Coleção pessoal de pensador

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⁠Um vasto potencial humano inexplorado é perdido quando tratamos as pessoas como meros seguidores.

⁠Controle sem competência é caos.

⁠E se a felicidade o surpreender novamente, não mencione sua traição anterior.

⁠Longe, nossos sonhos nada têm a ver com o que fazemos. O vento leva a noite e passa, sem rumo.

⁠Meu amor, temo o silêncio de suas mãos.

⁠Os dias ensinaram você a não confiar na felicidade porque dói quando ela nos engana.

⁠Se as oliveiras conhecessem as mãos que as plantaram, seu azeite se transformaria em lágrimas.

⁠Se eu tivesse dois caminhos, teria escolhido o terceiro.

⁠A guerra não determina quem está certo, ela apenas determina quem resta.

⁠No fim, todos nós éramos apenas humanos. Embriagados pela ideia de que o amor, apenas o amor, poderia curar nossa fragilidade.

Diálogo entre uma mulher e um homem no metrô:

– Se eu fosse casada com você, colocaria veneno no seu café.
– Se eu fosse casado com você, eu o beberia.

– Se você fosse meu marido, eu envenenaria o seu chá.
– Se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá.

Você sempre pode contar com os americanos para fazer a coisa certa – depois que eles tentaram todo o resto.

⁠Os homens e as nações se comportam de forma inteligente depois de terem esgotado todas as outras alternativas.

⁠Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números.

⁠Não me diga que a lua está brilhando; mostre-me o brilho da luz no vidro quebrado.

⁠Céu de confeiteiro

uma fatia de céu
é dada
nesta noite de maio

quinhão que cabe ao homem
que da janela espera

a urbe apita
e o calor
se faz bruma e precipício

uma fatia de céu
é dada
aos amantes da varanda

quinhão que cabe ao amor
em tempos de luas magras

⁠Passeio pelas ruas do espinheiro

quero
pelos olhos da cidade
apreciar papoulas
abertas de par em par
para deleite dos cãezinhos
e colares de pérola de maiorca

(a pressa atropela a solidão do homem
que vende pipoca na esquina

o vento do carro
levanta a saia da moça lilás
para felicidade dos operários
já libertos do andaime
e da rigidez das horas)

quero
pelos olhos da cidade
sentir cheiro de pão e de fuligem
de brisa e de cimento
e testemunhar o preciso instante
em que o beija-flor afaga
a papoula aberta de par em par

⁠Olhos de mar

a primeira vez que vi o mar
fiquei em desmantelo
as ondas iam e vinham
como vinha e ia o meu olhar

a primeira vez que vi o mar
fiquei em desmantelo
os olhos iam e vinham
como iam e vinham as ondas do mar

hoje não consigo apartar
gêmeos estes dois
teus olhos e o mar

⁠esta poesia não te cortará
já nasceu partida
como choro de quem perdeu a mãe

existe o corte de outra faca
palavra
fina ferida fervente
ferinafacadorlírica

corte de rio cinza
cano cratera carvão
cão vidro pluma

a garrafa corta a água
gavião do mangue

toca de caranguejo
puçá de siris
tetéia de goiamuns

a adaga corta a veia
singra a solidão do branco

partidapalavraperdida

mas não se importe leitor
esta poesia corta apenas o papel
já nasceu partida
como a asa do albatroz.