Coleção pessoal de Paulamonteiro
Eu te amo
e nem sei porque te amo .
Te amo
sem sentir
sem pedir
sem sair
Ainda não consegui desviá-lo
do meu caminho.
Eu te amo com o coração
pulsando sozinho
e nem sei porque te amo .
E isso dói em mim !
MOLDURA DA SAUDADE
Madrugada fria e ela lê uma saudade batendo
intensa pela fresta da janela .
Não há como fugir !
Os olhos não se fecham...
Inertes conversam com o que ficou
Percorrem a lugares de imenso vazio
O coração dispara frio
num descompasso de ausências
do que desbotou.
O aperto explode no peito
As notas das lembranças dançam
por entre espinhos .
Nos lábios um gosto amargo
daquele amor
Chorou
E ela permanece assim
Naquele canto
sozinha
contando estórias de faz de conta
em prosa e verso para ninguém
ouvir
A moldura daquele sorriso lindo
ainda passeia com devoção
em sua insônia
Os cheiros ,os enfins ,os trejeitos ,os resquicios dele
gritam em seu peito feito
zum zum zum de tamborim.
E um samba de saudade cria asas e
explode caos em seus silêncios
Numa nostalgia cinza e dolorida
que parece não ter fim.
Sou uma
mulher de fases.
Dias acordo virada pra lua
e de bom humor
Outros...
Viajo no inferno e
adormeço sem olhar o céu.
O certo é que vivo!
Certo, torto, nem sei...
Mas exatamente do meu jeito.
Se é doce
amargo
mel ou
fel...
Vai depender do dia, do luar e do que
me atiçar a gula.
É que eu não nasci pensando em merecer pouco!
Meu instinto primata sempre foi e sempre será:
Eu mesma!
Quero dias de felicidade,de amor e de contentamento.
Quero uma grande amor,que seja puro e verdadeiro.
Quero amigos alegres e leais ao meu redor.
Chega de gente pesada na minha vida!
Chega de cargas negativas me rondando!
Hoje eu só quero o que cair bem:
Flores, encantos e amor !
Conheço bem todos os dramas da vida
Já enfrentei grandes desafios dentro de mim mesma
Com força, fé e coragem...
Encontro no final da contrapartida
meu próprio canto e
o meu porto seguro.
A cada dia, um passo à frente.
Assim sempre devo caminhar.
Por vezes
é preciso virar o disco
Melodiar uma nova canção
Compor novos alinhos
Traçar novos caminhos
Sair da mesmice .
Até mesmo nas palavras .
Afinal ...
Tudo que é muito repetitivo
se torna enfadonho.
E numa certa hora ,enjoa aos ouvidos dos
que escutam a mesma música .
NOSTALGIA
Deito-me na solidão
Coração na mão
Desvario ansioso
Peito ferido
Silêncio sem sentido
Suspiro na contramão.
Não há outro lugar para ir
a não ser me assistir
de perto na caverna
vazia de mim.
Um grito sufocado doma
meus sentidos
e me faz refém .
E todos os cantos espelham
sobre meu corpo
o murmúrio
o cansaço
o desaprumo
o enredo nostálgico
de um amor puro
que um dia desenhei
Mas que por um destino atroz ...
Não vivi .
Sob espinhos adormeci .
Morro
com tua indiferença
Me abraso
Me acinzento
Me escureço
Me desmonto
Me quebro
Me desaprumo
Me seco por dentro ...
Saio de mim.
Sem ti
Sou chão sem semente
Sou mar sem nascente
Sou barco sem rumo
Sou vaso quebrado
Sou folha sem prumo
Sou asa sem vento
Sou espinho
Sou grito
Sou delírio
Sou vazio
Sou tormento.
Minha poesia anda meio triste
Vagando nos espinhos
Nadando in relentos
Alimentando-se de desvarios
Clamando por um leito
de amor e de carinho
Pedindo aos céus um canto
de repouso
por onde o vazio não
me seja encanto.
Por onde andam os girassóis
que um dia colhi no jardim
despido de mim?
SOL NASCENTE
Precisei fugir
Sair de mim
Passear n'algum canto
em que não me encontrasse
mais em ti.
Fui
Desaguar meus olhos
n'algum mar que não me
fizesse mais escutar
da tua voz.
Sentar-me n'alguma lua
que não me transportasse
mais em tua foz.
Beijar algum vento e
acarinhar meus girassóis .
Fui
Vestida de lágrima
Dormente de céu
Respirando querências
Magoada com ausências
Anuviando carências
Inundada de gritos mudos ...
Todos teus .
Um amor puro que um dia desenhei
num pedaço de papel
com a tinta doce do meu coração
Vivendo ao teu lado
num laço eterno
cintilando lindos sonhos
Ah, lindos sonhos
em que o fel da tua indiferença
fez questão de amassar
e me distanciar .
Fui
Disfarçada de vento
Embalsamando desalento
Mas com sede de cais azul .
E voltei
Voltei com essa certeza:
Por mais que a ausência
de um amor seja
meu tormento ...
Sempre haverá um sol nascente
a me alumiar e a me anuviar num
porto de alento.
Ah, sempre !
Silencie um pouco !
Atravesse todos os seus desertos se possível .
Vá fundo !
Esqueça o barulho lá fora .
Encontre seu canto ,feche os olhos ,
busque um momento consigo .
Apague a luz ,escute uma música que gosta e
viaje por entre teu interno mundo ...
Escute a voz da su'alma !
Veja seu espelho refletido dentro de ti mesmo.
Respire e Relaxe!
Se preciso for , chore , chore ,porque não?
Chorar limpa, refresca a alma e nos mostra que somos
imperfeitos ,frágeis diante da dor e incertezas dessa vida.
Ninguém aqui está isento de nada ... Nada!
Chore ...chore mesmo!
Não tenhas medo.
Mas depois abra os olhos ,respire fundo e levante
E grite pra si mesmo:
Estou vivo(a)!
E pronta(o) para mais um novo Re-começo!
VELEJO
Viajo em ti
Velejo in nuvens
só por te ver ...
Inda que distante .
Inda que errante .
Me faço navegante
em teu jeito de menino distraído
só para não me perder
desse amor tão puro e
tão bonito que pulsa anil
dentro de mim.
Quisera ser o instante
em que contemplas a natureza
e ser a realeza que te
extasia .
E ser teu versejo
teu desejo
nas tuas noites frias
e vazias .
Sim ,o teu sossego.
Me banho com teu jeito sereno
e me visto com tua asa ...
Só para quem sabe , voar no vento
Pousar por ai
em teu pensamento
a ser quem sabe um dia
tua e-terna morada.
Noite
Deito pra sonhar
Na vitrola toca Sade
e tua imagem dança
a me delirar
nesse imenso quarto
frio e vazio.
Um desejo voraz conversa
comigo
Vibra teu jeito in gemidos
Sinto teu cheiro
Ah, deliro.
Amor
Estás tão longe ...
Mas nadando fundo
em meus
sonhos derretidos.
Aqui, nesse exato instante
És tua toda a lua
pulsando em meus sentidos.
É que mesmo distante
sinto teu cheiro
És o único que me faz
adormecer na lua e
amanhecer com os pés
in nuvens.
Ela o amava tanto ... tanto
Como amava o seu canto
Como amava a lua
Como amava o silêncio.
Ali ... sozinha
enquanto o mundo lá fora dormia
Aquele anjo vestia
sua madrugada
de calmaria
de fantasia
de poesia.
