenas uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

⁠Deixe-me só

Uma verdade é cinzenta,
Outra verdade é cor de planeta;
Mas todas as verdades, desde o chão até o chão,
Não valem a verdade sem cor das verdades,
A verdade ignorante de como o homem costuma
encarnar-se na neve.

Quanto à mentira, basta dizer "quero"
Para que brote entre as pernas
Sua flor, que em vez de folhas brilham beijos,
Espinhos no lugar de espinhos.

A verdade, a mentira,
Como lábios azuis,
Uma disse, outra disse;
Mas nunca pronunciam verdades ou mentiras
seu segredo torcido;
Verdades e mentiras
São pássaros que emigram quando os olhos morrem.

⁠Meu papo é reto como meu cabelo
Crespo como meu cabelo
Resistência igual meu cabelo
Quero nós pra cima igual meu cabelo

⁠Cês elogiam o cabelo quadrado
Mas ainda me associam a cor do pecado
Eu não me lembro de ter perguntado
Sua opinião ou o que tem achado
Isso não é sobre mim, é sobre autoestima
Isso é sobre nós e quem nos subestima

⁠Ela tá livre, esperta
Brilhando e cheia de marra

⁠Preto autoestima alta
Se não aguenta o fluxo, rala

⁠Se ela quer, não arreda o pé
Fonte de luz, praça da Sé
Bagunço o teu black só no cafuné

⁠Oh garota de Salvador, por favor
Me mostre o amor, te peço
Dar um giro no Pelô, cravinho
Sentir a brisa e o calor

⁠Seu silêncio me fez
Acordar e aprender
Que não foi dessa vez...

⁠Talvez você chegue em primeiro
Mas ao pegar o atalho vai pular a lição
Que o sentimento verdadeiro
Já está em seu coração

⁠A vida vai, o vento vem,
Levando a gente pro mesmo lugar

⁠Pra que serve estar vivo
E não aproveitar a festa?

⁠Talvez eu me encontre nessa confusão
Enquanto eu for o que inveja
Faço disso a minha proteção

⁠Meus gostos estranham os teus
Mas eu não estranho você
A diferença não faz diferença
Se você é você