Coleção pessoal de Oaj_Oluap

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Se titubeaste ante a imensidão do meu ser, projetando no meu suposto eu razões, ações e competências inexistentes ou inverossimilmente interpretadas, não há com o que sobrecarregar minha consciência, pois o problema consome e existe apenas em tua simplória consciência. Vede que as minhas obras entregam diversas e aparentemente distintas dimensões; é justamente nesse "aparente", portanto, que subjaz a profundidade de cada uma das dimensões do caleidoscópio do meu ser, porquanto jazem integradas.

A Física pela Física não me comporta. Minha pesquisa transita entre mundos. [...] A admiração que nutro pelos físicos tradicionais é análoga àquela que se sente diante de uma imponente estátua de mármore de dois metros. Reconheço o labor: foi extremamente trabalhoso, exigiu força e obstinação. Contudo, há pouca criatividade em seu feito. É um trabalho procedural, extenuante e de baixa exigência cognitiva. E o produto, por conseguinte, é pesadíssimo, de baixíssima mobilidade, monocromático e de parcos detalhes — sobretudo se considerarmos que a matéria-prima não é lá muito primorosa. Afinal, é apenas pedra. Bela para se contemplar no museu, inconveniente para se levar para casa.

O tradicional faz lista de exercícios de eletromagnetismo, eu faço jogo digital e discussão físico-matemática.


O tradicional decora os postulados da Mecânica Quântica, eu provo Bell e apresento a Teoria Quântica de Campos com C*-Álgebras e Teoria das Categorias.


O tradicional tem doutorado em Física e repete aula de 1990, eu terei artigo A1 em Física, monografia sobre Mecânica Quântica e algoritmo de Shor, e ensinarei estatística e lógica com Bell e Python.

Na academia comumente julga-se disperso aquele que não repete vocábulos nos seus trabalhos. Confunde-se, pois, coesão temática com redundância terminológica, o que oblitera a articulação conceitual entre os objetos de investigação.

No silêncio encontro a serenidade. Na serenidade, a certeza. Na certeza, repouso.

A violência simbólica na academia é sutil: vai da simples nomeação pela figura de autoridade até o consenso imediato e óbvio de que você é apenas um técnico subalterno, auxiliar, nunca um pesquisador à altura ou de potencial equivalente. [...] Quem te intitula ferramenta, no mínimo, admite e treme ante o vislumbre da obra.

Muda o objetivo, muda o objeto de investigação, muda o público, o ambiente, e muitos pesquisadores ainda insistem em crer que é a mesma epistemologia. [...] Ensinar não é só falar; não é uma palestra de congresso e os alunos não são plateia de especialistas.

O Mestrado ou Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática ou em Ensino de Ciências objetiva levar o discente a aprender a ensinar o que se sabe para saber melhor ou a ensinar o que outrora não se sabia, pois aquele que aprende a ensinar, aprende a aprender. [...] Somente aquilo que é claro para mim pode tornar-se claro para o outro.

O homem ama, em sua mediocridade e ressentimento, "derrubar" heróis. Os motivos são: a necessidade de um vilão para se sentir forte e justificar suas próprias crenças, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, afirma-se "inconscientemente" como o herói (um bom homem) que derrotou ou lutou contra o vilão, e a emoção da "competição", manifestada na cultura do cancelamento.

⁠O brasileiro teme a excelência e dela foge ao negá-la, como um viciado que bebe todos os dias e afirma que a qualquer momento pode parar.

Aquele que é extremamente habilidoso e consegue ocultar quase cem por cento de suas habilidades é tão perigoso e eficaz quanto habilidoso.

O excepcional que oculta suas habilidades e potencialidades com maestria é, verdadeiramente, um gênio.

⁠Nessa sociedade há dois papéis: o de opressor e o de oprimido. Quando você se recusa a assumir o papel de opressor, assume-se que você aceitou o papel de oprimido.

⁠A proclamação de uma única verdade em público é suficiente para desencadear uma reação em cadeia de comportamentos narcisistas, que, ao negarem a fragilidade de seus egos, movem-se em conjunto para silenciar a voz dissidente. Essa dinâmica é um exemplo clássico da doxa aristotélica, na qual a opinião comum é utilizada para reforçar a própria autoimagem. Além disso, a tendência dos narcisistas em cometer atos antiéticos e criminosos para refutar a afirmação de que são antiéticos é um exemplo da vontade de poder nietzschiana, na qual o indivíduo busca afirmar sua própria superioridade moral a qualquer custo, e do fenômeno de dissonância cognitiva no qual vivem.

⁠Sobre a Inteligência Artificial (IA) no Sentido Lato


Consegue transformar em ato a potência da criatividade e sensibilidade estética em uma linguagem única, que é própria de nós humanos e de cada um de nós como indivíduos? Isso é válido para qualquer obra, pois, se é de um humano, deve ser, por definição, humana e única, este aspecto sendo aquilo que deriva-se a partir do autoconhecimento do indivíduo, a partir das variáveis com valores determinados, o que o define como tal.

Se não consegue, não arrogue para si o nome dos grandes, pois, apesar de suas obras serem patrimônios da humanidade, eles próprios não o são. Assim, trazer tais obras para uma discussão vulgar sobre conteúdos vulgares não faz sentido. Se você, como parte da grande massa, não produz nada de verdadeiramente humano e único, cale-se! Pois o que você faz não está em discussão, isto é, as vossas obras são facilmente substituídas por IA.

Se o faz, você tem todo o direito de demarcar o nível de depuração e de aproximação com o sublime e o belo que a IA jamais pode ter. Dado que, as suas partes constituintes não são e não haverá de ser como a nossa, humanos e indivíduos.

⁠Só valora em demasia a ciência quem não a compreende. Normalmente os não cientistas ou os maus cientistas. Por outro lado, os bons cientistas nunca a leva tão a sério.

⁠A virtude é silenciosa e perene, isto é, dela não se vangloria, não é necessário defendê-la; ela fala por si, é por si forte e absoluta.

⁠Para trazer luz é necessário iluminar a escuridão. Para isso é necessário trazer caos às trevas.

⁠Há apenas dois modos de homem, os que são na normalidade, e os que são longe dela. Eu sempre fui o do segundo modo. A vagar no meu pensamento e na minha fria observação, afasto de todos, normalmente, a minha persona que tanto lapidei para passar despercebido. Trazendo, assim, uma nítida aversão, antipatia e sensação de que algo estou por esconder ou a esconder-me; eis a impressão do homem vulgar. E eu apenas um homem estranho a degustar a bela e assimétrica estética do vinho com a literatura, matemática e filosofia.

O brasileiro teme a excelência e dela se afasta, como o "vir" deveria ante os vícios.