Coleção pessoal de paulinopris

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⁠vejo silêncios,
sinto o vazio...
... corpos inteiros.
não vejo o que contemplam,
não ouço o que se dizem,
não posso:
são alguns de seus sentimentos.
comunico a mim e assim posso compreender, em partes, o tanto que existe neste tempo.

(muito obrigada).

⁠imparável? (em discordância)
insaciável:
o desejo de vingança,
o raquítico consolo,
a vaga amizade,
– inteligível – e
as palavras jogadas por todos e para todos os lados...
... maçante.
interminável:
cair máscaras?
ruir vidas?
um ponto final.

adultos brincam
brincam de ser deuses
observam, refutam, condicionam e limitam
para atribuir sentido.

e é aí que a falibilidade de sua brincadeira reside
se fossem, de fato, deuses
não precisariam de aplicar sentido às circunstâncias, objeto-alvo e agentes

o sentido está em quem faz todas as coisas
a quem: circunstâncias, objeto-alvo e agentes estão sujeitos.

o sentido está no serviço que antes É.

(qual a sua divindade?)⁠

⁠não é tudo sobre sentir: é palavra revelada.
– abaixo os apologetas!
é Jesus Cristo.
– abaixo os puritanos!
– EU!
[vida longa ao rei
morte breve aos súditos].

(coortem a cabeça dele).

⁠ouça o que se vê,
veja o que lhe cheira,
ao cheiro das palavras
fale do que o toca.
(se) faz sentido saber escutar.

(alucinanão)

⁠as palavras me fascinam.
queria poder dize-las todas,
mas, às vezes, se perdem:
imensidões de pensamentos, de vazios e de alguns espaços muito, muito cheios.

(sobre-loquos).

⁠verdade & mentira; verossimilhança: a, e, r.

(nem tanto um quanto o outro).

⁠planejo o futuro:
as férias de verão –
traço rotas para caminhos por essa terra de meu Deus.
cálculo minuciosamente os próximos gastos,
aguardo promessas;
o amanhã grita
e eu não sou surda
e ali sussurrarei todo o meu hoje passado.

(sem título, só enredo)

⁠se um verso não é permitido
re-verse.

(santa insistência).

berro, s.m.

⁠sílabas juntadas sem coesão e,
consequentemente, coerência.
ouvido — apelo, aproximação-não-próxima e insistência
: "— segue o fio."...
... saída pomposa, empanturrado de razões ilógicas,
dois monólogos,
dispendiosos,
desperdício.

⁠passado alheio
presente próprio.

(as duas faces de uma moeda).

zombaram do meu louvor,
escarneceram das minhas preces,
atentaram contra o meu jejum.
– caia! gritaram ferozmente;
o seu riso só lhes diz respeito.

porque o primeiro pecado persiste no mundo:
– matar o irmão é melhor que ser descente.

mas as condições são diferentes;
justificativas, têm todas
e as apresentam continuamente.

justificado serei por Ele.

(o maior de todos: o Ente).⁠

colocar fechaduras é muito desconcertante pra mim.
vivi, por anos, numa casa onde nenhuma porta as tinha, em um dos banheiros ha⁠via apenas um trinco frouxo que, por força do hábito, ninguém usava.
não abríamos as portas fechadas.
não havia necessidade de trincos.
para todos tudo estava perfeitamente bem dito
e os termos circunscreviam as relações.

(cronicidade quotidiana).

⁠posso esperar o tempo que for,
mas o teu silêncio me desespera;
ansiosa aguardo uma comunicação
pois sei que aos amigos Tu falas abertamente.
e com desespero, em todo o tempo,
estarei a esperar em meio ao Teu silêncio.

(quase sem palavras – à repeti-las).

⁠diariamente às noites esqueço
ao todo praticamente desconheço
às vezes sempre percebo
contradizendo desfaço toda ciência das certezas.

(certa filosofia).

aos amigos minhas eternas condolências,
sei que árdua fora a tarefa de vocês,
mas a executaram com tanta leveza que
pareceu-me ser do amado a facilidade para que o amor acontecesse.

aos meus inimigos meu eterno muito obrigado,
combatemos,
torna-mo-nos mais fortes naquilo que se propôs e fora proposto – mesmo sem o querer.⁠

⁠ah é amarelo,
é, azul,
ih, verde,
oh! o marrom e
o uuu, preto ou violeta.

(onomateoria das cores).

trabalhador classe média,
dias corriqueiros,
economia medíocre,
salário mediano;
mediastino social.

poder de compra –
escolha entre um e outro um,
sem somatória;
um e um, dois, não cabem,
nem em suadas suaves prestações.

abre um crediário,
faça um carnê,
parcele no cartão,
consumido.

brasileiro, um povo a crédito.⁠

⁠brasil, 8 de fevereiro de 2025.

a um morto qualquer a quem se aplique,

você foi incrível, blá, blá e blá.
sua trajetória de vida foi linda, blá, blá e blá.
faz falta, blá, blá e blá.
quantos sonhos que nunca serão realizados, blá, blá e blá.
blá, blá, blá e etcetera.
mas a quem temos, a partir de agora, são os outros: flores aos vivos!
ao morto: meus sentimentos!

com afeto,

se o Tempo fosse uma persona diser-se-ía que andara despercebido, mesmo tendo as horas em si não foi capaz de acompanhar Kairós, seu Senhor.
– acorde, sr. Tempo, a tempo de bater em sincronia com seu Senhor.
– em tempo, disse o Tempo, quase sem tempo, depois de perder muito de si; com o que eu não sei, com o que poderíamos dizer que o Tempo perdeu tempo?
– às vezes metido em si.

(trava-Tempo).