Coleção pessoal de Paulamonteiro
To com medo
Medo de continuar
nesse mundo !
Todo segundo há uma morte
Todo dia pede sorte
É desastre proposital
É acidente anormal
É o povo falando muito e
nada de mudança no final !
Cada dia nos afundamos
mais e nos "ais"
desse mundo
caos !
Façamos uma Prece pelos que neste momento atiçam sua escuridão no mundo !
Que Deus nos imunize e nos livre .
Amém !
SONETO IN SAUDADE
Sou um verso inacabado
Um pouso sem céu
Um poço sem fundo
Um vazio alado .
Meus instantes soam ventania
Meu ar anda vestido de solidão
O pensamento vaga na ilusão
Numa inquieta e infinda agonia .
Vivo escorregando no tempo
Num poema rasgado e ansiando alento
Sob um pano de fundo se perdendo de mim .
O outrora sempre me persegue
Inda que no presente o vento me negue
Mas sem pedir a saudade sempre pousa por aqui.
PRESSA PRA QUÊ ?
Se quero sentir a pulsação
do vento soando alento
em meu bem querer
Se quero me olhar por dentro e
conversar com os passarinhos dos
meus pensamentos em
silêncio
Se quero tocar na
paz sem que ninguém e nada
me interrompa desse vasto
momento
Se quero mais é fechar os olhos
e caminhar num tom sereno
de próprio aconchego
Se quero olhar meu reflexo no espelho
e ter a certeza de que sou dona
dos meus apegos
Se vejo flores ou não
Se sou um vendaval ou solidão
Se o amor por aqui pousou ou não ...
Quero nem mais saber !
Quero é me ter
me sentir
me acarinhar
me viver ...
Pressa ... Pra quê?
Se é libertando minh'asas
que me permito num tom maior
amanhecer !
Talvez se eu tivesse cuidado
mais das flores...
Não colheria tanto teus espinhos.
Talvez se eu tivesse regado mais
as nossas noites de amor ...
Não teria colhido tantos desalinhos.
Talvez se eu tivesse construído nossos
sonhos em manhãs duradouras...
Não veria nossos castelos em areias
desmoronarem assim tão frios.
Talvez ...
Ou talvez as flores eram mesmo os teus espinhos
As noites de luar eram mesmo as tuas indiferenças
O teu amor era mesmo um castelo de areia ...
Talvez...
O que sei é que tudo Acabou!
Fim !
já fui louca
já fui menina
já fui santa
já fui traquina
já fui alvorada
já fui penar
já fui estrada
já fui alienar
já fui esquina
já fui caminho
já fui adrenalina
já fui sozinho
já fui escuridão
já fui laço
já fui imensidão
já fui descompasso
já fui ousadia
já fui palhaço
já fui fantasia
já fui cansaço
já alento
já fui dor
já fui vento
já fui desamor
já fui presença
já fui saudade
já fui crença
já fui vontade
já fui deserto
já fui mar
já fui incerto
já fui amar
já fui calmaria
já fui ilusão
já fui poesia
já fui trovão
já fui festim
já fui contramão
já fui sim
já fui não
já fui tudo que pude ser
já quis ter e não poder ver
já quis sentir e não poder amanhecer
já vi o céu esmorecer
hoje apenas vivo
e respiro o ar do que apenas
posso ler.
ESTIO
E aquele amor veio como ventania
Bagunçou meu nobre sentimento
Emudeceu minha paz na agonia
Feito correnteza ansiando vento.
Pensei que não me salvaria
Daquela inquieta saudade
Onde meus olhos lânguidos me dizia:
Ando cansada dessa tal infelicidade !
Foram dias e noites vagando no amargor
Numa espera inútil por aquele amor
Vendo a vida mergulhar no vazio .
Até que um dia percebi que o encanto acabara
Ele foi embora e não senti mais nada
Além do sorriso vestindo meu estio .
SONHADOR
Quis ficar ali
Sem muito pensar
Sem muito penar
Sem tanta pressa de seguir ...
Tem dias que sou e quero
ficar mesmo assim.
Um passarinho acabrunhado
Um espinho isolado
Um barco ancorado em meus sentidos
Matutos são meus pés
Sereno-os
com algumas sobras de girassóis
que colho em meus internos desenhos.
Poeta sonhador gosta disso !
E tem dias que sou mesmo assim
Transito em meus tantos
Brinco -fantasio -viajo-passeio-velejo
pre-vejo nuances
no corredor de mim.
