Coleção pessoal de oaoj_enitnatsnoc

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Não confie demais no meu sorriso. Algumas pessoas usam lágrimas para pedir ajuda; eu aprendi a usar o riso para esconder o endereço.

Passei tanto tempo procurando alguém que me encontrasse que esqueci de perguntar se eu ainda estava onde havia deixado a mim mesmo

O amor é uma porta curiosa: às vezes permanece aberta durante anos, mas nunca sabemos se fomos convidados a entrar ou apenas esquecidos do lado de fora.

Talvez eu não tenha medo de morrer. Talvez tenha apenas curiosidade para descobrir se, finalmente, alguma coisa terá coragem de ficar.

Aprendi a sorrir diante das minhas ruínas. Não porque deixei de sofrer, mas porque até a tristeza fica constrangida quando percebe que já a conheço pelo nome

Há caminhos que não levam a lugar algum; ainda assim, alguns homens passam a vida inteira tentando descobrir se era o destino ou a estrada que estava perdido.

Estrangeiro Dentro de Casa




Sinto-me velho antes do tempo,
mal amado, gasto e sem alento;
um homem perdido, sem direcção,
com ferrugem antiga dentro do coração.
O mundo parou quando aprendi a viver,
e desde então não o consigo entender;
as ruas mudaram, as vozes também,
mas algo em mim ficou preso ao ontem.
Passo noites sozinho, sem nada esperar,
lambendo velhas feridas que não querem sarar;
empoeiradas, profundas, escondidas na pele,
como cartas esquecidas que ninguém mais lê.
Atiro cigarros mortos contra a calçada,
vendo a fumaça morrer na madrugada;
cada brasa acesa, cada cinza no chão,
parece um pequeno funeral do meu coração.
Sou estrangeiro no meio da multidão,
um rosto sem pátria, sem nome, sem mão;
e quando finalmente volto para casa,
sou estrangeiro até onde a minha sombra passa.
Tenho vinte e poucos, mas carrego cem anos,
coleccionando fracassos, silêncios e enganos;
o tempo corre, mas eu fiquei para trás,
num mundo que já não me reconhece mais.
E talvez envelhecer seja simplesmente isto:
perder aquilo que um dia julgámos ter visto;
ficar acordado enquanto tudo vai embora,
e conversar com a solidão até nascer a aurora.

Talvez a pior forma de solidão seja voltar para casa e descobrir que até a própria sombra parece pertencer a outro homem.

Jogo cigarros mortos na calçada como quem atira ao chão pequenas versões de si mesmo que já não deseja carregar.

Passo as noites lambendo feridas antigas, não porque ainda sangrem, mas porque já me acostumei com a dor.

Envelheci no instante em que percebi que o mundo continuava a caminhar enquanto uma parte de mim permanecia parada no passado

Há dias em que a solidão não está na ausência de pessoas, mas na sensação de ser estrangeiro até dentro da própria casa

Eu aprendi a sorrir
na zona de perigo

Talvez eu não esteja bem, talvez nunca tenha estado — mas ainda estou aqui, e por enquanto isso basta.

Há pessoas que fogem da zona de perigo; eu aprendi a fumar um cigarro e permanecer nela

A solidão deixou de ser uma prisão quando aprendi a dançar dentro dela

Meu quarto enferruja, meus cigarros queimam e o tempo passa — mas alguma coisa em mim ainda se recusa a desaparecer

Eu não venci a vida; apenas me recusei a deixá-la vencer primeiro

Às vezes, continuar vivo é o acto mais silenciosamente rebelde que podemos cometer

E se algum dia perguntares
o que vejo quando olho para ti,
não direi apenas beleza.
Direi:
vejo a mulher que desejo,
a mulher que admiro,
a mulher que quero beijar,
a mulher que quero abraçar,
a mulher que quero proteger sem aprisionar,
e, acima de tudo,
a mulher que meu coração escolheu
mesmo sabendo
que amar é sempre
uma maneira lenta
de aprender a sofrer.