Coleção pessoal de pensador
O acaso foi o único responsável por uma escolha em que não tive mérito algum. Foi o acaso que me colocou em seu caminho. Foi o acaso que me associou a uma de suas mais estranhas e misteriosas aventuras, o acaso, enfim, que me fez ator num drama do qual ele foi o magnífico diretor, drama obscuro e complexo, urdido por peripécias tão tremendas que hesito no momento de relatá-lo.
Quando todas as situações que a vida pode oferecer são voltadas para o benefício do crescimento espiritual, nenhuma situação pode ser realmente ruim.
No fundo do coração existe uma quietude que cura, uma confiança nas leis universais que é inabalável e uma força que é como uma rocha. Mas, por ser tão profunda, precisamos de paciência e perseverança para procurá-la.
Cada desafio cumprido com sucesso é recompensado por algum crescimento no conhecimento intuitivo, fortalecimento do caráter ou iniciação a uma consciência superior.
Os livros de Atenas, Alexandria e Roma nunca estiveram completamente silenciosos. Ao longo dos séculos tiveram uma conversa sussurrada, um diálogo que fala de mitos e lendas, mas também de filosofia, ciência e direito. De alguma forma, talvez sem saber, fazemos parte dessa conversa.
Minha bagagem agora são as dúvidas. A cada livro volto ao ponto de partida e ao coração agitado de todos os primeiros tempos.
Sempre me assusta escrever as primeiras linhas, cruzar o limiar de um novo livro. Depois de percorrer todas as bibliotecas, quando os cadernos explodem de notas febris, quando não consigo mais pensar em desculpas razoáveis, nem mesmo tolas, para continuar esperando, ainda retardo vários dias durante os quais entendo o que é ser covarde. Simplesmente não me sinto capaz.
Em consonância com essa estranha contradição humana, muitos livros serviram para espalhar torrentes de palavras de sabedoria sobre amor, bondade e compaixão por todo o mundo.
A grandeza leva tempo, Banu Nahida. Muitas vezes, as coisas mais poderosas têm os começos mais humildes.
A ideia de democracia se espalha mais como causa do que como consequência. Não é uma formulação inocente.
Não há verdades únicas, nem lutas finais, mas ainda é possível nos orientar pelas verdades possíveis contra as não verdades óbvias e lutar contra elas.