Já quis ser diferente
Mas não tem jeito ...
São nos meus silêncios
Inertes
Despidos
que passeio em Paz sobre
os quintais dos meus
jasmins e templos .
TOM DO AMOR
Eu menina mulher
Caminhando nos desalinhos e
destinos dessa vida
Não me ouso olhar para a frente
sem antes relembrar o que já passei no meu
passado.
Já vi muita gente morrer de fome
De amor
De saudade
e com o coração descontente .
Já passeei por entre escuridões
Sons mudos em vagões e tons
cinzentos de dores
Já naveguei por um tempo em que
não via sequer o caminho das cores e
das flores .
Já morri de amor e vi muitos que amei
pela janela da minha alma
indo embora sem sequer me
dar um adeus
Já me perdi no meio de uma multidão
que no fundo só me trazia dor ,
fúria e decepção .
Já fiquei num canto
Num corredor sozinho
A espera de alguém que me mostrasse
onde era a saída
Me desse a mão
ou um simples gesto de carinho
como solução
Eu menina mulher
Não me ouso esquecer meu passado
Meu porta retrato está bem aqui
pendurado nas cicatrizes da minha
existência
Guardado a sete chaves para
que um dia eu me lembre
da força que tive para viver com sapiência e
decência .
Eu menina poeta
Inquieta
Sou o que sou
Porque aprendi com a dor
a enxergar e a valorizar o belo tom
do Amor .
PRECISO IR
Quero dormir
Mas tua ausência grita
Faz de mim uma orquestra
de botequim
Boemio em teus olhos
Toco lágrimas com gosto torpe
Escuto saudades em discos de vinis
Bebo a cachaça de ti
Me embriago com tuas lembranças
Choro solidão de nós dois
Apago a luz dos meus sonhos
Quedo-me sob teus sorrisos
Poesio vazio com a porta escancarada
para a dor.
Preciso ir
Pernoitar n'algum canto
até encontrar com meu
depois .
Aí de mim
se eu não fosse dessa gente
que carrega simplicidade na alma
Que esbanja um sorriso leve e solto
no rosto.
ROSA A DESPERTAR
Há uma mulher sentada na esquina da saudade
a tentar fechar a cortina do coração .
Quem é ela?
Talvez lua cheia
Talvez melancolia
Talvez ventania ...
E ela tenta esquecer
aquele amor que só foi gelo, desilusão, dor na veia.
Que por descuido , teimosia , destino
acabara em fantasia .
Mas por que
ela ilude tanto seu peito com a esperança
do que já foi tarde ?
Por que
se a tez da melancolia sempre a invade ?
Dança da solidão
Valsa com a dor da desilusão
Para onde foram as lindas canções ?
Para onde foram as notas com a clave
daquela eterna jura?
Para onde foram as manhãs a dois e
as danças na chuva ?
Ela fecha os olhos , procura
Tateia no escuro por aquele amor
Procura... procura
pelos olhos
daquele que um dia a vestiu de candura ,de ternura ,de paixão ,
de loucura ...
Mas desperta
quando lembra que o amor é rosa
Não pulsa no gelo e
nem renasce numa pedra.
ACORDA PRA VIDA!
Meus olhos trazem
o caule das margaridas
e o espinho do tempo em que
minh'asa ficou dolorida.
-
Meus olhos trazem
lembranças doces da infância
e a esperança alada por um
mundo a vestir-se de inocência.
-
Meus olhos trazem
primaveras com sabor de alegrias
e um coração latejando os nós
das cinzentas partidas .
-
Trago na cartola d'alma :
Arco íris e nuvens na guarita !
-
Mas inda bem
que toda vez que penso
em cair na escola da vida ...
Um vento pousa por aqui
me desperta
me sacode
me levanta
me agita
-
e me grita:
Não te deixas
Ousai mais
por entre os teus templos
Sacia-te nos teus silêncios
e pinta de azul os teus dias !
-
Pois se só beberes dos
teus rios lânguidos
in desalentos
Só terás nos teus olhos
a dor da ferida .
-
Vai
Levanta
Acorda pra Vida!
Olhos fechados
desejos
borboletas
suspiros
anjos
sonhos
e um par de sorriso no canto ...
Encanto
É assim que me vejo no momento
Só de imaginar o teu mar
desaguando no meu
tanto .
Ah...
Crio asas e toco o infinito.
