Coleção pessoal de pensador
Se eu tivesse apenas uma hora para cortar uma árvore, eu usaria os primeiros quarenta e cinco minutos afiando meu machado.
O tédio é como um zoom implacável na epiderme do tempo. Cada instante é dilatado e ampliado como os poros do rosto.
A desinformação vem da profusão da informação, de seu encantamento, de sua repetição em círculos, que cria um campo de percepção vazio, um espaço como que desintegrado por uma bomba de nêutrons, ou por uma bomba que absorve todo oxigênio em volta.
Foi o futebol que permitiu uma visão mais positiva e generosa de nós mesmos como nenhum outro livro, filme, peça teatral, lei ou religião jamais realizou.
Sabemos que é quase impossível julgar uma pessoa no Brasil, pois aqui quem está no banco dos réus é uma família, uma parentela, uma rede de relações, um partido político.
No fundo, vivemos em uma sociedade onde existe uma espécie de combate entre o mundo público das leis universais e do mercado; e o universo privado da família, dos compadres, parentes e amigos.
No Brasil todas as situações sociais têm algum “dono”. Se este não é uma pessoa concreta, é um santo. Se não é um herói, é algum domínio. Sempre – e este é o ponto-chave – existe uma necessidade de impor um código qualquer, de modo que a situação possa ser hierarquizada.
Vi o horizonte azul entre o céu e a terra. O dia não se alterou… e a cada noite, sonho o mesmo sonho. O cheiro de flores silvestres… O grito que ninguém ouviu… O som do bater do meu coração… como um martelo contra o prego. E os ouço chamando, as vozes dos mortos. Eu queria segui-los até encontrar uma saída. Mas eu sempre retorno para a mesma porta.
As conexões, às vezes tênues, às vezes feitas com muito sacrifício. Mas, muitas vezes, magníficas, aconteceram depois que eu parti. Comecei a ver as coisas de uma maneira que me permitiu abraçar o mundo, sem eu estar nele.
