Coleção pessoal de nodivapsicanaliseclinica
A finitude da vida..... não é só a perda da presença; é uma pessoa inteira que vira silêncio e matéria. Isso faz todas as renúncias sem sentido parecerem gritantes.
Isto leva a uma reflexão: a de identificar o que já está morto dentro da sua rotina e o que ainda pulsa.
Pare e pense: do que você sente mais falta em você? Quem era você antes de virar só sustentação? Então não é sobre um sonho isolado. É sobre sentir que a sua existência inteira virou manutenção.
Você trabalha. Aguenta. Resolve. Entrega. Sustenta. Segura os outros.
Mas internamente existe um ser olhando para a própria vida e pensando: “em que momento eu vou começar a viver para mim?”
O tempo não negocia.
A gente sempre fantasia que depois faz:
depois descansa,
depois viaja,
depois ama,
depois muda,
depois cuida de si,
depois realiza.
Só que o “depois” não vem com contrato assinado.
Vivemos tempos em que a pressa virou rotina,
e sentir profundamente passou a ser quase um ato de resistência,
porque o mundo exige respostas rápidas para dores que são lentas,
sorrisos imediatos para feridas que ainda sangram em silêncio,
companhias virtuais para vazios cada vez mais reais,
muitos conversam o dia inteiro, mas poucos realmente se escutam,
há casas cheias e corações desertos coexistindo sem alarde,
gente exibindo felicidade enquanto coleciona cansaços invisíveis,
relações rasas em excesso e compreensão em escassez,
esta é a realidade: nunca estivemos tão conectados e tão ausentes.
Há sorrisos que iluminam o rosto,
mas servem apenas para não escurecer o olhar diante dos outros,
porque nem toda alegria é presença de paz,
às vezes é só a maquiagem silenciosa de um coração cansado,
tentando não desabar em público.
Há silêncios tão profundos,
que por trás deles a alma trava batalhas invisíveis,
e enquanto o mundo enxerga apenas distância,
existem corações implorando por um pouco de permanência,
porque às vezes ser visto já impede a queda.
O luto não enterra apenas quem parte,
ele também sepulta versões de nós que existiam naquele encontro,
deixando a alma vagando entre memórias e ausências,
até que a dor, cansada de sangrar, vire saudade habitável,
e o amor aprenda a continuar sem presença física.
O vazio não é sempre falta,
muitas vezes é o espaço que a vida cria depois do excesso,
para que a alma retire os entulhos do que a sufocava,
reaprenda a ouvir a própria essência em silêncio,
e descubra que recomeços nascem primeiro dentro do nada.
O autismo não é ausência de mundo,
é um universo percebido por outra arquitetura sensível,
onde o afeto nem sempre se traduz em gestos esperados,
mas pulsa com intensidade em detalhes que poucos enxergam,
ensinando que compreender é mais importante do que rotular.
Há dores que não fazem barulho,
mas reorganizam a alma inteira no escuro,
ensinando o coração a continuar mesmo ferido,
porque certas quedas não vêm para destruir,
vêm para mostrar a força que ainda não se conhecia.
